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Ciclista morre após ser atropelado por ônibus do Transcol em Vitória

Pedro Paulo Alves foi atingido quando acessava a ponte Florentino Avidos. O motorista do ônibus foi ouvido pela polícia logo após o acidente e liberado. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Delitos de Trânsito.

Vitória
Publicado em 27/12/2020 às 18h44
Atualizado em 28/12/2020 às 12h09
Ponte Florentino Avidos
Acidente aconteceu quando o ciclista acessava a Ponte Florentino Avidos. Crédito: Carlos Alberto Silva

O ciclista Pedro Paulo Alves morreu na tarde deste domingo (27) após ser atropelado por um ônibus do Sistema Transcol quando acessava a Ponte Florentino Avidos, mais conhecida como Cinco Pontes. Amigos do ciclista confirmaram a identificação da vítima após a publicação da matéria em A Gazeta

Próximo à rodoviária de Vitória
Ciclista morre em acidente em Vitória. Crédito: Redes sociais

Demandado pela reportagem de A Gazeta, o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), informou que a empresa responsável pelo ônibus da linha 502 lamenta o ocorrido. Veja abaixo a nota na íntegra

"A empresa responsável pelo ônibus da linha 502 lamenta o ocorrido e informou que o acidente aconteceu na tarde deste domingo (27) quando o coletivo seguia em direção à Cinco Pontes, no sentido São Torquato, em Vila Velha. Segundo o motorista, o ciclista pedalava na pista destinada aos veículos automotores quando se desequilibrou, caiu debaixo do ônibus e veio à óbito. No local, existe uma calçada compartilhada para pedestres e bicicletas. Informações preliminares dão conta de que o ciclista ainda usava fones de ouvido - que pode ter gerado distração - e uma sapatilha que teria impulsionado a queda. O boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil."

Procurada para falar sobre o acidente, a Secretaria de Segurança Urbana de Vitória (Semsu) respondeu por volta das 19h30, que a Guarda Municipal faz o patrulhamento preventivo na região em apoio ao trabalho realizado pela Polícia Militar, e que esta ocorrência foi atendida pelo Batalhão de Trânsito da PM. A Polícia Militar foi questionada sobre as informações oficiais da ocorrência, mas até a publicação da matéria não havia respondido. 

Já a  Polícia Civil informou que, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro, quando o condutor presta socorro à vítima, não se pode aplicar uma prisão em flagrante. O condutor do ônibus foi conduzido à Delegacia Regional de Vitória, onde prestou esclarecimentos e foi liberado. O caso foi encaminhado para Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT), que está realizando diligências e oitivas de testemunhas. Outras informações não serão passadas, por enquanto, para não interferir na apuração do fato. Todas as medidas legais foram adotadas e estão tramitando dentro do prazo legal.

"DESRESPEITO", DIZ CICLOATIVISTA

Para o cicloativista Fernando Braga, um dos fundadores da União dos Ciclistas do Brasil, entidade que clama por políticas públicas sobre mobilidade urbana, o ocorrido não se tratou de um mero acidente, mas de um desrespeito a quem sempre andou de bicicleta. "Pedro pedalava 200 km por dia, fazia trilha. O que houve foi um assassinato, um desrespeito. Certamente esse motorista não reduziu a velocidade, muito menos mudou de faixa, como prevê a lei, deixando 1,50m de distância. Fico muito triste, além de tudo era uma pessoa extremamente querida", desabafou.

Segundo Braga, a vítima era um apaixonado por bicicleta, que inclusive se tornou mecânico de bicicletas. "Mesmo assim foi mais uma vítima. A gente não pode banalizar o que ocorreu. queremos redução da velocidade, educar quem mata e não quem morre. A bicicleta é um veículo. Se querem que transite pela passarela, que sinalizem adequadamente, porque nem isso tem ali. Eu passei no local por 30 anos, todos os dias. A questão não foi o ciclista ter estado no lugar errado, em nenhum momento a responsabilidade era do mais frágil", concluiu.

