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Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 09:04
A atriz Carol Castro, de 41 anos, contou no programa 'Encontro com Patrícia Poeta' o seu diagnóstico de fibromialgia. Durante a conversa, ela explicou a dificuldade de identificar a doença e como os sintomas eram confundidos com outros problemas de saúde. >
Carol relatou que a descoberta da síndrome de dor crônica não foi imediata, passando por diversas investigações médicas antes de chegar à conclusão final. "É muito difícil você chegar a esse diagnóstico de fibromialgia porque não existe um exame específico; é por exclusão. Eu fui fazendo vários exames, várias investigações de saúde, porque já sentia algumas dores… muita dor de cabeça. Inclusive, quando me chamaram para fazer a Clarice, foi muito engraçado, porque eu tenho vivência em duas situações: já perdi a memória momentaneamente quando sofri um acidente de bicicleta aos 16 anos e sei muito bem o que é ter dor de cabeça, enxaqueca, tontura etc. Então, lido com isso há muitos anos".
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A atriz relembrou que, inicialmente, associava o mal-estar a questões físicas localizadas: "Antigamente, eu achava que era sinusite, porque, em mim, é muito forte na cabeça e no pescoço, e tenho uma Disfunção Temporomandibular (DTM). Aí eu já estava usando placa, enfim, tive a lesão no joelho, meu pai faleceu meses depois, eu estava filmando e vou falar o quanto é importante o trabalho nessas horas. Salva em alguns casos, porque tem pessoas que nem conseguem levantar da cama", continuou.
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De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta com dores por todo o corpo, especialmente na musculatura, acompanhada de fadiga, sono não reparador, alterações de memória, ansiedade e até distúrbios intestinais. Uma característica marcante é a alta sensibilidade ao toque, que gera desconforto mesmo com pressões leves. >
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"Além disso, também provoca uma maior sensibilidade ao toque e pode ser acompanhada de outros sintomas, como fadiga e alterações no sono, que deixa de ser reparador”, explica o médico ortopedista Fernando Jorge, especialista em Intervenção em Dor. >
Devido às dores e ao cansaço, o paciente com fibromialgia pode sofrer prejuízos severos na qualidade de vida, inclusive com alterações na memória e na concentração, prejudicando a realização de tarefas diárias e até o desempenho profissional. “A doença também pode prejudicar o convívio social e interferir nos relacionamentos. Isso sem falar da grande incerteza e vulnerabilidade que o paciente com fibromialgia sente, afinal, trata-se de uma doença crônica, cuja causa não é conhecida e sem cura. Todos esses fatores, somados à incapacitação provocada pela doença, podem favorecer quadros de ansiedade e depressão. Estima-se que cerca de 50% dos pacientes com fibromialgia têm sintomas depressivos. E a grande questão é que a depressão pode piorar a sensibilidade à dor, gerando assim um ciclo vicioso”, alerta o especialista.>
O médico diz que na fibromialgia não há qualquer lesão, inflamação ou degeneração dos tecidos. Na verdade, o que acontece é uma amplificação dos impulsos dolorosos. "E não existem exames específicos que possam comprovar essa alteração. Além disso, as reações do paciente são muito diferentes de quadros de dor aguda. Muitas vezes, a pessoa consegue se comunicar bem e parece calma. Mas, atualmente, temos uma série de pesquisas, com visualização do cérebro do paciente com fibromialgia, que comprovam que a dor sentida é real”.>
Embora a dor crônica seja um sintoma predominante da fibromialgia, ela é uma condição complexa que envolve uma variedade de sintomas, incluindo fadiga, distúrbios do sono, problemas cognitivos (conhecidos como "névoa cerebral"), rigidez muscular e sensibilidade aumentada em várias partes do corpo. Além disso, o Marcelo Valadares, neurocirurgião da Unicamp, explica que estudos destacam também os impactos na saúde mental da condição.>
“A doença pode se manifestar de maneira diferente em cada pessoa. Enquanto algumas pessoas podem experimentar dor intensa em todo o corpo, outras podem ter dor localizada em áreas específicas. Além disso, os sintomas podem variar em gravidade. O tratamento personalizado e multidisciplinar é essencial para lidar com essa variedade de sintomas”, explica.>
Pesquisas recentes indicam que a doença afeta entre 2% e 4% da população global, com prevalência em mulheres. No Brasil, estima-se que a fibromialgia atinge 2% da população. No entanto, ainda é frequentemente subdiagnosticada e mal compreendida. "Embora a fibromialgia seja mais comum em adultos, ela também pode afetar adolescentes e até mesmo crianças. Os sintomas podem se manifestar em qualquer idade, embora o diagnóstico em crianças possa ser mais desafiador devido à dificuldade em expressar seus sintomas", diz Marcelo.>
O diagnóstico da doença é essencialmente clínico, com base nos sintomas e histórico do paciente. O que o médico pode solicitar são exames para excluir a possibilidade de outras doenças com características semelhantes a fibromialgia. "Apesar da fibromialgia não ter cura, a doença pode ser controlada, então o diagnóstico é fundamental para melhorar a qualidade de vida do paciente", diz Fernando Jorge.>
Entre as estratégias no controle da doença, o médico cita a prática de atividade física como principal. “A prática de atividade física é, comprovadamente, uma grande aliada na melhora dos sintomas da fibromialgia e, consequentemente, da qualidade de vida de pacientes que sofrem com a doença", diz Fernando. Além disso, o médico poderá recomendar o uso de medicamentos, como antidepressivos e neuromoduladores para atuar sobre os neutrotransmissores envolvidos na regulação da dor. “Mas mais importante do que as medicações é o cuidado do paciente com seu estilo de vida. Terapias integrativas, incluindo fisioterapia e terapia cognitiva-comportamental, também podem ser recomendadas”, acrescenta.>
Embora não haja cura para a fibromialgia, existem opções de tratamento que podem ajudar a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas os medicamentos não são a única opção. Marcelo Valadares defende que o tratamento multidisciplinar é essencial. “Além dos fármacos para alívio da dor, é necessário incluir tratamentos como fisioterapia, a inclusão de exercícios físicos na rotina, como o pilates, terapia ocupacional, técnicas de relaxamento, mudanças na dieta e estilo de vida, entre outras abordagens multidisciplinares. O tratamento deve ser individualizado, considerando todo o histórico do paciente”, afirma>
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