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Mudança no modelo de negócio

Fábrica dos sucos Del Valle vai fechar e demitir 800 no ES

Leão Alimentos e Bebidas, empresa de sucos da Coca-Cola no Brasil, vai desmobilizar unidade produtiva em Linhares no segundo semestre de 2021

Publicado em 07 de Novembro de 2020 às 17:24

Públicado em 

07 nov 2020 às 17:24
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Produção dos sucos Del Valle pela empresa Leão Alimentos e Bebidas
Produção dos sucos Del Valle pela empresa Leão Alimentos e Bebidas Crédito: Leão Alimentos/Divulgação
Depois de 15 anos de atuação no Espírito Santo, a Leão Alimentos e Bebidas anunciou que vai encerrar as atividades da sua fábrica em Linhares. A unidade, que é responsável pela gestão de toda a linha nacional de sucos e néctares do portfólio da Coca-Cola no Brasil, vai desmobilizar suas operações industriais no segundo semestre de 2021, o que deve levar à demissão de cerca de 800 profissionais.
A unidade capixaba é a responsável pela produção de bebidas como a conhecida marca de sucos Del Valle. A empresa ainda responde pelas atividades da Trop Frutas, processadora de frutas também sediada no município do Norte do Estado.
A decisão de fechar as portas está ligada, segundo a empresa, a avaliações de mercado. “Redução, ampliação ou qualquer decisão em torno de uma operação fabril implicam numa série de estudos e possibilidades que são realizadas previamente e levam em consideração diversas variáveis econômicas, sociais e ambientais, visando a melhor viabilidade estratégica e sustentação das operações”, justificou a Leão.
Segundo a coluna apurou, mesmo com os incentivos fiscais que a empresa recebe por estar em área da Sudene e fazer parte do Invest-ES, os resultados da operação na unidade não estavam sendo satisfatórios nos últimos anos. Para se ter uma ideia, a planta vinha operando com cerca de 60% da sua capacidade produtiva. A companhia, entretanto, não fala sobre dados por questões estratégicas.
Com o fim da produção em Linhares, a empresa vai distribuir a fabricação em outras plantas pelo Brasil. De acordo com uma fonte, serão de cinco a sete unidades por meio de parcerias com outras indústrias. Apesar de não citar números, a Leão confirma a estratégia de reformulação do modelo para trazer mais eficiência para o negócio.
"Na prática, estamos ajustando o nosso modelo de negócio, até então atendido em uma malha centralizada de produção, o que funcionou bem por um tempo. Mas, nos últimos anos, chegamos à conclusão que o mesmo precisava passar por uma revisão e passar para uma nova malha de produção descentralizada, sendo atendida por diferentes unidades produtivas distribuídas em diferentes regiões do país"
Leão Alimentos e Bebidas - Por meio de sua assessoria de imprensa
De acordo com fontes ouvidas pela coluna, a saída da Leão não teve relação direta com dificuldades institucionais ou insatisfações sobre o ambiente de negócios e nem mesmo com a própria pandemia do novo coronavírus, que tem sido justificativa de muitas empresas para a reavaliação de negócios em diversos segmentos. A mudança de estratégia foi pautada de fato na eficiência do processo produtivo e a própria empresa descartou qualquer estremecimento com o Estado.
“Reforçamos que a decisão não tem nenhuma relação com qualquer aspecto regional e sim com uma revisão da estratégia de negócio. Somos muito gratos ao Espírito Santo, que sempre nos acolheu muito bem”, ressaltou a Leão Alimentos, que conta ainda com operações no Paraná e em São Paulo. Os dois Estados, porém, não devem ser impactados pelas mudanças previstas.

EMPRESA PREPARA PROGRAMA PARA PROFISSIONAIS DESLIGADOS

Com o fim das atividades da Leão Alimentos e Bebidas em Linhares, os profissionais que fazem parte do quadro - cerca de 800 - deverão ser desligados. A companhia explicou que não é possível garantir, neste momento, que parte deles serão aproveitados porque “dependerá muito da disponibilidade de posições em outras unidades e da mobilidade dos profissionais”.
A empresa esclareceu, entretanto, que está preparando um pacote de apoio aos trabalhadores que envolve desde uma gratificação adicional até um programa de requalificação e recolocação profissional.
A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, afirmou que a entidade vem acompanhando de perto a situação e que a empresa tem um plano organizado para o fim das atividades. Segundo ela, é possível que a federação faça uma parceria para que sejam oferecidas capacitações aos profissionais que perderem seus empregos.
Centro de Distribuição da Leão Alimentos em Linhares
Centro de Distribuição da Leão Alimentos em Linhares Crédito: Leão Alimentos/Divulgação

