Repórter / [email protected]
Publicado em 6 de fevereiro de 2023 às 15:51
- Atualizado há 3 anos
Em passagem pelo Espírito Santo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu a regulação das mídias sociais, que, na visão do magistrado, ainda pecam em proteger dados dos usuários, bem como o tipo de informação disseminada. >
Barroso, que fez uma palestra, nesta segunda-feira (6), durante evento de abertura do programa de residência jurídica da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), destacou que são necessários ajustes para que a internet e as redes sociais “sigam nos trilhos da civilidade, da ética e da legalidade”.>
Ao mesmo tempo em que entende que é necessário promover mudanças, ele pontua que impor regulações à internet e às mídias sociais é uma tarefa complexa, principalmente considerando a necessidade de manutenção da liberdade de expressão.>
“Nós vamos ter que lidar com a tensão que se estabelece entre a regulação, para enfrentar esses comportamentos (indevidos), e a liberdade de expressão, que é um valor muito valioso para as sociedades democráticas. Ela é imprescindível, em primeiro lugar, porque permite a livre circulação de ideias, de opiniões e de notícias. É importante para a busca da verdade, da verdade possível e plural em uma democracia, mas a informação precisa ser verdadeira.”>
>
O ministro observa que a liberdade de expressão é tratada, em muitos países, inclusive no Brasil, como uma liberdade preferencial, “porque ela é uma expressão da dignidade humana”.>
“A liberdade de expressão tem uma posição preferencial e como é que a gente harmoniza a proteção da liberdade de expressão com uma regulação de conteúdos das mídias sociais? Isso passou a ser o problema que o mundo inteiro está enfrentando. (...) Essa regulação é complexa, mas, evidentemente, os comportamentos criminosos tem que ser erradicados da internet.” >
Um dos problemas mais graves, avalia, é a “desinformação dolosa e os comportamentos inautênticos coordenados”, isto é, as informações falsas ou distorcidas, amplamente disseminadas para atingir fins específicos.>
“Esse é o maior problema das redes sociais. Se alguém escrever que querosene é bom para Covid, por exemplo, e tiver 20 seguidores, é ruim, mas é um problema limitado. Se este post for amplificado para dezenas ou centenas de milhares de pessoas, aí nós temos um problema de saúde pública. E é isso que frequentemente está acontecendo nas redes sociais.”>
As normas defendidas pelo ministro passam também por outras esferas, inclusive a econômica. “São as empresas mais valiosas e, portanto, onde há demonstração de capacidade econômica, tem que haver tributação justa.”>
Ele destacou que muitas vezes, as empresas colocam empecilhos, justificando que não têm sede no Brasil, ou utilizando-se de outras formas para esquivar-se de cumprir com as obrigações que cabem às companhias brasileiras. >
Barroso citou ainda que frequentemente há vazamento de dados, um problema grave, sobretudo diante da gama de informações reunidas nas plataformas. >
“Essas plataformas tecnológicas passaram a saber onde eu moro, nome dos meus filhos, meu trabalho, mas, mais do que isso: elas sabem também qual foi o último livro que eu comprei, qual foi a última pesquisa que eu fiz, a doença que está me preocupando no momento. Elas têm acesso a dados da nossa intimidade mais profunda.”>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta