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Risco de crime ambiental

Ufes em Goiabeiras inicia obra de saneamento após anos de problemas com esgoto

O orçamento total das intervenções é de R$ 16,5 milhões, e a previsão é que as obras sejam concluídas em dois anos

Publicado em 06 de Janeiro de 2026 às 14:23

Gabriela Maia

Publicado em 

06 jan 2026 às 14:23
Após anos sem solução para um problema antigo na rede de esgoto, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) deu início às obras de saneamento básico no campus de Goiabeiras, com mudanças nas redes de água, drenagem e esgoto. As intervenções estão orçadas em R$ 16.554.695,40 — recursos da bancada federal —, com previsão de conclusão em dois anos. Os trabalhos começaram em 19 de dezembro de 2025.
Há anos a universidade enfrenta problemas decorrentes de irregularidades no descarte de resíduos do Restaurante Universitário (RU). A situação está relacionada ao sistema de fossa com filtro biológico implantado na instituição desde 1954. Esse sistema lança os resíduos na lagoa da universidade após o tratamento.
Data: 26/11/2019 - ES - Vitória - Lagoa da UFES - Editoria: Cidades - Foto: Fernando Madeira - GZ
Lagoa da Ufes  Crédito: Fernando Madeira -  26/11/2019
De acordo com o superintendente de Infraestrutura da Ufes, Diego Alves, o sistema de fossa com filtro era a tecnologia padrão, aceita pelos órgãos ambientais e adequada para uma população acadêmica pequena e dispersa. “No entanto, com o adensamento do campus e as novas normas ambientais, o sistema de fossas se tornou um desafio logístico, ecológico e sanitário. A necessidade de manutenção é constante”, explicou.
Ufes em Goiabeiras inicia obra de saneamento após anos de problemas com esgoto

Problemas com a estrutura

As irregularidades começaram a ser investigadas em 2019, após o Departamento de Gestão dos Restaurantes identificar a necessidade da manutenção do sistema e da aquisição de uma caixa de gordura. Um relatório identificou que o sistema já apresentava problemas desde 2018, especialmente no escoamento da água utilizada na produção de alimentos, como pias e ralos.
O departamento reforçou a necessidade de realizar uma adequação que fosse compatível com o aumento no número de alunos servidos pelo RU, nos últimos anos. O atendimento passou de cerca de 600 refeições diárias entre 2004 e 2007 para, aproximadamente, 4 mil refeições por dia em 2019.
Em outro relatório, feito em 2021, a Ufes constatou que a estrutura antiga não apresentava boas condições, resultando diretamente em impactos ambientais, como a poluição da Lagoa da Ufes, risco de contaminação dos lençóis freáticos e até possíveis danos à fauna e à flora do manguezal.
Essas informações foram apontadas por um relatório feito por técnicos da universidade que afirmaram que “o sistema fossa-filtro é utilizado de maneira extensiva no campus de Goiabeiras como única solução para o tratamento de efluentes, sem desinfecção e sem qualquer tipo de licença, controle ou monitoramento". O relatório acrescenta que os mesmos problemas possivelmente ocorrem nas demais edificações do campus.
O documento também destaca que “a reabertura do RU sem que a questão da destinação correta dos efluentes seja resolvida resultará no risco de cometimento de crime ambiental, conforme disposto na Lei Federal nº 9605”.
O reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, destacou que a obra era uma reivindicação antiga e demorou a ser realizada. “O resultado ambiental é extremamente importante, mas também tem o resultado social, pois as coisas estão conectadas. É uma obra que já deveria ter sido feita há 40 anos e só agora conseguimos recursos para viabilizá-la, porque é complexa e envolve uma grande quantidade de recursos. Agora, os nossos resíduos terão destinação própria”, comemora.
A vice-reitora Sonia Lopes pontuou a importância da construção da nova rede de saneamento para a instituição de ensino. “Trata-se de uma universidade, o conhecimento que nós temos aqui precisa ser materializado na própria instituição. Ter uma universidade que não tem rede de saneamento enquanto produz conhecimento de excelência é uma contradição muito grande.”

Ufes x Prefeitura de Vitória

A cidade universitária em Goiabeiras não está ligada à rede de esgoto do município de Vitória. Diante da inadequação, a prefeitura notificou a universidade e lavrou um auto de infração. Como não havia a interligação, a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) não era responsável pelo tratamento sanitário da Ufes.
Em 2013, a Cesan doou à Ufes um projeto de implantação de coleta de esgoto no campus, no valor de R$ 43.560, para a implantação da coleta de esgoto, entretanto, nenhuma obra foi realizada pela universidade à época.

Linha do tempo do caso

2013 - A Cesan doou um projeto para implantação da coleta de esgoto no campus;
2018 - A Ufes identificou problemas e realizou reparo na bomba responsável pelo escoamento da água do RU;
2019 - A universidade foi notificada pela Prefeitura de Vitória e recebeu auto de infração por não estar ligada à rede de esgoto;
2021 - Relatório técnico apontou risco ambiental e possibilidade de crime ambiental;
2021 - A Ufes solicitou apoio da Cesan para revisar o projeto;
2025 - Início das obras de saneamento do Restaurante Universitário.

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