INTENÇÃO É ATRAIR NOVA EMPRESA PARA LINHARES

Cris Samorini, presidente da Findes, explicou que com o encerramento das operações da Leão Alimentos e Bebidas, a ideia é tentar viabilizar no mesmo local a vinda de uma empresa com perfil produtivo semelhante, mas que tenha um público consumidor não só voltado para o mercado doméstico, mas também para o mercado externo.
"Seria interessante ir para a região alguma companhia que exporte. Aí, a gente faz a conexão com o que o Espírito Santo tem vocação, que é o comércio exterior. O mercado de alimentos e bebidas precisa trabalhar com o que chamamos de “preço de combate”. Por isso, o custo é tão importante"
Cris Samorini - Presidente da Findes
De acordo com Samorini, pelo fato de o mercado consumidor capixaba ser pequeno e a unidade de Linhares ser responsável por distribuir as mercadorias para todo o país esses custos acabaram pesando para a empresa. “Ainda mais considerando o nível crítico da malha rodoviária brasileira.”
A coluna questionou à Leão Alimentos e Bebidas se a unidade em Linhares foi vendida para algum outro grupo ou se há negociação nesse sentido. De acordo com a empresa, por enquanto não. 
“A unidade de Linhares não foi vendida. Neste momento, não temos ou estamos negociando a venda da unidade com nenhuma outra empresa. Até este momento, estamos focados em organizar o processo de transição da capacidade, assim como ter total atenção aos cuidados que precisamos ter com os nossos funcionários. Agora, com os funcionários informados, vamos abrir uma nova etapa sobre como vamos direcionar os encaminhamentos sobre os sites e seus ativos”, informou.
Unidade da Leão Alimentos e Bebidas em Linhares, Norte do Espírito Santo
Unidade da Leão Alimentos e Bebidas em Linhares, Norte do Espírito Santo Crédito: Leão Alimentos e Bebidas/Divulgação

REPERCUSSÃO

A coluna procurou o governo do Estado e a Prefeitura de Linhares para comentarem a decisão da empresa. O município informou que até a tarde deste sábado (7) ainda não havia sido comunicado oficialmente sobre o encerramento das atividades da Leão Alimentos e, "tão logo isso aconteça, irá se manifestar". Já o governo capixaba falou sobre “diálogo constante”.
“A Secretaria de Desenvolvimento (Sedes) esclarece que mantém diálogo constante com a diretoria da Leão Alimentos e Bebidas para garantir a manutenção de empregos e continuidade de suas operações, na unidade de Linhares, mesmo que venha a ser executada por outro grupo econômico. Apesar da crise mundial provocada pelo novo coronavírus, que acarretou o fechamento de inúmeras fábricas no país e no mundo, é importante frisar que nos últimos dois anos, o Espírito Santo registrou a abertura de 15.182 novas empresas em todo território capixaba, o que proporciona mais empregos para os capixabas.”

Confira os esclarecimentos da Leão Alimentos à coluna

1) Quando a empresa vai encerrar as atividades?
A empresa confirma que informou aos seus funcionários que está passando por uma transição da sua malha de produção e pretende desmobilizar suas operações industriais em Linhares no segundo semestre de 2021.

2) Qual o motivo para o fechamento da unidade de Linhares?
Redução, ampliação ou qualquer decisão em torno de uma operação fabril implicam numa série de estudos e possibilidades que são realizadas previamente e levam em consideração, diversas variáveis econômicas, sociais e ambientais, visando a melhor viabilidade estratégica e sustentação das operações. Nenhuma decisão é implantada da noite para o dia e, quando executada, deve ser sempre precedida de uma atuação responsável com todas as pessoas diretamente afetadas. Por isso, estamos conduzindo este processo com o máximo de antecedência, respeito com as pessoas que serão potencialmente afetadas, em especial nossos funcionários, visando uma atuação transparente com todos e cuidadosa com nossos funcionários.

3) Há relação com a pandemia? Mercado consumidor? Ambiente de negócios no ES?
Ressaltamos que esta decisão está pautada exclusivamente em motivações do negócio, visando um aprimoramento das nossas eficiências operacionais para reforçar nossas estratégias e a competitividade do nosso portfólio. Na prática, estamos ajustando o nosso modelo de negócio, até então atendido em uma malha centralizada de produção, o que funcionou bem por um tempo, mas, nos últimos anos, chegamos à conclusão que o mesmo precisava passar por uma revisão e passar para uma nova malha de produção descentralizada, sendo atendida por diferentes unidades produtivas distribuídas em diferentes regiões do país. Visando assim maior eficiência para os nossos processos produtivos e logísticos das nossas operações. Portanto, reforçamos que a decisão não tem nenhuma relação com qualquer aspecto regional e sim com uma revisão da estratégia de negócio. Somos muito gratos ao Espírito Santo, que sempre nos acolheu muito bem.