Pedro Paulo foi atingido por um ônibus do Transcol em Vitória
Grupos de ciclistas prestam homenagens a Pedro Paulo. Crédito: Redes sociais

"TRAGÉDIA"

Para Marcos Paulo Silva Duarte, presidente da Federação Espírito Santense de Ciclismo (FESC), o que houve foi uma verdadeira tragédia, que emociona a todos pela pessoa que foi Pedro Paulo. "Ele era uma pessoa muito boa, eu o conheci há 10 anos e já participamos de vários eventos juntos. Ele era sensacional, uma pessoa maravilhosa. Começou como lavador de bike na casa dele e depois passou para uma loja e se tornou mecânico. Participava de vários grupos, era muito querido", iniciou.

A respeito do ocorrido, Duarte comenta que não será, infelizmente, o último episódio do gênero. "Vivemos uma disputa no trânsito. Eu não sei exatamente o que aconteceu, mesmo tendo ido ao local do acidente. Mas ali é um lugar perigoso, já houve até latrocínio, então precisa de um tratamento mais adequado para trazer segurança para os ciclistas, já que muitos passam ali. Creio que agora com as reformas do Portal do Príncipe isso mude. A gente tem a segurança pública e viária precárias no local, havendo risco de assalto e risco de acidente, por disputa de espaço com veículos", disse.

AMIGOS DE CICLISTA LAMENTAM 

André Anselmo Rosa Machado Junior, de 25 anos, assistente administrativo que costumava pedalar em companhia da vítima, relatou que esteve no local do acidente após ter sido informado do acontecido e diz que chegou a conversar com policiais militares no local.

"Conheci ele de alguns pedais que fizemos juntos. Na verdade, o que soube é que o Pedro estava à frente do ônibus e o veículo foi passar por ele. O Código de Trânsito diz que os veículos automotores têm responsabilidade sobre os ciclistas, devem passar a 1,5m da gente. E o que houve é que a bicicleta nem sequer foi impactada, apenas passaram em cima da cabeça dele. Não sou perito, mas o ônibus passou rápido, Pedro pode ter se assustado com o vácuo causado e acabou se desequilibrando", disse.

Segundo André, Pedro Paulo era um ciclista experiente. "Ele deve ter tomado um vácuo e caiu, tudo isso porque o espaçamento não foi respeitado, o ônibus poderia ter esperado ele terminar de passar a ponte, poderia ter salvado aquela vida, isso poderia ter sido evitado. É triste, foi mais um amigo que a gente perdeu. E independente de ser local para bike ou não, o distanciamento deveria ter sido respeitado. Inclusive ele já havia perdido um parente em um acidente um ano atrás, que foi atingido por uma bobina", lamentou.

Outro colega do ciclista morto, que preferiu não se identificar, afirmou que é complicado falar sobre o acontecido, por não ter visto no momento em que ocorreu. "Não sabemos de fato como tudo ocorreu, porém vi na matéria de A Gazeta que foi citado o fato de ter um local próprio para ciclistas e pedestres passarem. Porém, nós não passamos nessa parte devido ao risco de sermos assaltados.  Lembro de um ciclista que fez isso e foi morto por um assaltante há pouco tempo atrás. Então se passamos em cima, somos assaltados, se passamos embaixo, corremos risco com os carros. Ele era experiente, tenho quase certeza que ele não cometeria uma falha ali em cima da ponte", afirmou.

Atualização

27 de Dezembro de 2020 às 22:02

Amigos do ciclista confirmaram a identificação da vítima após a publicação da matéria. Demandada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Urbana de Vitória (Semsu) respondeu após a publicação da matéria. As falas do cicloativista Fernando Braga, um dos fundadores da União dos Ciclistas do Brasil, e do Marcos Paulo Silva Duarte, presidente da Federação Espírito Santense de Ciclismo (FESC), foram inseridas. O texto foi atualizado.

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