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Rodney Miranda lidera caça a "serial killer" que já dura 10 dias em Goiás

À frente da Secretaria de Segurança de Goiás, o ex-secretário do ES comanda uma operação que envolve mais de 200 policiais que há mais de uma semana tentam prender o suspeito de cometer uma série de crimes

Vitória
Publicado em 18/06/2021 às 20h28
Atualizado em 18/06/2021 às 22h10
Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública, deve deixar cargo após desgastes
Rodney Miranda é secretário de Segurança Pública de Goiás. Crédito: comunicação/ssp-go

As buscas pelo "serial killer" Lázaro Barbosa, de 32 anos, já duram 10 dias. Apontado como autor de uma chacina em Ceilândia, no Distrito Federal, o criminoso tem conseguido driblar mais de 200 policiais que trabalham em uma força-tarefa para prendê-lo.

A caçada é liderada pelo secretário de Segurança de Goiás, Rodney Miranda, que também já comandou a pasta no Espírito Santo. Ele esteve à frente da secretaria durante os dois primeiros mandatos do ex-governador Paulo Hartung. Rodney era conhecido por ser um secretário operacional, que acompanhava operações da polícia na rua. 

No comando do grupo que persegue o "serial killer" pelo Centro-Oeste brasileiro, Rodney conta com uma força de segurança que envolve policiais de Goiás e do Distrito Federal, cães farejadores e helicópteros.

O secretário garante que o cerco está se fechando e que Lázaro vai ser preso. No entanto, nas tentativas feitas pela polícia até o momento, o criminoso conseguiu escapar. A última delas aconteceu na tarde de quinta-feira (17), após uma denúncia de que o criminoso estaria na zona rural de Cocalzinho, em Goiás. Policiais fecharam a região e chegaram a trocar tiros com o suspeito, que fugiu para o matagal.

A dificuldade em capturar o serial killer virou motivo de piada na internet e atrito entre políticos. Nesta semana, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que o fugitivo vem fazendo a polícia “quase de boba". O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rebateu e disse ter orgulho dos policiais goianos.

Rodney Miranda, por sua vez, disse, em entrevista coletiva na última quinta-feira, que a polícia está avançando. O secretário conta com o desgaste do criminoso para realizar a prisão. De acordo com ele, Lázaro tem cometido erros e, provavelmente, está baleado, o que favorece o trabalho das forças de segurança. 

O Ministério da Justiça chegou a oferecer ajuda da Força Nacional, mas Rodney afirmou, nesta sexta, que os homens não foram enviados.

Lázaro é procurado após ter matado família no Distrito Federal
Lázaro Barbosa é procurado após ter matado família no Distrito Federal . Crédito: Divulgação

Apesar de a perseguição a Lázaro Barbosa ter começado no dia 09 de junho, quando ele teria assassinado quatro pessoas no Distrito Federal, ele carrega uma longa ficha criminal. Em 2007, foi preso na Bahia acusado de matar duas pessoas, mas conseguiu fugir da prisão.

Ao longo dos últimos anos, o "serial killer" foi levado para o presídio três vezes, mas sempre fugiu. Além de assassinatos, ele é acusado de cometer estupros e roubos.  

RODNEY MIRANDA, O SECRETÁRIO QUE LIDERA AS BUSCAS

Delegado aposentado da Polícia Federal, Rodney Miranda foi secretário de Segurança durante os dois primeiros mandatos do ex-governador Paulo Hartung (2003-2010). Na época, ficou conhecido pela atuação in loco, ou seja, na rua, estando presente em operações realizadas pela pasta que comandava. O secretário chegou a ser apelidado de "Rambo".

Na política, a pauta de segurança foi carro-chefe de Rodney, que se elegeu a deputado estadual e prefeito de Vila Velha. Ele governou a cidade entre 2013 e 2016. Não conseguiu se reeleger.

Durante a atuação na secretaria de Segurança do Espírito Santo, esteve no centro de uma denúncia sobre grampo ilegal, em 2005, que envolvia a Rede Gazeta. A empresa denunciou que uma das linhas da central telefônica, utilizada por jornalistas para entrevistar fontes, estava grampeada. 

Naquele ano, todas as conversas mantidas por meio dessa linha foram gravadas, transcritas e anexadas ao processo que apurava as circunstâncias da morte do juiz Alexandre Martins, assassinado dois anos antes. Na época, Rodney disse que todos os grampos foram autorizados pela Justiça, mas que a linha da empresa tinha sido grampeada por engano.

Rodney se envolveu em polêmica semelhante no ano passado, à frente da Secretaria de Segurança de Goiás. Ele chegou a pedir afastamento do cargo após ser acusado por Jorge Caiado, primo do governador Ronaldo Caiado, de grampear telefones de aliados do governo. O caso foi arquivado e o delegado aposentado voltou a comandar a pasta de segurança do governo, onde atua desde 2019.

CRONOLOGIA DAS BUSCAS

A caça a Lázaro Barbosa começou no dia 09 de junho, após invadir uma chácara e matar quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia, no Distrito Federal. Segundo a polícia, o pai e as crianças foram mortos dentro de casa e a mãe, sequestrada. 

No dia seguinte, o serial killer invadiu uma outra casa, há três quilômetros da chácara. No local, ainda segundo a polícia, Lázaro fez um casal refém e roubou celulares e dinheiro. 

As investigações apontam que, no dia 11 de junho, o criminoso deixou Ceilândia e seguiu para Cocalzinho, em Goiás, com um veículo roubado. Lá, ele incendiou um veículo com a ajuda de um comparsa.

No dia seguinte, 12 de junho, o corpo da mãe da família assassinada por Lázaro foi encontrado pela polícia. Na mesma tarde, o criminoso invadiu duas outras residências, baleou três homens e roubou armas de fogo. 

Uma outra casa foi invadida por Lázaro no dia 13 de junho, de acordo com a polícia. O local, contudo, estava vazio. Roubou um carro e chegou a trocar tiros com a polícia antes de fugir para um matagal. 

No dia 14 de junho, a polícia realizou o primeiro cerco, após o criminoso trocar tiros com fazendeiros em Edilândia. Na mesma região, ele fez um casal e a filha reféns no dia seguinte. Segundo Rodney Miranda, o objetivo era matar a família, seguindo o modus operandi do primeiro crime. Contudo, a menina conseguiu mandar uma mensagem para o celular de um policial, que foi até o local. Nesse dia, houve confronto com a polícia e um militar foi baleado. 

Na quarta-feira, 16 de junho, Lázaro foi visto na área rural e polícia foi acionada. Um novo cerco foi montado, mas o criminoso não foi localizado. No dia seguinte, o nono nas buscas pelo serial killer, a polícia continuava ocupando o local e aguardando reforço da Força Nacional. 

Até a noite desta sexta-feira, quando se completaram 10 dias de caça a Lázaro, o suspeito não havia sido encontrado. 

Correção

18 de Junho de 2021 às 22:10

Originalmente, este texto informava que o Ministério da Justiça havia disponibilizado homens da Força Nacional para auxiliar na caçada ao criminoso em Goiás. A reportagem foi atualizada com a informação do secretário Rodney Miranda de que, apesar da oferta, a ajuda não foi enviada pelo governo federal.

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