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Mpox no ES: doença pode matar? Infectologista explica os sintomas

Mpox no ES: doença pode matar? Infectologista explica os sintomas

O principal sintoma é o aparecimento súbito de lesões na pele, que podem ser únicas ou múltiplas, em qualquer parte do corpo, inclusive na região genital

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 16:01

Mulher com mpox
O principal sintoma é o aparecimento súbito de lesões na pele, que podem ser únicas ou múltiplas, em qualquer parte do corpo Crédito: Shutterstock

O Brasil chegou a marca de 90 casos confirmados de mpox, segundo dados do Ministério da Saúde e de secretarias estaduais. O estado com maior número de ocorrências é São Paulo, com 63 casos. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 15 registros, Rondônia, com 4, Rio Grande do Sul, com 2, e Santa Catarina e Distrito Federal com 1 em cada. 

Vídeo explicativo sobre a doença.

O primeiro caso em no Espírito Santo foi confirmado nesta semana em Colatina. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), outras 14 notificações foram registradas neste ano: uma permanece sob investigação e 13 foram descartadas. 

A mpox é uma doença causada pelo vírus do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma zoonose viral, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos, especialmente por meio do contato com roedores silvestres infectados. A transmissão também ocorre entre pessoas e por meio de objetos contaminados.

Mpox pode matar?

A infectologista Michelle Zicker, do São Cristóvão Saúde, explica que na maioria dos casos, os sintomas da mpox desaparecem em algumas semanas. "No entanto, em algumas pessoas, especialmente imunocomprometidos, crianças e gestantes, os sinais e sintomas podem levar a complicações e até à morte".

De acordo com as evidências científicas disponíveis até o momento, em países onde a doença é endêmica, são considerados grupos vulneráveis os imunocomprometidos, gestantes e crianças. "Manifestações mais graves e complicações da doença podem ocorrer, incluindo a presença de ceratite (acometimento da córnea), proctite (acometimento do reto), balanopostite (acometimento do prepúcio e da glande), comprometimento visceral grave (por exemplo do cérebro, dos pulmões, com necessidade de oxigênio) , e manifestações da pele e mucosas exuberantes, que estão habitualmente associadas a condições que favorecem a disseminação viral e respostas atípicas, como nos casos de imunossupressão avançada pelo HIV", diz a médica.

Saiba os principais sintomas

A mpox costuma durar de duas a quatro semanas. O principal sintoma é o aparecimento súbito de lesões na pele, que podem ser únicas ou múltiplas, em qualquer parte do corpo, inclusive na região genital, com aparência plana ou elevada e com líquido claro ou amarelado, formando crostas que secam e caem.

Michelle Zicker, infectologista
A infectologista Michelle Zicker explica os sintomas da doença Crédito: Divulgação

Essas lesões podem ser acompanhadas de febre ou calafrios, dor de cabeça, dor muscular e nas costas, cansaço, ínguas no pescoço, axilas ou virilha

Michelle Zicker

Infectologista

O período de incubação (intervalo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. As erupções costumam surgir entre um e três dias após o início da febre, mas também podem aparecer antes.

Como ocorre a transmissão

A principal forma de transmissão é o contato direto pessoa a pessoa com lesões de pele, erupções cutâneas e fluidos corporais, como pus e sangue das lesões. Úlceras e feridas na boca também podem conter o vírus, permitindo a transmissão pela saliva.

“Beijo, abraço, relação sexual, massagem e o compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis, utensílios e pratos utilizados pela pessoa infectada são formas de contágio”, explica a especialista. A transmissão por gotículas respiratórias é possível, mas geralmente exige contato próximo e prolongado, o que aumenta o risco entre profissionais de saúde, familiares e parceiros íntimos.

A pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até que todas as lesões cicatrizem completamente e uma nova camada de pele seja formada.

Pacientes com mpox grave podem precisar de internação, cuidados intensivos e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e encurtar o tempo de recuperação. A médica explica que atualmente, o tratamento dos casos de mpox tem se sustentado em medidas de suporte clínico com o objetivo de aliviar sintomas; prevenir e tratar complicações (infecções bacterianas por exemplo) e evitar sequelas.

"Até o momento, não se dispõe de medicamento aprovado especificamente para mpox. Alguns indivíduos infectados podem requerer internação hospitalar, como por exemplo nos casos com comprometimento de órgãos como pulmões e cérebro, na presença de lesões de pele extensas e/ou complicações como as infecções bacterianas".

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