4) Onde a produção que hoje é feita em Linhares será realizada assim que a empresa capixaba fechar?
Conforme respondido na pergunta anterior, em diferentes fábricas distribuídas nas diversas regiões do país. Devendo, para tanto, seguir premissas contratuais de qualidade, eficiência, rede de fornecedores de suas matérias-primas e adequação tecnológica para preservação das características próprias de seus produtos. Buscamos sempre por medidas internas e externas focadas na sustentabilidade do negócio, sem abrir mão dos nossos compromissos de qualidade com nossos consumidores.

5) Quantos profissionais trabalham hoje na Leão Alimentos Linhares?
Em Linhares, atualmente temos cerca de 800 funcionários diretos.

6) Todos esses profissionais serão dispensados ou haverá aproveitamento de parte da mão de obra?
Como procedimento padrão, sempre que possível buscamos realizar o aproveitamento dos nossos profissionais. Contudo, neste caso, como ao final do processo de transição, no segundo semestre de 2021 as operações serão desmobilizadas, isso dependerá muito da disponibilidade de posições em outras unidades e a mobilidade dos profissionais. Portanto, não temos neste momento, com dar nenhuma garantia sobre isso. Compartilharemos com as demais empresas do Sistema os talentos que passam a estar disponíveis e estaremos abertos às demais indústrias do segmento para recomendá-los. Neste momento, nosso principal objetivo será fazer uma transição, buscando administrar e buscar meios de gerar o menor impacto possível aos nossos funcionários e suas famílias.

7) Como vai ser esse processo de desligamento dos profissionais?
Ocorrerá com total transparência e no segundo semestre de 2021, viabilizando um suporte social e profissional, como pacote de apoio que envolve desde uma gratificação adicional até um programa de requalificação e recolocação profissional.

8) Desde quando a Leão atuava em Linhares?
Desde 2005. Em 2002 foi a fundação até ser comprada em 2005, passando então a ser uma fábrica da Leão Alimentos.

9) Quais eram os produtos que faziam parte da linha de produção da empresa no ES?
Sucos e néctares.

10) Qual era a produção em volume/ano da Leão Linhares?
Por motivos estratégicos, não divulgamos informações pertinentes a capacidade produtiva, faturamento e outras.

11) Quais são as outras unidades da Leão no Brasil? Elas também vão passar por alguma mudança estrutural, como a unidade do ES?
A empresa conta com operações nos Estados do Paraná e São Paulo, mas essa é uma decisão que impacta principalmente a operação local, em Linhares, e seus efeitos devem ser sentidos com mais ênfase na região.

12) A unidade de Linhares foi vendida ou está em negociação de venda para alguma empresa do mesmo ramo?
Não, a unidade de Linhares não foi vendida. O que anunciamos foi uma transição da nossa capacidade produtiva e a desmobilização da unidade no segundo semestre de 2021, quando encerramos as atividades. Neste momento, não temos ou estamos negociando a venda da unidade com nenhuma outra empresa

13) Caso positivo, é possível informar a empresa? Ou se ela assume imediatamente à saída da Leão em 2021?
Conforme respondido acima.

14) Caso negativo, a venda da unidade com a infraestrutura e os equipamentos é avaliada pela companhia?
Até este momento, estamos focados em organizar o processo de transição da capacidade, assim como ter total atenção aos cuidados que precisamos ter com os nossos funcionários. Agora com os funcionários informados, vamos abrir uma nova etapa sobre como vamos direcionar os encaminhamentos sobre os sites e seus ativos.

Respostas na íntegra

ES PERDEU OUTRAS GRANDES EMPRESAS EM 2020

Em agosto deste ano, a TechnipFMC anunciou o encerramento da produção de tubos flexíveis voltados para a cadeia de petróleo e gás na planta localizada no Porto de Vitória. A multinacional optou por transferir, a partir de dezembro, suas operações para o Porto de Açu, no Rio de Janeiro. Já mais recentemente, em outubro, foi a vez de a Tangará Foods, indústria do ramo de alimentos localizada em Vila Velha, informar que vai deixar o Estado rumo à cidade de Manhuaçu, em Minas Gerais.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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