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Sua tireoide está comprometida? Saiba identificar os principais sinais

A glândula integra o sistema endócrino e é responsável pela produção dos hormônios tireoidianos, substâncias que regulam diversas funções do organismo, principalmente o metabolismo

Publicado em 05 de Março de 2026 às 14:21

Guilherme Sillva

Publicado em 

05 mar 2026 às 14:21
Mulher com mão na garganta
A tireoide exerce um papel fundamental no funcionamento do corpo humano Crédito: Shutterstock
Apesar de pequena, a tireoide exerce um papel fundamental no funcionamento do corpo humano. Localizada na parte anterior do pescoço, logo abaixo da laringe e à frente da traqueia, a glândula integra o sistema endócrino e é responsável pela produção dos hormônios tireoidianos, substâncias que regulam diversas funções do organismo, principalmente o metabolismo.
De acordo com a endocrinologista Camila Salim, da Rede Meridional, os hormônios produzidos pela tireoide, conhecidos como T3 e T4, influenciam diretamente uma série de processos essenciais no corpo. “Esses hormônios participam da regulação do gasto de energia, da temperatura corporal, da frequência cardíaca, do funcionamento do intestino, além de estarem envolvidos no crescimento e desenvolvimento, no funcionamento cerebral, na saúde da pele e do cabelo e até na fertilidade”, explica.
Quando há alterações na produção hormonal, podem surgir diferentes problemas de saúde. As disfunções mais comuns são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que apresentam manifestações clínicas distintas. No hipotireoidismo, quando há deficiência na produção dos hormônios da tireoide, os sintomas podem incluir fadiga, redução da capacidade funcional, ganho de peso, intolerância ao frio, constipação intestinal, pele seca, queda de cabelo, lentificação cognitiva e irregularidades menstruais.
Já no hipertireoidismo, caracterizado pelo excesso de hormônios tireoidianos, é comum que o paciente apresente perda de peso involuntária, taquicardia, tremores, ansiedade, irritabilidade, intolerância ao calor, sudorese aumentada, alterações no sono e aumento da frequência intestinal. Além das alterações hormonais, também podem ocorrer mudanças estruturais na glândula, como o aparecimento de bócio ou nódulos tireoidianos.
Segundo a especialista, essas condições merecem atenção médica porque os hormônios da tireoide influenciam vários sistemas do organismo.
Camila Pitanga Salim, médica endocrinologista
Camila Salim diz que quando há alterações na produção hormonal, podem surgir diferentes problemas de saúde Crédito: Vitor Jubini
Alterações hormonais prolongadas podem afetar diferentes órgãos e sistemas, como o cardiovascular, o metabolismo energético, o sistema nervoso central, o sistema musculoesquelético e o sistema reprodutivo
Camila Salim - Endocrinologista

Sinais do comprometimento

Entre as principais funções da tireoide está o controle do metabolismo, ou seja, a forma como o organismo utiliza energia. Os hormônios tireoidianos ajudam a regular a temperatura corporal, o ritmo do coração, o funcionamento do intestino, o crescimento e até atividades do cérebro.
O médico Maurício Dall’Orto, da Bluzz Saúde, explica que qualquer alteração na produção desses hormônios pode provocar mudanças perceptíveis no organismo. "A tireoide funciona como um regulador do metabolismo. Quando ela passa a produzir hormônios em excesso ou em quantidade insuficiente, vários outros sistemas do corpo são afetados, e o organismo começa a dar sinais de que algo não está funcionando como deveria".
Entre esses sinais do comprometimento da tireoide estão cansaço persistente, alterações de peso sem causa aparente, queda de cabelo, pele seca, mudanças no funcionamento do intestino, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração.
Esses sintomas podem aparecer tanto quando a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente quanto quando há produção excessiva, a depender de cada caso.
Muitas vezes os sintomas são discretos no início e acabam sendo atribuídos ao estresse, ao ritmo acelerado da rotina ou ao próprio envelhecimento, o que pode atrasar a busca por avaliação médica. "No início, as manifestações podem ser pouco específicas e passar despercebidas. Por isso, a avaliação clínica associada aos exames laboratoriais é essencial para identificar alterações na tireoide", diz o médico.
Quando a disfunção se torna mais evidente, os sintomas tendem a ficar mais claros e persistentes. No hipotireoidismo, por exemplo, quando há produção reduzida de hormônios, podem surgir fadiga intensa, ganho de peso e maior sensibilidade ao frio. Já no hipertireoidismo, caracterizado pelo excesso de hormônios, é comum observar perda de peso, aceleração dos batimentos cardíacos, tremores e sensação de nervosismo.

O tratamento

Camila Salim conta que nos estágios iniciais, muitas dessas alterações podem ser leves ou até mesmo não apresentar sintomas, sendo identificadas apenas por meio de exames laboratoriais. Por isso, ela reforça a importância do acompanhamento e da investigação precoce. “Com a progressão da doença, os sintomas tendem a se tornar mais evidentes, por isso a monitorização laboratorial e a detecção precoce são fundamentais”, afirma.
O tratamento das doenças da tireoide depende da causa e do tipo de alteração. Nos casos de hipotireoidismo, o tratamento é feito com reposição hormonal por meio do uso de levotiroxina. Já no hipertireoidismo, podem ser indicados medicamentos antitireoidianos, terapia com iodo radioativo ou, em algumas situações, cirurgia. Quando há presença de nódulos na tireoide, a conduta pode variar entre acompanhamento clínico, realização de punção para diagnóstico por biópsia ou procedimento cirúrgico, quando indicado.
Com diagnóstico correto e acompanhamento adequado, a maioria das alterações da tireoide apresenta bom controle. “Com diagnóstico e seguimento apropriados, a grande maioria das doenças tireoidianas tem tratamento eficaz e permite que o paciente mantenha qualidade de vida”, conclui a endocrinologista.

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