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Estudo inédito: câncer colorretal avança em adultos jovens no Brasil

Estudo inédito: câncer colorretal avança em adultos jovens no Brasil

Pesquisa realizada em um dos maiores centros oncológicos do país mostra crescimento expressivo da incidência da doença em todas as faixas etárias, principalmente entre 30 e 39 anos

Publicado em 4 de março de 2026 às 07:00

Mulher com dor abdominal
Dor ou desconforto abdominal persistente são alguns dos sintomas do câncer colorretal Crédito: Shutterstock/ PeopleImages

Um estudo retrospectivo realizado no A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, revelou um aumento significativo na incidência do câncer colorretal no Brasil ao longo de 23 anos, tanto entre adultos jovens com menos de 50 anos quanto entre pessoas com 50 anos ou mais.

A pesquisa analisou 5.559 casos diagnosticados entre 2000 e 2023 e identificou um crescimento anual médio consistente em todas as faixas etárias avaliadas, principalmente entre 30 e 39 anos com 8,5% de aumento de casos. Abaixo dos 50 anos, grupo tradicionalmente considerado de baixo risco, o aumento anual de casos foi de 7,6% e na população com 50 anos ou mais foi de 8,1%.

Os resultados reforçam a necessidade de repensar estratégias de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce da doença no país. Neste contexto, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (SOBED) e a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) realizam pelo quarto ano consecutivo a campanha Março Azul. A mobilização nacional chama a atenção para a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de intestino, que pode ter altas chances de cura quando identificado nas fases iniciais.

“Entre as principais estratégias para a detecção precoce do câncer colorretal está o teste FIT, realizado por meio de um exame de fezes. Ele é capaz de identificar a presença de sangue oculto, geralmente imperceptível a olho nu, um dos sinais iniciais mais comuns da doença. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para a realização da colonoscopia. Simples e eficaz, o teste FIT é uma importante ferramenta de rastreamento do câncer de intestino. E, uma vez detectado um câncer colorretal, o coloproctologista deve ser procurado o mais breve possível, pois é o especialista que fará o tratamento cirúrgico com maiores chances de cura para o paciente”, alerta o coloproctologista Olival de Oliveira Júnior, da SBCP.

Tendência do estudo difere de países de alta renda

O crescimento simultâneo do câncer colorretal em adultos jovens e mais velhos observado no estudo contrasta com o cenário de muitos países de alta renda, onde a incidência da doença tem diminuído em pessoas acima de 50 anos, em grande parte devido a programas consolidados de rastreamento.

“O crescimento consistente do câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos reforça que essa doença não pode mais ser considerada exclusiva da população mais velha. É um alerta para profissionais de saúde e para a população em geral de que é preciso prevenir”, avalia  Samuel Aguiar, um dos autores do estudo. 

No Brasil, os achados sugerem que falhas na cobertura de rastreamento, diagnóstico tardio e desigualdades no acesso à saúde ainda representam barreiras importantes. “No Brasil, cerca de 65% dos casos de câncer colorretal no SUS ainda são diagnosticados em estágio avançado. A campanha anual do Março Azul mostra que é possível rastrear a população de forma eficiente e com baixo custo, usando o exame de sangue oculto nas fezes e encaminhando para colonoscopia apenas quem realmente precisa”, afirma Olival de Oliveira.

Sobrevida maior em pacientes jovens

Apesar do aumento da incidência, pacientes com menos de 50 anos apresentaram maior sobrevida global em cinco anos (72,7%) em comparação com aqueles com 50 anos ou mais (64,1%). No entanto, o estágio da doença no momento do diagnóstico foi um fator decisivo para o prognóstico.

“Embora os pacientes mais jovens apresentem melhores taxas de sobrevida, isso não reduz a gravidade do problema. Muitos ainda são diagnosticados tardiamente, quando as opções de tratamento são mais complexas”, pontua Samuel Aguiar.

Pacientes diagnosticados em estágios iniciais tiveram taxa de sobrevida em cinco anos de 84,4%, enquanto aqueles com doença avançada apresentaram sobrevida significativamente menor (52,7%). Mesmo nesse cenário, adultos jovens mantiveram melhores desfechos do que os mais velhos, tanto em doença inicial quanto avançada.

Prevenção

Ainda não se sabe o real motivo do aumento da incidência do câncer colorretal na população mais jovem, mas a crescente prevalência da obesidade, o comportamento sedentário, os padrões alimentares ocidentais e as alterações na microbiota intestinal destacam-se como possíveis causas.

“O aumento de casos em pessoas mais jovens reforça que a prevenção não deve se limitar à idade. Estilo de vida saudável com atividade física, consumo de mais alimentos in natura e menos ultraprocessados e avaliação médica diante de sintomas suspeitos são fundamentais em qualquer fase da vida”, destaca Ana Sarah Portilho, diretora de comunicação da SBCP. 

O câncer colorretal não costuma apresentar sintomas em estágios iniciais, quando sua chance de cura é mais alta. Entre os principais sintomas da doença estão:

  •  Alteração do hábito intestinal, como diarreia ou constipação persistentes;

  •  Mudança no formato das fezes (fezes mais finas ou em fita);

  • Sangue nas fezes, que pode ser vermelho vivo ou escuro;

  • Dor ou desconforto abdominal persistente;

  • Sensação de evacuação incompleta;

  • Gases, inchaço ou cólicas frequentes;

  • Cansaço excessivo ou fraqueza, muitas vezes relacionados à anemia;

  • Perda de peso sem causa aparente;

  • Diminuição do apetite.

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