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O que é mpox? Entenda os principais sintomas e como se transmite

O que é mpox? Entenda os principais sintomas e como se transmite

Febre e calafrios, dor de cabeça intensa, dores musculares e ínguas (linfonodos inchados) são alguns dos sintomas

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15:27

Mpox
As lesões na pele são consideradas a principal característica da doença Crédito: Shutterstock

O Brasil confirmou mais de 50 casos de mpox nos primeiros meses de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Até o momento, não houve registro de situações graves e potencialmente fatais – nem mortes associadas. 

Causada pelo mpox vírus, a doença pertence à mesma família da antiga varíola humana, mas costuma apresentar quadros menos graves. Trata-se de uma zoonose viral, ou seja, uma infecção que pode ser transmitida de animais para humanos e, posteriormente, de pessoa para pessoa, sendo esta, atualmente, a principal forma de contágio.

Segundo o infectologista Lorenzo Nico Gavazza, da Rede Meridional, a doença tem evolução aguda e duração limitada. “A mpox é uma doença de curso agudo. Após o contato com o vírus, os sintomas costumam surgir em alguns dias ou poucas semanas, e o ciclo completo geralmente dura de duas a quatro semanas, desde os primeiros sinais até a cicatrização total das lesões”, explica.

O quadro clínico costuma começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe forte. Febre e calafrios, dor de cabeça intensa, dores musculares e ínguas (linfonodos inchados) são alguns dos sintomas. Posteriormente, surgem as lesões na pele, consideradas a principal característica da doença. 

Lorenzo Nico Gavazza
O infectologista Lorenzo Nico Gavazza explica os principais sintomas da doença viral Crédito: Divulgação

As lesões começam como manchas, evoluem para pápulas, depois vesículas (bolhas), podendo formar úlceras e, por fim, crostas

Lorenzo Nico Gavazza

Infectologista

As lesões podem aparecer em qualquer parte do corpo. Nos casos mais recentes, têm sido observadas com frequência nas regiões genital e anal, especialmente quando a transmissão ocorreu por contato íntimo. Também são comuns no rosto, nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e na boca.

Os principais sintomas

Lesões na pele: começam como manchas vermelhas, viram bolhas (vesículas), pústulas com pus e, por fim, crostas que caem.

Linfonodos inchados (Ínguas): este é o sinal que mais ajuda a diferenciar a mpox da catapora ou varíola comum.

Sintomas gripais: febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, calafrios e exaustão.

Um dos principais riscos associados às lesões é a infecção secundária por bactérias da própria pele, especialmente quando o paciente coça ou retira as crostas. “O maior perigo das feridas é a infecção secundária, que pode acontecer ao manipular ou coçar as lesões. Por isso, é fundamental manter a região limpa, seca e protegida”, orienta o infectologista. A recomendação inclui higienização com água e sabão ou spray antisséptico, uso de curativos simples quando necessário e, principalmente, evitar mexer nas crostas.

A dermatologista Regina Carneiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), reforça que o início da infecção é geralmente marcado por sintomas inespecíficos como febre, dor no corpo e aumento dos gânglios linfáticos principalmente na região cervical, virilha e submandibular.

Na pele podem surgir manchas vermelhas, pápulas (bolinhas), vesículas (bolinhas de água), pústulas (bolinhas de pús), e crostas (cascões), sendo comum uma umbilicação (depressão) na área central. "Podem ser únicas ou múltiplas e ocorrer dor no local ou coceira por mais de quatro semanas. No surto atual, têm sido predominantemente localizadas na região genital".

Como ocorre a transmissão

A transmissão acontece, principalmente, pelo contato direto e próximo com uma pessoa infectada seja, por meio de contato com as lesões, beijos e abraços, relação sexual e contato íntimo em geral. O vírus também pode ser transmitido por meio de objetos contaminados, como roupas de cama, toalhas e utensílios de uso pessoal.

Segundo Gavazza, embora grande parte dos casos recentes esteja associada ao contato íntimo, a mpox não é classificada como infecção sexualmente transmissível. O diagnóstico é inicialmente clínico, feito a partir da avaliação médica, e pode ser confirmado por exame laboratorial do tipo PCR, realizado com material coletado diretamente das lesões.

Regina Craneiro ressalta que embora não exista um tratamento específico para a mpox, alguns antivirais podem ser utilizados para reduzir a severidade dos sintomas e destaca as formas de prevenção, como o tecovirimat, que já foi aprovado para tratamento de mpox em janeiro de 2022.

“Como a transmissão ocorre por contato com secreções infectadas das vias respiratórias, feridas ou bolhas na pele, é essencial evitar o contato próximo com pessoas que estejam com sintomas e não compartilhar objetos e material de uso pessoal, como toalhas e roupas de cama, por exemplo”, diz.

A vacinação contra mpox está disponível, porém de forma restrita, destinada a grupos de maior risco e pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados, seguindo critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A primeira é a Jynneos, produzida pela farmacêutica dinarmaquesa Bavarian Nordic, composta pelo vírus atenuado, com efeitos colaterais considerados leves, como dor no local da aplicação, vermelhidão e inchaço, podendo ocorrer dor muscular, dor de cabeça e cansaço. Foi em 2023 que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso provisório do imunizante no Brasil.

O segundo tipo de vacina é a ACAM 2000, fabricada pela americana Emergent BioSolutions. É composta pelo vírus ativo com inúmeras contraindicações e consequentemente mais efeitos colaterais, se tornando assim menos segura.

“A estratégia de vacinação prioriza a proteção das pessoas com maior risco de evolução para as formas graves da doença como pacientes que vivem com HIV/Aids com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses e profissionais que atuam diretamente em contato com o vírus em laboratórios. Além desses grupos, também está prevista a vacinação para pessoas que tiveram contato direto com os fluidos e secreções corporais de casos suspeitos ou confirmados para a doença”, esclarece Regina Carneiro.

Na maioria dos casos, o tratamento é sintomático, com medicamentos para dor e febre, hidratação e cuidados locais com a pele. O próprio organismo elimina o vírus ao longo do tempo. Antivirais específicos existem, mas são reservados para situações mais graves ou pacientes com imunidade comprometida.

Já a prevenção se baseia principalmente na informação e em medidas de proteção individual. “Evitar contato íntimo com pessoas com lesões suspeitas ou diagnóstico confirmado; higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel; não compartilhar objetos pessoais e respeitar o isolamento até a cicatrização completa das lesões são ações que podem evitar o contágio”, finaliza o infectologista.

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