Quase metade do secretariado que atualmente integra o governo do Espírito Santo definiu data para deixar suas respectivas pastas visando à participação nas eleições deste ano. Alguns desses nomes, inclusive, já tiveram substitutos oficialmente anunciados pelo Executivo estadual.
Conforme mostrou reportagem publicada por A Gazeta em 14 de janeiro, ao menos 13 chefes de secretarias estavam cotados para disputar vagas na Assembleia Legislativa (Ales) ou na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Os pretensos candidatos a cargos eletivos têm até o próximo sábado (4) – seis meses antes do primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro – para deixar o comando das pastas, segundo determina o regramento eleitoral. Por isso, a mudança no secretariado no Executivo estadual segue a todo vapor desde a última semana.
À frente de uma das principais pastas do governo desde 2019, Vitor de Angelo está deixando a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) para sua primeira experiência nas urnas. Ele é pré-candidato a deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), mesma legenda do governador Renato Casagrande, que também deixa o posto na próxima quinta-feira (2), em busca de uma vaga no Senado.
No caso da Sedu, quem assume o comando da pasta em substituição a Vitor de Angelo é a pedagoga Andréa Guzzo. A mudança foi divulgada na segunda-feira (30) pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). O emedebista assume o Palácio Anchieta também na próxima quinta-feira (2), em razão da saída de Casagrande.
Outra pasta com mudança consolidada em função de projeto eleitoral de seu secretário é a de Saúde (Sesa). Tyago Hoffmann deixa o posto nesta terça-feira (31). Ele é pré-candidato a deputado federal pelo PSB. Com sua saída, quem assume o comando é Kim Barbosa, subsecretário de Regulação do Acesso em Saúde.
Na Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), Enio Bergoli – cujo partido de destino, após saída do PSDB, ainda não foi definido –deixará o comando da pasta para buscar vaga de deputado federal no Congresso Nacional. Em seu lugar, entra Carlos Luiz Tesch Xavier, então subsecretário para Assuntos Administrativos.
O governo também já conta com mudanças nas secretarias de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) e das Mulheres. Na Sedates, a assistente social Fernanda Mota Gonçallo foi anunciada, na segunda-feira (30), como substituta de Cyntia Grillo à frente da pasta. Filiada ao Podemos, Cyntia deverá tentar vaga de deputada estadual nas eleições.
A Secretaria de Estado das Mulheres, por sua vez, será comandada pela psicóloga Fabiana Malheiros. A atual subsecretária da pasta substitui Jacqueline Moraes (PSB), que deixa o cargo em busca de vaga de deputada estadual no Legislativo capixaba.
Apesar de ainda não terem seus substitutos definidos, outros secretários do governo capixaba estão às vésperas de deixar seus postos em função do pleito eleitoral. Bruno Lamas (PSB) deverá ter sua saída da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) publicada na edição do Diário Oficial do Espírito Santo na próxima quinta-feira (2), segundo confirmado à reportagem pelo próprio secretário, que tentará vaga de deputado estadual na Ales.
Além de Bruno Lamas, quem também deverá deixar o cargo de secretário, na quinta-feira (2), é Felipe Rigoni (PSB). À frente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Rigoni vai tentar vaga de deputado federal nas eleições. O Executivo estadual ainda não anunciou o substituto do socialista na Seama.
Há a expectativa de que o atual secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, tenha saída da pasta comunicada pelo governo nesta terça-feira (31). Ele é cotado para uma vaga de deputado estadual pelo PSB.
Victor Coelho (PSB), ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e atual secretário de Turismo no governo Casagrande, deverá deixar o cargo na próxima quinta (2), conforme informou sua assessoria, para iniciar a pré-candidatura a deputado estadual.
Os demais secretários cotados para disputar as eleições deste ano foram procurados para mais informações sobre a data que deverão deixar seus postos. Em caso de reposta, este texto seguirá sendo atualizado.
Em janeiro deste ano, A Gazeta havia confirmado 10 pré-candidaturas de nomes à frente de secretarias no governo casagrandista. À época, a confirmação foi feita via dirigentes partidários, assessorias de imprensa e diretamente com alguns dos chefes de pastas.
Na ocasião, outros três secretários eram apontados como potenciais candidatos, mas estavam sem vínculo partidário. Um deles, Fabrício Noronha, secretário de Cultura, também figurava entre os cotados, porém somente no campo da especulação.
Veja quem são os secretários que devem para concorrer nas eleições 2026:
Outros pré-candidatos com saída confirmada
A proximidade do prazo final para que ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem para participar da corrida eleitoral deste ano também está promovendo mudanças em diretorias.
O ex-deputado estadual José Eustáquio de Freitas, diretor-presidente do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), pré-candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PSB, deverá ter exoneração confirmada em edição do Diário Oficial do Estado na próxima sexta-feira (3).
O diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, vai deixar o cargo para ser candidato a deputado estadual pelo PSB. A expectativa é que tenha saída oficializada na próxima quinta-feira (2).
'Projeção política e reforço de candidaturas', avalia especialista
O cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que o movimento de gestores públicos em direção às urnas reflete uma tendência eleitoral em que experiência de gestão e projeção política se combinam para fortalecer candidaturas proporcionais.
Prando destaca que o perfil de quem ocupa cargos de confiança — como secretários estaduais — muitas vezes combina elementos técnicos e políticos, o que pode explicar parte da estratégia observada no Espírito Santo.
O melhor dos perfis é aquele que conjuga técnica e trânsito político. Quando encontra esse ator com capacidade técnica de gestão e trânsito político, você tem esse fenômeno que se observa no Espírito Santo
Prando ressalta que a presença de nomes do secretariado em chapas proporcionais também pode ser vista como uma resposta dos partidos à necessidade de construir quadros competitivos e reconhecíveis pelo eleitor, aproveitando a visibilidade obtida na administração pública para tentar traduzir essa experiência em votos nas eleições legislativas.