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Pessoas de 60 anos (ou mais) vão atrás de cirurgias plásticas para melhorar a autoestima

Mulheres e homens de meia idade têm procurado cada vez mais o rejuvenescimento facial, além de outros procedimentos estéticos

Rede Gazeta
Publicado em 26/11/2020 às 05h00
Atualizado em 26/11/2020 às 05h00
Mulheres na meia-idade adotam cuidados redobrados para melhorar a autoestima.
Mulheres na meia-idade procuram cada vez mais as cirurgias plásticas. Crédito: Freepik

Muitas pessoas que chegaram aos 60 anos sofrem ao olhar-se no espelho, pois não veem por fora a jovialidade que sentem por dentro. Mesmo com todos os cuidados, os sinais naturais do envelhecimento são inevitáveis com o avanço do tempo. Para tentar "conter" a passagem do tempo, se gostar mais diante do espelho e elevar a autoestima, a cirurgia plástica se tornou uma escolha para homens e mulheres.

Segundo o último levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o percentual de procedimentos estéticos realizados no país por pessoas com mais de 65 anos passou de 5,4% em 2016 para 6,6% em 2018.

Quem deve fazer parte dessa estatística é a pregoeira Suzel Tedoldi, de 63 anos, que começou a realizar pequenas cirurgias há menos de 10 anos. Desde então, ela colocou silicone, preencheu o glúteo e recorreu ao lifting (que tira as rugas do rosto e do pescoço). Já após os 60 anos, fez harmonização facial, colocou botox e estimulou a produção de colágeno no corpo, com um procedimento chamado sculptra.

"É normal perder esse prazer de se cuidar e conviver socialmente à medida em que envelhecemos. Vamos murchando tanto por fora quanto por dentro. Mas, na minha opinião, não dá para deixar a peteca cair. Se não, vira um caminho sem volta. A tristeza nos vence e perdemos os últimos anos da nossa vida, que podem ser tão bonitos quanto os da juventude", afirma.

Suzel perdeu a conta de quantas cirurgias plásticas fez após os 60 anos.
Suzel Tedoldi, de 63 anos, afirma que perdeu a conta de quantas cirurgias plásticas fez após entrar na meia-idade. Crédito: Reprodução/Arquivo Pessoal

Com vontade de mudar, o primeiro passo que Suzel deu foi procurar recomendações sobre qual seria o melhor cirurgião plástico para fazer essas operações. Embora as cirurgias sejam, no geral, mais caras que os procedimentos dermatológicos, ela decidiu que valia a pena fazer o investimento. Suzel já gastou mais de R$ 50 mil com a própria beleza. "O meu corpo é a coisa mais valiosa do mundo. Sem ele, eu não existo", reflete.

A partir dali, tudo mudou no seu dia a dia. Para também rejuvenescer o corpo, ela optou por fazer exercícios físicos com frequência, ter uma alimentação equilibrada e evitar produtos que fazem mal à saúde, como cerveja, refrigerante e fast-food.

Mesmo com o estranhamento de muitas pessoas, a pregoeira relembra que obteve o apoio de quem mais precisava: da família. Suas filhas, uma de 37 e outra de 29 anos, além dos quatro netos, fazem questão de sempre elogiá-la. "Todos eles me apoiam. Meus netos cansam de dizer que a avó é 'enxuta', gostam muito de falar que aparento ser mais nova. É divertido para eles", diz, entre risos.

Suzel garante, inclusive, que depois da pandemia vai voltar ao consultório para realizar novos procedimentos, mas apenas para realizar alguns ajustes. Nada de grandes mudanças. Isso porque, de acordo com ela, os resultados mais importantes apareceram desde a sua primeira cirurgia, lá em meados de 2010.

"Atualmente, eu estou satisfeita comigo mesma quando olho no espelho. Não preciso ter alguém ao meu lado, pois sinto que sou suficiente sozinha. Hoje, eu sou feliz. E, por transmitir essa alegria, os amigos e a família gostam de estar comigo. Você atrai só energia boa. Essa é a parte mais recompensadora de tudo isso", conta.

CUIDADOS TAMBÉM PODEM SER MENOS AGRESSIVOS

Outra adepta dos procedimentos estéticos é a designer de moda Magali Magalhães, de 60 anos, recém chegada entre as pessoas de meia-idade. De cinco anos para cá, inclusive em 2020, ela também fez uma série de mudanças no visual, como botox, lifting e o sculptra. Sua mãe, que hoje tem 80 anos, foi quem a inspirou para entrar de cabeça no mundo das cirurgias plásticas.

Apesar de recorrer aos procedimentos, a designer afirma que não quer ter a mesma aparência que tinha durante a juventude. Segundo ela, o mais importante é levantar a autoestima e destacar-se entre as mulheres da sua idade. Tudo isso, no entanto, deve estar lado a lado com o bem-estar, sem abrir mão de ir ao médico para checar como anda a saúde.

Aos 60 anos, Magali Magalhães já fez muitos procedimentos estéticos.
Aos 60 anos, Magali Magalhães já fez muitos procedimentos estéticos. Crédito: Reprodução/Arquivo Pessoal

"Não sou uma das mulheres mais vaidosas do mundo, mas acho que eu estou bem dentro da minha faixa etária. É importante a pessoa se arrumar, pra chegar com mais segurança em qualquer ambiente, e, claro, ouvir elogios. Não quero ser nenhuma menininha, não gosto disso, só que também mereço me sentir bonita", conta. 

Antes de adotarem os métodos mais agressivos, Magali aconselha que mulheres também procurem outros tratamentos mais naturais, que podem ser indicados por um dermatologista. "Também dá para se amar fazendo uma limpeza de pele, um relaxamento no SPA, entre tantas outras opções. Quem nunca sentiu um 'upgrade' só fazendo a unha, por exemplo?", questiona a designer.

QUAIS SÃO OS RISCOS?

Um dos principais responsáveis por essas plásticas na Grande Vitória, o cirurgião Humberto Pinto aponta que os procedimentos mais comuns são rejuvenescimento facial, abdominoplastia (no abdômen), lipoaspiração e levantamento de mama entre as mulheres.

Nesta fase da vida, segundo ele, o ideal é que as cirurgias sejam feitas o mais cedo possível, para acelerar a recuperação do indivíduo. Mas o médico garante que a idade não é nenhum contra indicativo, especialmente se o período pré-cirúrgico for acompanhado de uma alimentação equilibrada e uma rotina diária de exercícios. "Todos os riscos desses procedimento variam de pessoa para pessoa, então não tem algo a ver especificamente com a idade", esclarece. 

Humberto aponta, ainda, que não são apenas as mulheres que procuram por esses procedimentos. Mesmo que em menor número, os homens também marcam presença nos consultórios. "Certa vez, atendi um senhor de 80 anos que queria aumentar o volume do bumbum. Fez um preenchimento de glúteo e saiu super contente, com a autoestima lá em cima", relembra.

Pelos relatos dos seus pacientes, o médico conta que o momento pode ser de renovação na vida de muitas pessoas. "Com as cirurgias, esses indivíduos conseguem sair da caixinha, ter uma vida conjugal e social mais intensa apenas por se acharem mais bonitos. Saem de casa usando um short, uma mini blusa, coisa que seria inimaginável há alguns anos no cotidiano dessas pesssoas".

*Maria Fernanda Conti é residente do 23º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob a supervisão da editora Mariana Perini.

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