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Plano econômico de Biden e mais negociações podem favorecer indústria do ES

Setor produtivo espera mais diálogo e menos restrições a exportações de produtos importantes para a economia capixaba, como o aço

Publicado em 10/11/2020 às 04h02
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Abertura do presidente eleito Joe Biden para negociações favorece exportações do ES. Crédito: Carlos Alberto Silva

A vitória de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos é vista com entusiasmo pela indústria do Brasil e do Espírito Santo. A expectativa é de que o democrata dê mais abertura para diálogo com o setor produtivo, que foi fortemente impactado pelas medidas restritivas impostas pelo atual presidente americano relativas a importação de produtos brasileiros, com destaque para o aço.

Segundo o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Léo de Castro, é esperado que haja mais espaço para negociações, o que pode se traduzir em volumes mais robustos de exportação.

“Tem uma expectativa muito grande da indústria de transformação, que é a que tem mais valor agregado, voltar a ter uma participação maior na pauta de exportação brasileira. São setores que não tinham tanta competitividade externa, como calçados, têxtil, de máquinas, plástico e siderurgia”, aponta.

Ele destacou que a intenção de Biden de voltar a respeitar negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e retomar o acordo de Paris são sinais dessa disponibilidade de diálogo e de uma previsibilidade maior nas relações.

“Nossa expectativa é de que se acalme a relação e se estabeleçam diálogos mais técnicos, mais construtivos. Claro que todos têm seus interesses, que são legítimos, mas o país que lidera o mundo não pode se afastar de instrumentos criados ao longo de décadas para buscar esse equilíbrio entre as nações”, diz.

SETOR DE AÇO ESPERA MENOS RESTRIÇÕES

O setor de aço, que sofre desde 2018 com o acirramento das barreiras comerciais impostas pelo país americano, também conta com essa abertura.

O presidente Donald Trump implantou 25% de tarifa para a importação de produtos siderúrgicos e impôs cotas para o Brasil, Argentina e Coreia do Sul. A cota determina quanto de aço semi-acabado pode ser exportado para os EUA sem pagamento de tarifas.

Esse montante equivale a 3,5 bilhões de toneladas do produto - como as placas produzidas no Espírito Santo. Além disso, o Brasil só pode exportar 30% da cota por trimestre, sendo 10% nos últimos três meses do ano.

“Os EUA não tem autossuficiência de semi-acabado para produzir e nós somos o maior exportador do produto para aquele país. Nossa expectativa é que com a nova administração, consigamos sensibilizar para retirar o Brasil dessa restrição. Se não puder retirar tudo, pelo menos aquela sobre o semi-acabado”, afirma o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

Ele lembrou que o Brasil é o maior importador de carvão metalúrgico dos Estados Unidos, comprando US$ 1 bilhão por ano. Enquanto isso, exporta cerca de US$ 2,6 bilhões em produtos siderúrgicos.

“Apesar de os democratas terem a imagem de serem protecionistas, quem adotou as piores práticas foram os republicanos. Nossa expectativa é de ter boa conversa com o lado americano”, disse.

EXPORTAÇÃO DE ROCHAS DEVE CRESCER COM PLANO DE DESENVOLVIMENTO DE BIDEN

Embora a produção de rochas ornamentais, outro pilar da indústria do Espírito Santo, não tenha sido afetada pelas barreiras protecionistas impostas por Trump, é esperado que a injeção prometida por Biden na infraestrutura beneficie ainda mais o setor.

“Ele (Trump) criou mais barreiras mais para os nossos concorrentes, como a China, do que pro setor de rocha ornamental brasileiro. Mesmo com pandemia, registramos os mesmos números do ano passado. Houve queda em abril e maio, mas foi questão de o mercado se organizar, e voltou a todo vapor. Se continuarmos assim, vamos superar o acumulado do ano passado”, aponta o presidente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Frederico Robison.

O plano econômico do democrata inclui um ambicioso pacote de US$ 2 trilhões e tem como objetivo revigorar a infraestrutura do país. Com isso, é esperado que haja uma demanda maior de rochas, o que pode ampliar a presença do produto brasileiro nos Estados Unidos.

“A injeção de capital na economia, setor imobiliário, construção civil americana reflete diretamente no setor de rochas do Espírito Santo”, avalia Robison.

SETOR DO CAFÉ DE OLHO NO DÓLAR

A longa e estável relação de comércio de café entre o Brasil e os Estados Unidos não deve ser abalada pela troca de comando no país, segundo a avaliação do presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV), Márcio Cândido Ferreira.

Ele afirma, contudo, que o câmbio é uma preocupação. Caso o governo Biden faça o preço da moeda americana recuar, haverá uma redução na rentabilidade da exportação do produto.

“O impacto vai depender da moeda. Hoje o dólar tem um comportamento interessante, se o dólar recuar muito em função de um novo governo, onde a gente vê que as bolsas sobem e a moeda cai, vai reduzir o ímpeto que estamos tendo na exportação”, afirma.

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