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Renúncia de Casagrande é a primeira de um governador do ES em 40 anos; entenda

Renúncia de Casagrande é a primeira de um governador do ES em 40 anos; entenda

Desde 1986, todos os governadores do Estado começaram e concluíram o mandato; atual governador deixará o cargo em abril, para disputar vaga no Senado

Publicado em 3 de março de 2026 às 18:03

 - Atualizado há 2 minutos

Casagrande e Ferraço
Casagrande deixará o cargo em abril e o vice Ricardo Ferraço assumirá o governo Crédito: Carlos Alberto Silva

O governador do Espírito SantoRenato Casagrande (PSB), confirmou na segunda-feira (2) que deixará o cargo para o qual foi reeleito em 2022, para tentar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Com isso, será o primeiro chefe do Executivo estadual a renunciar ao poder em 40 anos.

Desde a redemocratização do país, em 1985, Gerson Camata havia sido o único governador capixaba a abrir mão do cargo antes de sua conclusão visando à disputa por vaga no Congresso Nacional. Depois dele, todos começaram e concluíram o mandato.

  • Max Mauro - 1987 a 1991
  • Albuíno Azeredo - 1991 a 1994
  • Vitor Buaiz - 1995 a 1998
  • José Ignácio Ferreira - 1999 a 2002
  • Paulo Hartung - 2003 a 2010 e 2015 a 2018
  • Renato Casagrande - 2011 a 2014 e 2018 a 2026

Nos primeiros meses de 1986, Camata – assassinado em dezembro de 2018 – comunicou a saída do governo com o objetivo de buscar uma vaga de senador pelo antigo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), atual MDB. Esse mesmo caminho está sendo feito por Casagrande, quase 40 anos depois.

Acervo digital de A Gazeta, com matérias da época, revela tanto o clima emocional das despedidas de Camata quanto os preparativos cerimoniais e as primeiras movimentações de seu vice, José Moraes, para assumir o comando do Executivo estadual com ajustes no secretariado.

Em 2026, o mesmo clima de transição e organização da casa deverá ser vivenciado pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), uma vez que a saída de Casagrande do governo deverá ser oficializada até 4 de abril, conforme determina a Justiça Eleitoral. É estabelecido o prazo de seis meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, para os candidatos se desincompatibilizarem. 

Outra semelhança entre as renúncias de Casagrande, em 2026, e Camata, em 1986, é que parte do secretariado do governador socialista também deverá deixar o Executivo em busca de vagas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) ou na Câmara dos Deputados. Essa movimentação deverá levar à reformulação no comando das pastas a menos de um ano do fim da gestão iniciada em 2022.

Sucessão de Camata, em 1986, movimentou os bastidores da política local à época Crédito: Acervo/A Gazeta

 Também convergem os discursos feitos pelos dois governadores, conforme registrado em acervo consultado pela reportagem. Em 1986, Camata deixava o governo afirmando que estava entregando o Estado com a "economia recuperada" e as "finanças saneadas", praticamente a mesma afirmação feita por Casagrande na entrevista coletiva realizada na segunda-feira (2).

Anúncio de renúncia do então governador Gerson Camata, em 1986, foi marcada por mudanças na gestão do Executivo estadual
Posse de José Moraes como governador em edição de maio de 1986 de A Gazeta Crédito: Acervo/A Gazeta

Telegrama para Sarney e posse de vice

Reportagens da época também registram os trâmites envolvendo a oficialização da saída de Gerson Camata do governo, bem como a posse de seu vice no posto de chefe do Executivo estadual.

Palácio Anchieta
Sarney durante visita ao Palácio Anchieta no governo de Gerson Camata, em 1986 Crédito: Chico Guedes

Foram expedidos telegramas e telex ao presidente José Sarney, governadores e outras autoridades, comunicando a desincompatibilização de Camata. O cerimonial, por sua vez, trabalhou na convocação de empresários, parlamentares e ex-governadores para a solenidade de posse de José Moraes, que ocorreu às 12h30 do dia 13 de maio de 1986.

Além de informar sobre a saída de Camata do cargo para disputar as eleições, as mensagens ao então presidente da República foram utilizadas para agradecer o apoio recebido e as críticas construtivas feitas ao longo da gestão.

Em um discurso de três minutos na televisão, visivelmente emocionado, Camata se despediu do governo agradecendo o apoio do povo e de sua família.

“Venho aqui, na presença dos meus amigos e da gente do Estado, dizer que, no terceiro ano do meu governo, o Estado, com a sua economia recuperada e com suas finanças saneadas, é um outro Estado, em que tivemos a oportunidade de devolver aos capixabas a alegria e o orgulho de terem nascido no Espírito Santo pelas realizações do governo e pela afirmação da gente do Espírito Santo”, discursou o então governador à época.

Renúncia de Casagrande

Na entrevista coletiva concedida na segunda-feira (2), Casagrande afirmou que estava renunciando ao posto de governador seguro de que Ricardo Ferraço dará seguimento ao que a gestão fez até aqui. "Ele é trabalhador, conhece a máquina pública." Além disso, o mandatário frisou que não recai sobre o vice nenhuma denúncia "que desabone sua conduta".

Casagrande destacou que o governo entra agora em período de transição, com duração até o início de abril. A ideia do governador é manter o ritmo de entregas em áreas que trata como "sensíveis" na gestão. "Neste mês de março, faremos toda a transição para não perder intensidade, velocidade e realizações no governo."

Ao menos 13 secretários que hoje integram a gestão de Casagrande estão cotados para disputar vagas na Assembleia Legislativa (Ales) ou na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, conforme mostrou reportagem de A Gazeta em janeiro deste ano.

O governador confirmou que a reforma nas principais pastas de seu governo deverá ser ampla, já que mais de 10 secretários pretendem se afastar para disputar as eleições. No entanto, ele reforçou que a escolha dos substitutos seguirá um critério de experiência e conhecimento sobre cada área.

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