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Setor imobiliário retoma lançamentos e vendas voltam a crescer no ES

Os principais motivos para os números positivos são a redução dos juros para contratação de financiamentos e a queda do retorno de investimentos em renda fixa

Publicado em 06/11/2020 às 20h07
Atualizado em 07/11/2020 às 09h24
O município mais populoso do Estado garante diversas opções de imóveis
O município mais populoso do Estado garante diversas opções de imóveis. Crédito: Wilton Prata/Arquivo

Correção

7 de Novembro de 2020 às 09:19

Uma versão anterior deste texto trazia o título 'Setor retoma lançamentos e venda de imóveis volta a crescer no ES" sem citar que setor é esse. A informação foi corrigida.

Depois das vendas fracas durante os meses iniciais de pandemia do novo coronavírus, o setor imobiliário voltou a crescer no Espírito Santo. Com mais lançamentos saindo do papel e vendas aceleradas, o setor dá sinais positivos em meio à crise e mostra que o mercado está aquecendo. Os principais motivos para esses resultados são a redução dos juros para contratação de financiamento e a queda do retorno de investimentos em renda fixa.

De acordo com os dados do Censo Imobiliário e do Índice de Velocidade de Vendas (IVV) apurados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), divulgados nesta sexta-feira (6), a retomada no volume de lançamentos pode ser constatada no percentual de unidades na planta, que vem aumentando gradualmente. No final do primeiro semestre de 2019, eram 11%, no semestre seguinte passou para 17%, e agora são 24% do total das unidades nos cinco municípios da Grande Vitória (Serra, Vila Velha, Vitória, Cariacica e Viana).

Já considerando o IVV, os dados de julho e agosto apontam para uma velocidade de vendas que já representa o dobro do registrado no primeiro semestre deste ano.

O diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, explica como o mercado começou a voltar, a partir de abril. Naquele momento achava-se que a melhora era devido à demanda reprimida, e que depois essa procura iria se estabilizar nos patamares pré-Covid. “Mas, para nossa surpresa, foi melhor do que esperávamos”, diz.

A melhora na demanda deve-se, principalmente, aos juros estarem mais baixos. Além do financiamento imobiliário ficar mais atrativo para as famílias, os juros nos menores patamares históricos também reduziram o retorno dos investimentos em renda fixa. Como uma opção à poupança, que rende 1,4% ao ano, e a outros produtos da renda fixa, a saída se tornou a compra de imóveis.

 “As pessoas imaginam que com um imóvel podem ter rentabilidade com aluguel e a valorização dele a longo prazo. A procura ocorre, principalmente, com pessoas da classe média, que tenham uma poupança ou dinheiro aplicado. Elas conseguem dar uma entrada no imóvel, comprando na planta e pagando parcelado”, explica Borges.

Das 40 empresas pesquisadas, foram registrados 12 lançamentos, sendo 4 na Serra, 4 em Vila Velha, 3 em Vitória e 1 em Cariacica. O volume é superior ao do último semestre de 2019, quando foram feitos 9 lançamentos, sendo 3 em Vila Velha, 3 em Vitória, 1 na Serra e 2 em Cariacica.

Em junho deste ano, o Estado tinha 84 empreendimentos residenciais e comerciais em produção, com um total de 11.972 unidades sendo construídas. O maior número de projetos em andamento se concentra em Vila Velha, com 38 empreendimentos e um total de 5.320 unidades.

Ainda de acordo com a pesquisa, metade das unidades residenciais em produção já foi vendida. O município de Vitória é o que tem maior percentual de vendas, 58% do total em produção.

Segundo os dados do Sinduscon-ES, o que se viu foi uma redução expressiva de vendas em março e abril (início da pandemia), e uma forte retomada a partir de maio, intensificada em junho, gerando Índices de Velocidade de Vendas médios aparentemente estáveis. O IVV é um indicador que apresenta uma noção de quão rápido novos empreendimentos imobiliários são adquiridos pelo mercado.

De acordo com a pesquisa, ao analisar dados de julho e agosto de 18 empresas que representam cerca de 70% do mercado, constatou-se um aquecimento de vendas como não se via há muitos anos.

No mês de julho, o IVV residencial de médio-alto padrão da Grande Vitória atingiu 10,2%, já em agosto passou para 11,6%. O indicador está bem acima da média do primeiro semestre do ano, que foi de 4,3%.

Enquanto isso, o IVV do Programa Minha Casa Minha Vida foi de 10,3% e 10,8%, em julho e agosto, respectivamente, quase o dobro da média mensal do 1º semestre, que foi de 6,5%.

VALOR DO METRO QUADRADO

A pesquisa mostrou, mais uma vez, que os preços médios de imóveis residenciais em oferta no mercado primário são, de modo geral, mais altos em Vitória, seguidos de Vila Velha e Serra.

O valor do metro quadrado aumentou na comparação do primeiro semestre deste ano com o último de 2018. A maior variação ocorreu com apartamentos de três quartos na Serra. Enquanto o m² no segundo semestre de 2019 custava R$ 3.993, no primeiro semestre deste ano teve uma alta de 29,75%, passando a custar R$ 5.181. 

Já a maior redução nos preços também ocorreu na Serra, mas com apartamentos de quatro ou mais quartos. No segundo semestre de 2019, o preço médio era de R$ 5.714. Já no primeiro semestre deste ano, passou para R$ 4.796, uma redução de 16,07%.

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