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Polilaminina

Anvisa libera estudo com medicamento para lesões na medula aplicado em capixaba

Estudo de fase 1 vai avaliar a segurança da polilaminina, aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal em pacientes com trauma recente
Agência Brasil

Publicado em 

06 jan 2026 às 06:14

Publicado em 06 de Janeiro de 2026 às 06:14

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo, que é uma lesão da medula espinhal ou coluna vertebral. No último mês de dezembro, o capixaba Luiz Fernando Mozer, colorimetrista e pintor automotivo, morador da cidade de Iconha, no Sul do Espírito Santo, que perdeu os movimentos das pernas em um acidente de motocross, recebeu uma dose do remédio após uma decisão judicial.
No anúncio feito, nesta segunda (5), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a pesquisa será um marco importante para quem sofreu uma lesão medular e também para as suas famílias. “Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse Padilha.

Pesquisa em universidade pública

O ministro considera que o produto é uma inovação radical e com tecnologia 100% nacional. Os estudos com polilaminina são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.
Segundo Padilha, a pesquisa já apresentou resultados promissores na recuperação de movimentos. Nesta primeira fase, o estudo da polilaminina será realizado em cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10.
Essas pessoas incluídas no estudo devem ter indicação cirúrgica ocorrida a menos de 72 horas da lesão. Os locais de realização ainda serão definidos pela empresa responsável.  Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu os recursos para a pesquisa básica.

Prioridade

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a aprovação do início do estudo clínico da polilaminina foi priorizada pelo comitê de inovação da agência com o objetivo de acelerar pesquisas e registros de amplo interesse público.
“Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou Leandro Safatle.
A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, visa avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.
A empresa patrocinadora será responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes.

Capixaba recebeu medicamento

O capixaba  Luiz Fernando Mozer recebeu o medicamento após sofrer uma lesão contundente na coluna e na medula. Em entrevista para A Gazeta em dezembro,  o médico Olavo Borges Franco, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contou que  o caso de Luiz é o mais grave entre todos os já atendidos pelo grupo de pesquisadores. 
Menos de 48 horas após ter recebido uma dose de polilaminina na região da coluna, injetada depois de uma ordem judicial, Luiz demonstrou estar retomando a sensibilidade em partes dos membros inferiores, segundo a equipe médica que o acompanha na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro do Itapemirim, em uma ala do SUS (Sistema Único de Saúde).

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