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Eleição na Câmara: dois deputados do ES receberam verba do governo federal

Parlamentares são bolsonaristas e já votariam no candidato do governo à presidência da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Repasse não é ilegal, mas verba chegou em momento-chave

Publicado em 02/02/2021 às 20h23
Arthur Lira (PP-AL) é eleito presidente da Câmara dos Deputados
Arthur Lira (PP-AL) é eleito presidente da Câmara dos Deputados. Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), foi eleito presidente da Câmara dos Deputados e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) agora está à frente do Senado. Os dois obtiveram a vitória, na segunda-feira (1º), com apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Coincidentemente ou não, pouco antes da votação, em dezembro, o governo federal liberou R$ 3 bilhões em verbas do Ministério do Desenvolvimento Regional para parlamentares. 

Os recursos são destinados, via de regra, aos redutos eleitorais de deputados e senadores.

Entre os contemplados, parlamentares que mudaram a intenção de voto. Pretendiam escolher candidatos não alinhados ao Palácio do Planalto, mas depois passaram a apoiar Lira ou Pacheco. É o que mostra reportagem do jornal "O Estado de São Paulo".

Mas não somente eles. Integrantes da base governista que, em tese, já votariam nos candidatos bolsonaristas também foram agraciados com verbas. Entre eles está um dos vice-líderes de Bolsonaro na Câmara, o capixaba Evair de Melo (PP). Ele aparece na lista obtida pelo "Estadão" à frente da quantia de R$ 2,5 milhões. 

Outra capixaba, a deputada federal Soraya Manato (PSL), alinhada a Bolsonaro, também está na relação, como beneficiária de R$ 400 mil.

Os repasses não são ilegais, mas ainda de acordo com o Estadão, também não chegam por meio de emendas, são recursos não rastreáveis, com dados específicos, como relacionados aos nomes dos parlamentares, por portais de transparência. Aparecem apenas em planilhas informais dos ministérios. 

A Gazeta entrou em contato com as assessorias de imprensa de Evair e Soraya, questionando a respeito da destinação das verbas e qual avaliação que fazem sobre liberação de recursos por parte do governo às vésperas de uma eleição em que o próprio presidente já disse que interferiu.

Soraya Manato (PSL)

Deputada federal

"Não vejo irregularidades em relação a esses recursos. Tudo que eu puder garantir para o meu Estado, na qualidade de deputada federal, acho válido"

"Como apoiadora do governo Bolsonaro, o ambiente para garantir recursos federais fica mais favorável. Foram R$ 410 mil liberados pelo governo federal, sendo que R$ 170 mil destinei para o município de Muniz Freire, para a aquisição de um trator agrícola, e R$ 240 mil destinei para o município de São Gabriel da Palha, para aquisição de uma retroescavadeira", complementou a deputada, por meio de nota.

Até a publicação deste texto, não houve resposta de Evair.

O voto para a eleição da Mesa Diretora na Câmara é secreto, mas Evair e Soraya já haviam declarado apoio a Arthur Lira.

A VERBA

De acordo com o "Estadão", no total, 285 parlamentares puderam indicar o destino de R$ 3 bilhões para seus redutos eleitorais. Todas as autorizações e repasses da planilha foram feitas em dezembro, mês em que o governo intensificou as articulações para eleger seus candidatos.

Dos 235 deputados que diziam votar em Lira, conforme dados de domingo (31), 140 aparecem na planilha do governo indicando recursos extras para obras em seus Estados.

Os ministérios fazem planilhas informais, que não são acessíveis às autoridades e à sociedade. É o contrário do que ocorre com as emendas parlamentares, onde é possível acompanhar desde a indicação do recurso até a execução da obra.

O líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO), contemplado com R$ 85 milhões de verba extra do Ministério do Desenvolvimento Regional, admitiu ao Estadão que os recursos ajudam a "sensibilizar" os parlamentares a votarem de acordo com o governo. "É evidente que, quando o governo tem essa sintonia e trabalha com municípios e Estados, tem uma tendência de que fique com o governo", afirmou.

Além dos R$ 3 bilhões do Ministério do Desenvolvimento Regional, o governo também liberou, às vésperas da eleição no Congresso, R$ 504 milhões em emendas parlamentares.

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