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Sequência de crimes

Lázaro, o "serial killer de Brasília", jamais poderia estar solto

É urgente que passemos a contar com uma legislação mais dura, que impeça criminosos como esse de permanecerem em liberdade

Publicado em 19 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

19 jun 2021 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas Eugênio Ricas
Lázaro é procurado após ter matado família no Distrito Federal
Lázaro é procurado após ter matado família no Distrito Federal Crédito: Divulgação
Nesta semana o Brasil foi aterrorizado pela frieza, crueldade e violência do baiano Lázaro Barbosa, de 32 anos. Após matar uma família inteira no Distrito Federal, o psicopata passou a ser conhecido como o “serial killer de Brasília”.
A sequência de crimes teve início no dia 09/06, quando Lázaro invadiu uma casa em Ceilândia/DF e matou o pai, de 48 anos, e seus dois filhos, de 21 e 15 anos de idade. Não satisfeito com a barbárie, Lázaro ainda sequestrou e matou a última integrante da família, cujo corpo foi encontrado no dia 12/06, sem roupas e com diversos cortes. Há indícios de que Lázaro seria, também, responsável pela morte de um caseiro em Cocalzinho, quatro dias antes do extermínio da família.
No dia 10/06, Lázaro invadiu outra casa, localizada a 3km de onde chacinou a família inteira. Lá, manteve em cativeiro a proprietária da chácara e seu caseiro. Agindo com violência e grave ameaça, Lázaro obrigou as vítimas a fumarem maconha e ainda subtraiu diversos bens.
Na fuga, Lázaro fez outro refém, roubou um veículo (ainda em Ceilândia) e se dirigiu a Cocalzinho/GO, onde abandonou e incendiou o carro roubado. No sábado, dia 12/06, o marginal roubou outro carro e invadiu outra chácara, onde baleou mais 3 vítimas. Também conseguiu roubar outras 2 armas de fogo.
A onda de crimes mobilizou um gigantesco efetivo policial. Cerca de 200 policiais, de todas as forças de segurança, iniciaram uma intensa caçada ao suspeito que, na noite de sábado, 12/06, chegou a ser localizado pela polícia. Infelizmente, no entanto, Lázaro ateou fogo em uma casa em Cocalzinho/GO e conseguiu fugir.
No domingo, dia 13/06, o bandido furtou outro automóvel e, segundo informações da imprensa, seu último paradeiro foi em Edilândia/GO, onde chegou a trocar tiros com o caseiro de uma chácara. Na tarde de terça-feira, dia 15/06, o maníaco fez novo refém e, ao ser cercado por policiais, acabou baleando dois agentes de segurança.
Apesar de ter se tornado nacionalmente famoso após o rastro de sangue e sofrimento deixado nos arredores do Distrito Federal, a ficha criminal de Lázaro é antiga (e extensa). Em 2007, o bandido matou dois trabalhadores rurais que tentaram proteger uma garota que era perseguida por Lázaro. Além desses homicídios, o serial killer também tem em seus antecedentes acusações de estupro, roubo, latrocínio e porte ilegal de arma de fogo. Em seu histórico, Lázaro também coleciona 3 fugas da prisão.
Após ser preso e submetido a exames criminológicos, em 2013, Lázaro foi diagnosticado como sendo portador de “agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade, instabilidade emocional, possibilidade de ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia”. Suas ações recentes corroboram o laudo assinado por 3 psicólogos.
Diante desse rastro de violência e morte, ao menos duas constatações merecem ser feitas. A primeira e mais óbvia é que um indivíduo com as características de Lázaro jamais poderia estar solto. É urgente que passemos a contar com uma legislação mais dura, que impeça criminosos como esse de permanecerem em liberdade.
A segunda constatação diz respeito ao trabalho em conjunto realizado pelas forças de segurança. Até o momento em que finalizei este artigo, Lázaro ainda não havia sido encontrado, mas é louvável o trabalho em conjunto realizado pelas polícias. Não é todo dia que vemos 200 policiais, de diferentes instituições, trabalhando com um único objetivo. E assim deve ser, sempre! Seja em sistema de força-tarefa, seja compartilhando informações, o combate ao crime será sempre mais bem sucedido quando realizado conjuntamente pelas várias forças de segurança de nosso país.

Eugênio Ricas

Eugênio Ricas Eugênio Ricas

É delegado de Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do ES e diretor de Controle Interno da Interpol

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