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Publicado em 3 de março de 2026 às 18:03
- Atualizado há 2 minutos
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), confirmou na segunda-feira (2) que deixará o cargo para o qual foi reeleito em 2022, para tentar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Com isso, será o primeiro chefe do Executivo estadual a renunciar ao poder em 40 anos.>
Desde a redemocratização do país, em 1985, Gerson Camata havia sido o único governador capixaba a abrir mão do cargo antes de sua conclusão visando à disputa por vaga no Congresso Nacional. Depois dele, todos começaram e concluíram o mandato.>
Nos primeiros meses de 1986, Camata – assassinado em dezembro de 2018 – comunicou a saída do governo com o objetivo de buscar uma vaga de senador pelo antigo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), atual MDB. Esse mesmo caminho está sendo feito por Casagrande, quase 40 anos depois.>
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Acervo digital de A Gazeta, com matérias da época, revela tanto o clima emocional das despedidas de Camata quanto os preparativos cerimoniais e as primeiras movimentações de seu vice, José Moraes, para assumir o comando do Executivo estadual com ajustes no secretariado.>
Em 2026, o mesmo clima de transição e organização da casa deverá ser vivenciado pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), uma vez que a saída de Casagrande do governo deverá ser oficializada até 4 de abril, conforme determina a Justiça Eleitoral. É estabelecido o prazo de seis meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, para os candidatos se desincompatibilizarem. >
Outra semelhança entre as renúncias de Casagrande, em 2026, e Camata, em 1986, é que parte do secretariado do governador socialista também deverá deixar o Executivo em busca de vagas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) ou na Câmara dos Deputados. Essa movimentação deverá levar à reformulação no comando das pastas a menos de um ano do fim da gestão iniciada em 2022.>
Também convergem os discursos feitos pelos dois governadores, conforme registrado em acervo consultado pela reportagem. Em 1986, Camata deixava o governo afirmando que estava entregando o Estado com a "economia recuperada" e as "finanças saneadas", praticamente a mesma afirmação feita por Casagrande na entrevista coletiva realizada na segunda-feira (2).>
Reportagens da época também registram os trâmites envolvendo a oficialização da saída de Gerson Camata do governo, bem como a posse de seu vice no posto de chefe do Executivo estadual.>
Foram expedidos telegramas e telex ao presidente José Sarney, governadores e outras autoridades, comunicando a desincompatibilização de Camata. O cerimonial, por sua vez, trabalhou na convocação de empresários, parlamentares e ex-governadores para a solenidade de posse de José Moraes, que ocorreu às 12h30 do dia 13 de maio de 1986.>
Além de informar sobre a saída de Camata do cargo para disputar as eleições, as mensagens ao então presidente da República foram utilizadas para agradecer o apoio recebido e as críticas construtivas feitas ao longo da gestão.>
Em um discurso de três minutos na televisão, visivelmente emocionado, Camata se despediu do governo agradecendo o apoio do povo e de sua família.>
“Venho aqui, na presença dos meus amigos e da gente do Estado, dizer que, no terceiro ano do meu governo, o Estado, com a sua economia recuperada e com suas finanças saneadas, é um outro Estado, em que tivemos a oportunidade de devolver aos capixabas a alegria e o orgulho de terem nascido no Espírito Santo pelas realizações do governo e pela afirmação da gente do Espírito Santo”, discursou o então governador à época.>
Na entrevista coletiva concedida na segunda-feira (2), Casagrande afirmou que estava renunciando ao posto de governador seguro de que Ricardo Ferraço dará seguimento ao que a gestão fez até aqui. "Ele é trabalhador, conhece a máquina pública." Além disso, o mandatário frisou que não recai sobre o vice nenhuma denúncia "que desabone sua conduta". >
Casagrande destacou que o governo entra agora em período de transição, com duração até o início de abril. A ideia do governador é manter o ritmo de entregas em áreas que trata como "sensíveis" na gestão. "Neste mês de março, faremos toda a transição para não perder intensidade, velocidade e realizações no governo.">
Ao menos 13 secretários que hoje integram a gestão de Casagrande estão cotados para disputar vagas na Assembleia Legislativa (Ales) ou na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, conforme mostrou reportagem de A Gazeta em janeiro deste ano. >
O governador confirmou que a reforma nas principais pastas de seu governo deverá ser ampla, já que mais de 10 secretários pretendem se afastar para disputar as eleições. No entanto, ele reforçou que a escolha dos substitutos seguirá um critério de experiência e conhecimento sobre cada área.>
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