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STJ vai investigar suspeita de interferência de Macário em licitação no ES

STJ vai investigar suspeita de interferência de Macário em licitação no ES

Pedido para caso ser avaliado foi feito pela Polícia Federal dentro do inquérito Unha e Carne, que apura vazamento de informações sigilosas de operações policiais do Rio de Janeiro

Publicado em 27 de março de 2026 às 20:51

Macário Júdice Neto, desembargador federal
Macário Júdice Neto, desembargador federal Crédito: Redes Sociais

Uma investigação sobre suposta rede de influências em licitação no Espírito Santo será conduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso tem como alvo principal o desembargador capixaba Macário Júdice Neto (TRF-2), preso no Rio de Janeiro devido à suspeita de vazar informações sigilosas de operações policiais.

A suposta interferência em um pregão eletrônico aparece em relatório sobre as conversas mantidas por Macário e o empresário Adilson Ferreira, indiciado pela Polícia Civil do Espírito Santo sob suspeita de atuar como o "braço financeiro" da facção Primeiro Comando de Vitória.

No documento da PF enviado a Moraes, a corporação aponta que o desembargador teria atuado para atender aos interesses de Adilson, dono da Unique Serviços e Transporte Ltda., que disputava um contrato estimado em R$ 10,5 milhões para fornecimento de climatizadores para a Secretaria de Educação (Sedu) do governo do Espírito Santo.

A empresa ganhou a concorrência, mas foi desclassificada pela comissão de licitação do órgão comprador. Após recorrer, o caso foi analisado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que manteve a exclusão do certame por inconsistência técnica. Segundo a PF, Macário teria se colocado como “ponte entre o setor privado e o seio da administração pública”.

"Restou evidenciado que Macário se vale de uma complexa rede de influências, tanto de natureza pessoal quanto profissional, utilizando seu prestígio funcional e trânsito junto a agentes do Estado para monitorar, acelerar e influenciar o desfecho de procedimentos licitatórios de interesse direto de Adilson e seus parceiros comerciais, notadamente em certames da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e em trâmites perante a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/ES)", diz trecho do relatório da PF.

A PGE afirma que o processo transcorreu de forma estritamente legal e resultou na validação da desclassificação da empresa na licitação da Sedu por estar inapta tecnicamente. Segundo o órgão, “os mecanismos de controle funcionaram plenamente e qualquer eventual tentativa espúria de interferência foi frustrada pela própria PGE.”

Troca de mensagens

As conversas entre Macário e Adilson foram descobertas por outra investigação, a Operação Baest, conduzida pela Polícia Civil do Espírito Santo.

O caso será investigado pelo STJ por não ter relação direta com a Operação Unha e Carne, que trouxe à tona o suposto envolvimento do desembargador com o ex-deputado Rodrigo Bacellar que culminou no vazamento da Operação Zargun (RJ), deflagrada contra o ex-deputado estadual fluminense TH Joias, apontado como operador político e financeiro do Comando Vermelho.

Macário, que estava detido desde dezembro, teve a prisão preventiva decretada em março, após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O que dizem as defesas

O advogado Douglas Luz, que representa Adilson, disse que os diálogos "não têm qualquer cunho de ilegalidade". 

Já a Sedu afirmou que todo processo licitatório "passa por rigorosos mecanismos de controle interno e que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos". A PGE disse que rejeitou os recursos administrativos da empresa para a qual, segundo a PF, o juiz estava atuando em favor.

A reportagem tenta contato com a defesa do Macário sobre o envio do caso para o STJ. 

Com informações da FolhaPress

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