Publicado em 21 de julho de 2021 às 16:34
- Atualizado há 5 anos
Ficou para a próxima semana a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o plano de concessão da BR 262, entre Minas Gerais e o Espírito Santo, além do trecho mineiro da BR 381, que é conhecido como "rodovia da morte" em razão do alto índice de acidentes registrados na região. O julgamento estava previsto para esta quarta-feira (21), mas foi retirado de pauta a pedido de alguns ministros. Com isso, o tema deve ser votado na sessão da próxima quarta (28).>
A entrega da operação das rodovias para a iniciativa privada é uma proposta do Ministério da Infraestrutura e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O projeto é conceder o trecho entre Belo Horizonte (MG) e Governador Valadares (MG), da 381, e a entre João Monlevade (MG) até Viana, no caso da 262. No total, são 686,1 quilômetros licitados, para um contrato de 30 anos.>
Com investimento previsto na casa de R$ 7,7 bilhões, a concessão tem como um dos focos a duplicação de 590,5 quilômetros de estrada. A ampliação da capacidade da BR 381 é um pleito antigo dos mineiros, cobrada há décadas dos governantes. Em 2020, foi a rodovia que registrou o maior número de acidentes, um total 2.145 com vítimas.>
Já a BR 262 já passou por outros dois processos de concessão no passado, porém nenhum prosperou. As obras de duplicação feitas pelo governo também vinham ocorrendo em pequenos trechos e a passados lentos. >
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Em 2019, já na gestão Bolsonaro, o governo reconheceu que duplicar totalmente as duas rodovias apenas com dinheiro público seria uma tarefa difícil diante das restrições orçamentárias. Foi quando a concessão do trecho da 262/381 foi qualificada no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para estudos da concessão.>
No formato de obra pública, foram entregues em 2020 menos de 50 quilômetros duplicados da BR 391, que tem mais de 300 quilômetros entre a capital mineira e Governador Valadares. Mas, mesmo concedida à iniciativa privada, o plano completo de ampliação ainda levará alguns anos, com prazo para terminar no 18º ano da concessão. Isso significa que, se o contrato for iniciado no próximo ano, 100% da duplicação será entregue apenas em 2039. Se consideradas as obras deste tipo previstas para a BR 262, o processo acaba somente no 21º ano da concessão.>
O projeto do governo prevê dois ciclos de duplicação dos trechos. O primeiro começa a partir do terceiro ano da concessão e vai até o oitavo e, o segundo, do 16º até o 21º ano. Por sua vez, no caso da 381, considerado o trecho mais perigoso, a maior parte das obras de ampliação será concentrada na primeira etapa. Além disso, o contrato também prevê a execução de 138 quilômetros de faixas adicionais, 131 quilômetros de vias marginais e 50 passarelas, por exemplo.>
A concessão também prevê tarifas diferenciadas para pista simples e pista dupla, com uma diferença de 40%. Os valores de pedágio também serão influenciados pelo método híbrido do leilão, modelo que vem sendo testado nas concessões de rodovias do governo Bolsonaro. >
Nele, as empresas que irão disputar o ativo podem oferecer apenas até 15,53% (no caso da BR 381/262) de desconto na tarifa proposta pelo poder público. Se mais de um concorrente ofertar o deságio máximo, o leilão é decidido numa segunda fase, com o maior valor de outorga oferecido.>
Antes, os certames de rodovias consideravam apenas uma etapa, a de menor tarifa, mas sem teto de desconto. Ao estabelecer um porcentual máximo, o Ministério da Infraestrutura tenta desestimular a entrada de aventureiros na concorrência. >
A pasta acredita que a nova modelagem é necessária para se desviar de fracassos que marcaram a terceira rodada de leilões rodoviários, quando a média de deságio no valor do pedágio oferecido pelas concessionárias vencedoras chegou a 50% - o que se tornou um obstáculo para a sustentabilidade financeira das obras.>
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