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Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 11:37
O cabo da Polícia MIlitar Mariusom Marianelli Jacintho, de 35 anos, agredido com uma barra de ferro em um posto de combustíveis, em Vila Velha, morreu neste sábado (3), em decorrência dos ferimentos. A informação foi confirmada à reportagem de A Gazeta pelo cabo Jackson Eugenio, presidente da Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (Aspra).>
O ataque aconteceu no dia 26. Desde então, o cabo estava internado no Hospital São Lucas, com quadro considerado crítico. Segundo o comandante-geral, Douglas Caus, o militar teve traumatismo craniano e apresentava edema cerebral.>
Mariusom trabalhava no Quartel da PM em Maruípe, na Capital capixaba. Ele fazia parte da corporação há 11 anos e era formado em Direito e em Letras, além de ter pós-graduações. Colegas de farda descreviam o cabo como "uma pessoa extremamente prestativa e profissional". >
O suspeito das agressões, identificado como Kennedy Thaumaturgo Rocha Junior, de 51 anos, foi preso na tarde de domingo (28). Antes disso, enquanto Kennedy ainda era procurado pela polícia, a Associação das Praças da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militares do Espírito Santo (Aspra-ES) chegou a anunciar uma recompensa de R$ 10 mil para quem fornecesse informações que auxiliassem a encontrar o agressor.>
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A delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), disse que, inicialmente, o suspeito tentou deixar a Grande Vitória após o crime, porém, depois decidiu se entregar. Ele foi encaminhado ao presídio de Viana, também na Grande Vitória, após prestar depoimento. O mandado de prisão contra ele é pelo crime de tentativa de homicídio.>
A agressão ocorreu na tarde de sexta-feira (26), em um posto de combustíveis no bairro Itaparica, em Vila Velha. A discussão teria começado após o policial ter urinado na grama, ao lado do posto. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o policial é atingido e cai desacordado.>
No vídeo, o policial aparece em um carro preto discutindo com pessoas próximas a um contêiner. Em determinado momento, um dos envolvidos pega a barra, avança e atinge o militar, que tenta se defender. Na sequência, o agressor desfere outro golpe, desta vez diretamente na cabeça da vítima, que cai no chão. Após isso, outras pessoas entram na confusão, até que uma mulher que estava dentro do carro do policial desce armada, momento em que a briga termina.>
O homem que aparece correndo e dando um chute no policial foi localizado em casa, levado à delegacia, ouvido como testemunha e liberado. Ele é filho do agressor.>
Nota enviada pela defesa de Kennedy no dia da agressão
"Antes de qualquer consideração jurídica, Kennedy manifesta que está, acima de tudo, consternado e entristecido com todo o acontecimento e em oração, junto de sua família e amigos, pela vida e pela plena recuperação de Mariusom, bem como em solidariedade aos seus familiares. Esse é o ponto central e o que verdadeiramente importa neste momento, a preservação da vida e o respeito a entidade familiar.
Trata-se de um episódio profundamente lamentável e absolutamente excepcional, que não representa sua história, seus valores ou sua conduta habitual. Kennedy é publicamente conhecido como admirador e defensor das forças policiais, especialmente da Polícia Militar. No momento dos acontecimentos, não tinha conhecimento de que Mariusom era policial militar, o que reforça o caráter absolutamente fortuito do ocorrido.
Independentemente dessa circunstância, na data dos fatos, Kennedy encontrava-se em seu local de trabalho, exercendo normalmente suas atividades, quando Mariusom chegou ao local em um veículo, acompanhado de sua esposa e de uma terceira pessoa. Segundo relatos, Mariusom aparentava estar sob efeito de álcool, circunstância que contribuiu para a alteração do ambiente e para o acirramento dos ânimos. Nenhuma das partes saiu de casa com a intenção de discutir, agredir ou causar qualquer dano grave.
O episódio teve início após Mariusom urinar em local público, sendo inicialmente repreendido por um gerente de um lava-jato do local. Kennedy não presenciou essa primeira abordagem, mas interveio ao perceber que uma senhora poderia ter sido exposta à cena, o que acabou desencadeando uma discussão verbal ríspida e intensa, com fortes provocações e uso de palavras de baixo calão, tudo registrado por áudio pelas câmeras de videomonitoramento do local.
Em seu relato, Kennedy esclarece que não utilizou uma barra de ferro, mas sim um cano de PVC com base de concreto, utilizado rotineiramente para organização do estacionamento, que se encontrava ao seu alcance imediato naquele momento. O objeto foi utilizado com o intuito exclusivo de intimidar e afastar Mariusom do local, para que a situação se encerrasse.
Segundo afirma, no momento em que se aproximou, Mariusom afirmou: “VOCÊ QUER MORRER?" e mencionou a busca de uma arma no interior do veículo ao afirmar “CADÊ MINHA ARMA?" e se abaixou levemente para o interior do veículo, circunstância que gerou temor real e levou Kennedy a desferir dois golpes com a finalidade de imobilização, jamais com intenção de matar.
Kennedy ressalta que as agressões cessaram imediatamente no instante em que percebeu que Mariusom havia sido lesionado e neutralizado para lhe agredir, sem qualquer continuidade ou excesso, o que demonstra que não houve, em nenhum momento, intenção de causar a morte. Posteriormente aos fatos, constatou-se que de fato havia uma arma no interior do veículo, a qual foi empunhada pela esposa de Mariusom logo após o ocorrido, confirmando que a menção à arma não era infundada e explicando o estado de medo e tensão vivenciado naquele momento.
Após cessada a ação, Kennedy relata ainda ter sido agredido com uma coronhada de arma de fogo por uma terceira pessoa, que teria intervindo em defesa de Mariusom, encerrando-se ali o episódio. Importante registrar que foi o próprio Kennedy quem, imediatamente após os fatos, arrependido pela lesão que causou, procurou e acionou a Guarda Municipal, com a finalidade de prestar socorro à vítima e prezar pela segurança do local. Contudo, ao chegar o apoio, Mariusom já havia deixado o local, pois foi socorrido e transportado por meios próprios a um hospital.
Kennedy está à disposição da Justiça, cumprirá integralmente todas as determinações do Poder Judiciário e continuará colaborando com as investigações para o completo esclarecimento dos fatos. A apresentação não imediata, porém espontânea, decorreu de medo, desorientação emocional e desconhecimento jurídico, sobretudo por temer linchamento ou atentados diante da gravidade do estado de saúde de Mariusom, situação não esperada por Kennedy, sem qualquer intenção de se furtar à aplicação da lei.
Por fim, Kennedy reafirma que segue em oração, com sentimento genuíno e sincero, sobretudo pela vida e pelo pronto restabelecimento da saúde de Mariusom e solidariedade aos seus familiares."
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