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Operação da PF investiga corrupção na Codesa e tem Rose de Freitas como alvo

Duas pessoas foram alvos de mandado de prisão na operação, deflagrada no Estado e em Brasília. As investigações apontam que a parlamentar do ES nomeava pessoas no órgão para desviar recursos públicos da área portuária

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/05/2021 às 10h12
Atualizado em 12/05/2021 às 14h52
Senadora Rose de Freitas no Plenário do Senado Federal
Rose de Freitas é alvo de operação da PF. Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Corsários, para investigar uma organização criminosa que atuava na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), estatal federal que administra o Porto de Vitória e tem sede na Capital do Estado. A senadora Rose de Freitas (MDB) foi alvo de mandado de busca e apreensão, conforme informação publicada primeiramente pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, e confirmada por A Gazeta. As investigações apontam que a parlamentar capixaba nomeava pessoas no órgão com a finalidade de desviar recursos públicos da área portuária.

Os mandados de prisão temporária e busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que há o indício de envolvimento da senadora, que tem prerrogativa de foro. O foro especial por prerrogativa de função é restrito, na Suprema Corte, para o caso de parlamentares, a deputados federais e senadores.

Três pessoas foram presas, entre elas Edward Freitas, irmão de Rose, e Ricardo Saiter, primo e assessor parlamentar da senadora. Uma pessoa foi presa em flagrante em Brasília, durante a operação, por porte ilegal de arma de fogo. Como o crime é afiançável, ela pagou a fiança e foi liberada. O valor não foi divulgado. 

Familiares da senadora Rose de Freitas (MDB) são presos pela Polícia Federal em operação no Espírito Santo

Operação PF
Edward de Freitas e Ricardo Saiter Mota foram presos pela Polícia Federal. Eles são, respectivamente, irmão e primo da senadora Rose de Freitas. Vitor Jubini
Operação PF
Edward de Freitas e Ricardo Saiter Mota foram presos pela Polícia Federal. Eles são, respectivamente, irmão e primo da senadora Rose de Freitas. Vitor Jubini
Operação PF
Ricardo Saiter Mota, primo de Rose de Freitas, chegando no Departamento Médico Legal (DML). Vitor Jubini
Operação PF
Edward de Freitas, irmão de Rose de Freitas. Vitor Jubini
Operação PF
Edward de Freitas , irmão de Rose de Freitas, chegando ao DML. Vitor Jubini
Operação PF
Edward de Freitas e Ricardo Saiter Mota foram presos pela Polícia Federal. Vitor Jubini
Operação PF
Operação da Polícia Federal foi realizada na manhã de quarta-feira (12). Vitor Jubini
Operação PF
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal. Vitor Jubini
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal
Ricardo Saiter Mota foi preso pela Polícia Federal

Também foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em residências e empresas nos municípios de Vitória, Cariacica e Serra, no Espírito Santo, e em Brasília, no Distrito Federal, e o sequestro de bens e valores dos investigados.

Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido em uma casa de Rose de Freitas em Vitória. A PF apreendeu documentos e computadores. A senadora não estava na residência no momento da ação, apenas um funcionário que realizava a limpeza. A polícia também esteve no apartamento funcional da senadora, em Brasília.

Residência da senadora Rose de Freitas em Fradinhos, Vitória
Residência da senadora Rose de Freitas, em Vitória, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão. Crédito: André Falcão

A operação teve início a partir de uma denúncia de exigência de vantagens ilícitas por servidores da Codesa em um contrato de locação de veículos. De acordo com a Polícia Federal, os crimes teriam acontecido entre os anos de 2015 e 2018, com direcionamento de certames e desvio de recursos públicos dos contratos firmados com as prestadoras de serviços.

A investigação contou com a colaboração da atual gestão da Codesa, que, em auditoria realizada, estima que somente em dois dos contratos auditados a organização criminosa pode ter desviado cerca de R$ 9 milhões.

Segundo a PF, a apuração revelou a existência de uma organização criminosa na estatal, formada a partir de pessoas de confiança do grupo para atuar em postos chaves, permitindo a interferência nas licitações, o superfaturamento e o desvio de dinheiro público.

Para receber os recursos desviados, o grupo investigado utilizava um escritório de advocacia, responsável por simular a prestação de serviços advocatícios para lastrear a movimentação dos valores. As investigações revelaram ainda que a lavagem do dinheiro ilegal também acontecia por meio da compra de imóveis de luxo e do pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.

A operação contou com a participação de 44 policiais federais. São investigados o cometimento de crimes de concussão, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, fraude a licitações e lavagem de capitais.

NOME DA OPERAÇÃO

O nome da operação, segundo a PF, foi escolhido porque o corsário era alguém que, por missão ou carta de um governo, era autorizado a roubar navios de outra nação, em forma semelhante ao modelo que a organização criminosa teria atuado, com pessoas nomeadas pela parlamentar para desviar recursos públicos da área portuária. 

ROSE DE FREITAS: "NÃO COMETI ATO ILÍCITO"

A reportagem entrou em contato com a senadora Rose de Freitas, que respondeu, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, após a publicação deste texto. Na nota, a senadora nega ter cometido qualquer ato ilícito durante os oito mandatos no Parlamento e disse ter sido surpreendida pela deflagração da Operação Corsário.

O QUE DIZ A CODESA

A Codesa também foi demanda para se posicionar sobre a operação, mas disse que as informações ficam a cargo apenas da Polícia Federal.

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