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Operação Vade Mecum

Inspetor preso suspeito de facilitar entrada de drogas em presídio no ES é demitido

Thiago Luiz da Costa Nogueira Bicalho era inspetor penitenciário em designação temporária desde 23 de agosto de 2018 e o contrato foi rescindido

Publicado em 14 de Outubro de 2020 às 11:39

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 out 2020 às 11:39
Presídio do Espírito Santo
Inspetor facilitava a entrada de drogas e celulares em presídio do ES Crédito: Reprodução/ TV Gazeta
Inspetor preso suspeito de facilitar entrada de drogas em presídio no ES é demitido
O inspetor penitenciário preso suspeito de facilitar a entrada de drogas e celulares em unidades prisionais do Espírito Santo foi demitido. A demissão de Thiago Luiz da Costa Nogueira Bicalho foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (14).
De acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Thiago era inspetor penitenciário em designação temporária desde 23 de agosto de 2018. 
"A Secretaria da Justiça informa que o servidor está preso na Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana. Com a prisão, o contrato do servidor foi rescindido, conforme publicação no Diário Oficial desta quarta-feira (14). A Corregedoria da Sejus acompanha o caso", diz a nota.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

Thiago trabalhava no Complexo Penitenciário de Viana, no Centro de Detenção Provisória 2, onde a quadrilha de traficantes investigada pelo ingresso de drogas nos presídios atuava. Segundo a polícia, o inspetor também facilitava o acesso de internos a telefones celulares.
De acordo com o delegado Guilherme Eugênio, da Denarc de Guarapari, a atuação do servidor foi compreendida por meio de análise de diálogos feitos pelo WhatsApp.
"Nós começamos a entender essa atuação criminosa dele, analisando diálogos travados através do WhatsApp, entre ele e uma das advogadas presas. Nestes diálogos, ele inclusive chegou a solicitar uma propina de R$ 5 mil a título de adiantamento, ou seja, um valor a ser pago antes que o serviço por ele ofertado viesse a ser efetivamente prestado", disse o delegado.
Para a Polícia Civil, o investigado disse que o pedido de propina "foi de brincadeira, mas que ele precisava daquele dinheiro para aquisição de um novo celular, já que o dele havia quebrado". "Ele afirmou que uma das advogadas presas na mesma operação vinha oferecendo a ele a possibilidade de pagamento de propina mediante a inserção de drogas na unidade prisional, mas que ele "apenas aceitava a relação com a advogada e o dinheiro, porém se recusava a fornecer as drogas", relatou.
Apesar da versão do suspeito, a polícia acredita que o Thiago, de fato, levava as drogas para o presídio. "Até porque não se justificaria pagamento algum se ele não estivesse cedendo a este intento da organização criminosa", explicou o delegado.

CELULARES

No dia em que Thiago foi preso, a polícia encontro celulares de pequeno porte e baterias, cabos elétricos na mochila que ele carregava diariamente de casa para o trabalho. Dentro do sistema prisional, os cabos elétricos são comumente utilizados para a realização de ligações diretas que viabilizam o carregamento de telefones móveis.
Um celular de pequeno porte, antigo, foi inclusive apreendido dentro da unidade prisional. "Este ainda estava na ala na qual o servidor pode ingressar sem revista. Já os demais aparelhos foram encontrados na casa do suspeito. Tratam-se de aparelhos obsoletos, que quase ninguém hoje em dia guarda consigo e acreditamos que esses celulares fossem alternativamente, em sistema de rodízio, fornecidos a determinados internos mediante pagamento. E como as revistas são muito rigorosas, nós acreditamos que o celular permanecesse à disposição do interno somente no período de plantão do inspetor, e que, ao final do turno dele, ele recolhesse de volta para evitar que fossem encontrados por servidores honestos", disse Guilherme Eugênio.

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