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Presídios

Polícia Penal: a engrenagem anônima da segurança pública

A missão da Polícia Penal, muito embora sem o holofote recebido pelas demais polícias, é de suma importância para a manutenção de um Estado seguro e pacífico

Publicado em 29 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 mai 2021 às 02:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

No Maranhão foi sancionada lei que transforma agente penitenciário em Polícia Penal
No Maranhão, por exemplo, foi sancionada lei que transforma agente penitenciário em Polícia Penal Crédito: Seap MA/Divulgação
Tenho ressaltado, sempre que posso, a importância de se investir na chamada prevenção primária para que tenhamos resultados consistentes nas políticas de segurança pública. Propiciar à camada mais vulnerável da sociedade acesso à educação de qualidade, saúde, condições dignas de habitação, acesso aos esportes, capacitação para melhores chances de empregabilidade e outras políticas sociais é fundamental para que tenhamos a médio e longo prazo quedas efetivas e constantes nos índices de criminalidade.
Concomitantemente, é preciso continuar investindo nas polícias. Investimentos em tecnologia, inteligência e capacitação são fundamentais para que possamos enfrentar com a superioridade necessária o crime organizado e, também, o crime ordinário que mata, estupra, rouba e gera tanta insegurança.
Até aqui, nenhuma novidade. Investir na prevenção e na repressão tem sido um mantra de todos aqueles que se dedicam um pouco mais aos estudos da segurança pública e dos fenômenos criminais. O que pouca gente tem falado, no entanto, é sobre a importância dos sistemas prisionais e dos profissionais que atuam nessa área para o bom funcionamento do sistema de segurança pública.
Como se sabe, a legislação brasileira não prevê pena de morte ou prisão perpétua. Assim, invariavelmente, os condenados passarão algum tempo atrás das grades e, posteriormente, serão colocados novamente em liberdade. A forma, portanto, como esses indivíduos serão segregados durante o cumprimento da pena e reintegrados à sociedade, após o cumprimento da sentença depende, em grande parte, do trabalho realizado pelos policiais penais.
Sobre o assunto, aliás, em dezembro de 2019, o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 104, que criou a chamada Polícia Penal, órgão responsável pela segurança do sistema prisional da União, dos Estados e do DF. A partir da nova Emenda, a carreira de agentes penitenciários foi transformada em carreira policial, equiparada às demais polícias brasileiras. Muito mais do que uma mudança de nomenclatura ou de um pleito corporativista, pretende a nova norma reparar uma injustiça histórica ao reconhecer o papel dos policiais penais na complexa engrenagem da segurança pública.
No Espírito Santo, um grupo de trabalho foi criado pela Secretaria da Justiça para elaboração de lei orgânica e do regimento interno da Polícia Penal Capixaba. Além disso, tramita uma Proposta de Emenda à Constituição do Estado para tratar do assunto.
Talvez a mais importante consequência da alteração legislativa seja jogar luz a uma parte do sistema de segurança pública que muitas vezes fica esquecida ou relegada ao segundo plano. A missão da Polícia Penal, muito embora sem o holofote recebido pelas demais polícias, é de suma importância para a manutenção de um Estado seguro e pacífico. O trabalho anônimo desses servidores públicos mantém a ordem nos presídios, recupera os detentos recuperáveis e mantém, com segurança, aqueles que não buscam a reintegração social (infelizmente, os números apontam que nem todos os presos estão dispostos a abandonar o crime).
Já estamos acostumados a ver, todos os dias, manchetes (merecidas, diga-se de passagem) exaltando o trabalho dos policiais que prenderam esse ou aquele perigoso bandido. O mesmo bandido passará anos atrás das grades sem que a maior parte da sociedade reconheça o importante trabalho realizado pelos policiais penais. Já passou da hora dessa injustiça ser corrigida. Felizmente, o primeiro passo foi dado pelo Congresso Nacional.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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