ASSINE

Dona de padaria em Ponto Belo doa pães a quem precisa

Desde a última segunda-feira (30), Dona Marlúcia e a família aumentaram a quantidade diária de pães e decidiram colocá-los à disposição de quem não tem condições de pagar por eles na pequena cidade do Norte do ES

Publicado em 02/04/2020 às 15h17
Atualizado em 02/04/2020 às 15h17
Gesto de gentileza: no balcão da padaria, pães são deixados em sacolas para que os mais necessitados se alimentem
Gesto de gentileza: no balcão da padaria, pães são deixados em sacolas para que os mais necessitados se alimentem. Crédito: Divulgação

Pode parecer clichê dizer que pequenos gestos fazem a diferença, mas em Ponto Belo, pequena cidade localizada no extremo Norte do Espírito Santo, a boa ação de uma pessoa tem levado alimento à mesa de quem mais precisa.

Desde a última segunda-feira (30), a empresária Marlúcia Lucas Rabelo Batista, de 60 anos, pediu que os padeiros que trabalham na panificadora da família aumentassem a produção diária de pães e alimentos, para que as pessoas que não tenham condições de comprá-los pudessem levá-los sem pagar nada.

Isolada no pequeno sítio que possui, ela, o marido e os filhos se sentiram tocados pela necessidade de muitos moradores carentes da cidade, que por conta do isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus, estão com dificuldades para trabalhar e levar o alimento para casa.

"Já faz alguns dias, sabe. Moramos no sítio e no caminho até a padaria passamos todos os dias por algumas comunidades carentes. Essas pessoas já não têm muito em épocas normais, agora então a situação se agravou. Pedi que os padeiros fizessem pelo menos 200 pães, normalmente fazemos 150 por dia, para doar. Colocamos em uma sacolinha sobre o balcão e quem não tem dinheiro para pagar pode pegar de graça", contou dona Marlúcia, proprietária da Panificadora Ramalho, uma das poucas do município.

MAIS QUE PÃES

Não se engane. Dona Marlúcia e a família não estão doando alimentos que sobraram ou não foram vendidos. Tudo é feito no dia e distribuído no pequeno comércio familiar.

A padaria está localizada próximas de comunidades carentes e o pão gratuitos tem colaborado nesse momento difícil
A padaria está localizada próxima de comunidades carentes e o pão gratuito tem colaborado nesse momento difícil. Crédito: Divulgação

Marlúcia Lucas Rabelo Batista

Dona da Panificadora Ramalho

"Chegaram a dizer que a gente estava dando coisa velha, mas não é isso. Foi a forma que encontrei para ajudar de alguma forma. Se é doando pães que posso colaborar, então é isso que farei. Como temos uma roça pequena, produzimos algumas coisinhas. Também já doamos ovos, leite e banana. No que eu puder ajudar, vou ajudar. A situação não é fácil, só que está mais difícil para muita gente. Acredito muito em Deus e, se ajudo hoje, amanhã receberei em dobro"

CIDADE ENGAJADA

A população de Ponto Belo é pequena, com cerca de 7 mil habitantes segundo o último senso divulgado pelo IBGE. E de acordo com Dona Marlúcia, poucas são as pessoas que não estão cumprindo com o isolamento social.

"Olha, aqui na cidade está todo mundo em casa. Não se vê quase ninguém na rua. Só estão abertos mesmo os supermercados, padarias e farmácias. Não tem loja aberta por aqui. Se cada um fizer a própria parte, vamos sair dessa. Tenho certeza de que o mundo será diferente daqui para frente e quero deixar uma mensagem de solidariedade para quando esse novo momento chegar", contou.

Ponto Belo Coronavírus Coronavírus no ES solidariedade ES Norte

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.