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Pazolini se apresenta como técnico e Coser exalta experiência em sabatina da OAB-ES

Os candidatos à Prefeitura de Vitória responderam a perguntas sobre segurança, enfrentamento à pandemia de Covid-19, arrecadação e educação. Em alguns momentos, trocaram indiretas. Pazolini e Coser disputam o segundo turno

Vitória
Publicado em 24/11/2020 às 17h34
Candidatos para o segundo turno
Delegado Pazolini (Republicanos) e João Coser (PT) foram sabatinados pela OAB-ES. Crédito: Eduardo Caliman

Os candidatos Delegado Pazolini (Republicanos) João Coser (PT), que disputam o segundo turno para a Prefeitura de Vitória, foram sabatinados na manhã desta terça-feira (24) pela Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Espírito Santo (OAB-ES). Durante a sabatina, eles apostaram em discursos bem diferentes. Enquanto o deputado estadual apontou que faria uma gestão técnica, o ex-prefeito destacou a experiência e os próprios feitos. 

Em alguns momentos houve troca de alfinetadas entre os adversários, mesmo que de forma indireta. Pazolini disse que sua equipe não terá indicações de políticos, como aconteceu em outros mandatos. Já Coser afirmou que gerir uma cidade não é para "principiantes". 

Os candidatos responderam 10 perguntas cada um. Eles foram entrevistados separadamente e tiveram dois minutos para cada resposta. Os questionamentos haviam sido elaborados previamente pela Ordem e foram sorteados no momento da sabatina.

O candidato do Republicanos foi o primeiro a ser sabatinado. Em um aceno aos advogados, lembrou que iniciou sua carreira na advocacia, apesar de ter atuado por um curto período. Pazolini fez questão de destacar sua trajetória profissional com passagens pelo Tribunal de Contas do Estado, como auditor, delegado da Polícia Civil e atualmente deputado.

“Me coloco como quem sabe cuidar das contas e sabe cuidar das pessoas, quem tem a sensibilidade para entender as famílias de Vitória, mas tem responsabilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal, da manutenção da ordem pública. Alguém que já viveu o lado das contas, mas conhece a sensibilidade do dia a dia”, frisou.

Pazolini reforçou, em diversos momentos, que possui um perfil técnico e que é dessa forma que pretende governar a cidade. Criticou a atual administração, dizendo que falta gestão. Colocou também como um candidato independente e disse que vai dialogar com a Câmara municipal. 

Alguns vereadores eleitos já declararam apoio a Pazolini, inclusive aliados do prefeito Luciano Rezende (Cidadania). Luciano não se manifestou sobre o segundo turno. Na primeira etapa da disputa ele apoiava o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), que ficou em terceiro lugar. 

Gandini também não se manifestou sobre a disputa nesta reta final. Durante o primeiro turno, protagonizou um embate com Pazolini, trocando uma série de ataques e ações na Justiça. 

Já Coser, que também é formado em Direito, reafirmou sua experiência como gestor e político durante a sabatina. O candidato do PT foi prefeito de Vitória por dois mandatos (2005-2012) e, sempre que pode, destacou as obras e projetos entregues por sua administração.

“Já fui deputado estadual, deputado federal, prefeito duas vezes, falo pela minha experiência, pela minha vocação para a política, principalmente para a política social. Gestar uma cidade não é uma tarefa para iniciantes, principiantes, é um desafio, principalmente em um momento de pandemia, com baixa arrecadação."

Com acenos ao governo estadual, Coser fez questão de destacar que será um parceiro do governador Renato Casagrande (PSB) na execução de projetos e obras e também no enfrentamento da pandemia. Ao contrário de Pazolini, não fez críticas à atual gestão municipal.

Casagrande se manteve longe dos palanques nas eleições municipais. No primeiro turno, manifestou apoio a dois ou três candidatos fora da Grande Vitória. No segundo turno, afirmou que não vai se envolver.

Apesar disso, secretários do governo têm declarado apoio a Coser. O petista sempre teve um bom relacionamento com o governador, ao contrário de Pazolini, que faz oposição a Casagrande na Assembleia. 

Os dois candidatos mostraram visões diferentes em diversos pontos, mas principalmente, no que diz respeito ao papel da Guarda Municipal na Capital. Pazolini foi enfático ao dizer que, numa eventual gestão dele, a guarda será protagonista. Coser, por sua fez, defendeu que ela precisa ser comunitária e que segurança pública se faz com parceria e com ações sociais.

