Publicado em 4 de março de 2026 às 14:45
A apresentadora Monica Iozzi, de 44 anos, recebeu alta hospitalar, em São Paulo, onde estava internada desde a última quinta-feira (26). Ela deu entrada na unidade para tratar um quadro de acatisia.
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Ela publicou um vídeo em suas redes sociais contando sobre seu estado de saúde. "Queridos, estou fazendo esse vídeo aqui para esclarecer algumas coisas. Eu estou internada há uma semana, a minha internação começou no Hospital Albert Einstein, aí eu fui transferida para o Oswaldo Cruz (SP). Hoje, ainda bem que é meu último dia aqui de internação, mas agora está tudo bem. Tá tudo bem mesmo", assegurou.>
Ela falou sobre o diagnóstico.“Eu tive um quadro de acasia, afasia, sei lá. É um quadro que você tem uma reação a um remédio e o seu corpo não responde. É uma coisa muito louca”, descreveu. Na verdade, trata-se de um quadro de acatisia. >
A acatisia é uma condição neurológica caracterizada por uma intensa sensação de inquietação interna associada à necessidade constante de se movimentar. A pessoa afetada pode sentir dificuldade em permanecer sentada ou parada, apresentando movimentos repetitivos como balançar as pernas, levantar e sentar várias vezes ou caminhar de um lado para o outro. O termo tem origem no grego e significa literalmente “incapacidade de ficar sentado”. Trata-se de um transtorno do movimento que pode causar grande desconforto físico e emocional. >
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De acordo com o neurologista Marcos Paulo Travaglia, da Unimed Sul Capixaba, a acatisia é frequentemente relacionada ao uso de alguns medicamentos psiquiátricos. “A acatisia é um distúrbio do movimento caracterizado por uma sensação intensa de inquietação e necessidade de se movimentar. Ela costuma aparecer como efeito adverso de medicamentos que atuam no sistema nervoso central, especialmente antipsicóticos e alguns antidepressivos utilizados no tratamento de condições como transtorno bipolar, depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo”, explica. >
Estudos científicos indicam que essa reação pode ocorrer em uma parcela relevante dos pacientes em tratamento com esses medicamentos, com incidência estimada entre 5% e 50% dependendo da droga utilizada e do tempo de uso.>
Os sintomas podem variar de intensidade, mas costumam envolver inquietação motora e sensação constante de desconforto. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade de permanecer sentado, necessidade de andar ou mudar de posição frequentemente, agitação nas pernas, ansiedade, irritabilidade e sensação de tensão interna. O méico explica que muitas pessoas têm dificuldade em descrever o que sentem. “O paciente relata uma sensação de angústia ou inquietação que melhora apenas quando ele se movimenta. Esse quadro pode gerar sofrimento significativo e interferir na qualidade de vida”, afirma.>
Um dos desafios é que os sintomas podem ser confundidos com outras condições, como ansiedade ou agitação emocional, o que pode atrasar o diagnóstico. “A acatisia muitas vezes é interpretada como ansiedade, estresse ou piora do quadro psiquiátrico, quando na verdade pode ser um efeito colateral da medicação. Por isso é fundamental que qualquer mudança no comportamento ou na sensação de inquietação seja avaliada por um médico”, orienta o neurologista. Especialistas destacam que o diagnóstico é essencialmente clínico e depende da avaliação detalhada do histórico do paciente e do uso de medicamentos.>
O tratamento geralmente envolve ajustes na medicação responsável pelo quadro. Em muitos casos, o médico pode reduzir a dose do medicamento, substituí-lo por outro com menor risco de provocar acatisia ou prescrever medicamentos auxiliares para aliviar os sintomas. Entre as opções terapêuticas estão betabloqueadores, benzodiazepínicos e outras drogas utilizadas para controlar a inquietação motora e o desconforto associado.>
Segundo Marcos Travaglia, na maioria das situações a condição pode ser controlada com acompanhamento adequado. “Quando identificada precocemente e tratada corretamente, a acatisia costuma melhorar após o ajuste da medicação. Em muitos casos os sintomas desaparecem completamente. O mais importante é que o paciente não interrompa o tratamento por conta própria e procure orientação médica ao perceber qualquer alteração”, conclui.>
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