No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia de Covid-19, reconhecendo que a doença já havia se espalhado por vários continentes com transmissão sustentada entre as pessoas. Desde então, mais de 3,5 milhões de pessoas já morreram no mundo todo. No Brasil, já foram quase 500 mil pessoas que perderam suas vidas. É uma tragédia sem precedentes que, além das vidas ceifadas, tem comprometido a economia dos países.
Uma das perguntas que tem ocupado os cientistas diz respeito à origem do vírus. Durante a maior parte do tempo, muitos pesquisadores acreditaram que o vírus teria saído de um animal e contaminado um ser humano. A contaminação teria ocorrido, possivelmente, num mercado de Wuhan, na China, onde animais silvestres são consumidos pelos moradores locais.
Outros cientistas, no entanto, cogitavam a hipótese de que o vírus tivesse escapado acidentalmente do Instituto de Virologia de Wuhan. Na semana passada, aliás, o pesquisador Francis Collins, diretor do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, afirmou ao Senado americano que a hipótese de um acidente laboratorial não pode ser descartada.
Seguindo essa mesma linha, há cerca de três semanas, 18 cientistas escreveram uma carta ao Jornal da Ciência (jornal Science) falando sobre a necessidade de uma nova investigação sobre a origem do vírus, uma vez que ambas as hipóteses (transmissão animal para humano e vazamento laboratorial) eram viáveis.
Outros três cientistas que inicialmente descartaram a hipótese do vazamento laboratorial defendendo, inclusive, se tratar de “teoria da conspiração”, afirmaram recentemente ao The Wall Street Journal que já consideram plausível a possibilidade de o vírus ter vazado do laboratório.
Reforçando ainda mais a teoria de vazamento laboratorial, recentemente dois pesquisadores chineses (Botao Xiao e Lei Xiao) escreveram um artigo cuja conclusão aponta que, provavelmente, o vírus teve sua origem em um laboratório em Wuhan. A teoria também é defendida pela biologista molecular Alina Chan, afiliada à Universidade de Harvard e ao M.I.T.
Talvez a principal razão pela qual a teoria do vazamento tenha ganhado força recentemente seja o fato de que as autoridades chinesas têm se recusado a permitir uma investigação independente no laboratório de Wuhan, conforme noticiado pelo The New York Times.
Diante de tantas dúvidas e suspeitas, na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, determinou às agências de inteligência americanas que redobrem seus esforços no sentido de apurar de uma vez por todas a origem do vírus da Covid-19.
Obviamente, nada poderá apagar todo o sofrimento causado pela pandemia. Milhões de vidas foram ceifadas, milhões de famílias destruídas pelo vírus. A economia de muitos países se encontra em frangalhos e, com a dificuldade de obtenção de vacinas, o fim do pesadelo ainda parece distante para os países mais pobres.
Descobrir a verdade sobre a origem do vírus não irá, portanto, apagar ou amenizar todo o sofrimento causado. Por outro lado, pode ser fundamental para que os cientistas desenvolvam a cura da doença. Além disso, caso o mundo esteja diante de uma pandemia causada por um vazamento de laboratório, protocolos mais rígidos deverão ser estabelecidos, a fim de que nunca mais um acidente dessa proporção aconteça em nosso planeta.
Não se trata aqui de identificar responsáveis ou culpados. No entanto, o mundo merece e precisa conhecer a verdade sobre a pandemia. Não podemos, em hipótese alguma, correr o risco de repetirmos os erros do passado.