PANDEMIA E CIÊNCIA

Os dois candidatos convergiram em um ponto: ambos disseram que vão enfrentar a pandemia de Covid-19 baseando-se na ciência. Confira as respostas dos candidatos sobre os principais temas:

Sabatina Vitória
João Coser (PT), o presidente da OAB-ES, José Carlos Rizk Filho, e Delegado Pazolini (Republicanos). Crédito: Eduardo Caliman

Segurança pública

Pazolini: "A Guarda Municipal será subordinada, vinculada ao gabinete do prefeito, ela prestará contas. Nossa vice-prefeita é uma capitã da PM, que conhece todas as regiões de Vitória. A Guarda tem que ser protagonista, atuante, como vemos em Vila Velha, Serra e em outros municípios. Vamos regularizar o porte de arma de 79 agentes que atualmente não podem ir para as ruas. Não podemos minimizar a atuação da Guarda".

Coser: "Eu fui prefeito, estruturei e qualifiquei a Guarda. Podemos ampliar o efetivo, é fundamental usar tecnologia na área de segurança, mas a competência maior do município é na formulação de políticas públicas. Precisamos colocar mais crianças em escolas em tempo integral, retomar o circuito cultural, se você não oferece opções de cultura e lazer, o jovem vai fácil para a criminalidade. A Guarda Municipal é importante no trânsito, nas escolas, mas queremos uma guarda comunitária, que se relaciona com o cidadão". 

Pessoas em situação de rua

Pazolini: "Vamos reforçar a assistência social. Faremos todo o papel de convencimento para a pessoa em situação de rua possa ter a ressignificação de sua vida. Os nossos profissionais, técnico, multidisciplinar, terão condições de fazer essa abordagem e em um processo de convencimento levar essas pessoas de volta para a sua família. E temos que usar os mecanismos legais, em casos mais extremos, de dependência química, para salvá-la".

Coser: "Vou fazer todas as ações necessárias para tirar as pessoas da situação de rua com ações sociais, fazer centro de acolhimento, fazer formação. A população de rua antes era apenas de quem precisava de renda, hoje temos pessoas com dependência química. Não terá de minha parte uma ação de remover essas pessoas de forma brusca, a lei não permite isso. Toda nossa política é de abordagem, feita com muito cuidado, mas com determinação".

Funcionalismo público

Pazolini: "Temos compromisso com a boa prestação de serviço. Se houver necessidade de qualquer alteração organizacional, nós o faremos. Se o serviço estiver bem avaliado, continuaremos. Não temos vaidade. Teremos bom senso e coragem para fazer o que for necessário, dialogando, inclusive, com a Câmara municipal".

Coser: "Não temos meta de aumentar secretarias, temos um carinho grande pelos servidores, temos servidores há quase oito anos praticamente sem reajuste. O cidadão que paga impostos não quer que o dinheiro vá todo para servidores e nem custeio, tem que ter retorno. No período que eu fui prefeito, fiz muitas obras. O recurso sempre será ajustado a sua capacidade de arrecadação, com investimentos permanentes para melhorar a vida das pessoas, principalmente as mais vulneráveis".

Enfrentamento à pandemia

Pazolini: "Vamos manter tudo o que a ciência orientar, ouvindo especialistas, médicos, buscando quem tiver melhor preparado, quem tiver o melhor plano. Isso significa, na prática, um compromisso com a vida das pessoas, isso é o mais importante. A partir dessa análise que a ciência vai nos trazer, e a experiência de outros países, Estados, vamos construir o melhor plano para Vitória enfrentar a pandemia, olhando para suas especificidades para tomar as melhores decisões".

Coser: "Nosso objetivo é olhar para frente, criar uma central de monitoramento da pandemia em Vitória, fazer um trabalho de integração com o governo do Estado. A pandemia mexeu muito com a vida econômica, mas também com a cabeça das pessoas. A saúde mental será prioridade. A prefeitura não fará nenhum ato ou gesto de irresponsabilidade. Temos que acreditar na ciência, nem todo mundo acredita".

SABATINA

A sabatina da OAB-ES foi mediada pelo presidente da Comissão de Direitos Políticos e Eleitoral, Fernando Dilen. Os candidatos foram recebidos pelo presidente da Ordem, José Carlos Rizk Filho, que reafirmou o compromisso da instituição com a democracia. 

"A Ordem é uma casa democrática, plural, apartidária. Promovemos, de forma imparcial, um debate em prol de todos nós. Estamos do lado da sociedade e da democracia. É um papel fundamental para o exercício da cidadania", frisou. 

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