Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Indústria automotiva

Fábrica da Marcopolo: Por que o ES levou a melhor sobre o RJ?

Empresa, que é líder na produção de carrocerias de ônibus no Brasil, vai encerrar atividades da unidade de Duque de Caxias e transferir parte da fabricação para a planta de São Mateus

Publicado em 10 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 out 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Marcopolo/Volare: unidade de São Mateus
Vista aérea da fábrica da Marcopolo em São Mateus, no Norte do Estado Crédito: Marcopolo/Divulgação
anúncio da Marcopolo de encerrar suas atividades na planta industrial de Duque de Caxias a partir de 30 de outubro caiu como um balde de água fria para o Rio de Janeiro, que deixará de ter as operações da empresa que é líder no Brasil na produção de carrocerias de ônibus e uma das maiores do mundo no segmento.
Mas para o Espírito Santo a notícia é uma verdadeira oportunidade, uma vez que parte da produção fluminense de ônibus urbanos passará a ser realizada na unidade da empresa em São Mateus.
A companhia, que tem 14 fábricas espalhadas pelo mundo e está no Norte capixaba desde 2014, não detalhou em quanto será incrementada a fabricação no Estado, mas explicou à coluna que a capacidade máxima produtiva é de 12.500 unidades por ano, ou seja, ainda há um amplo espaço para o grupo crescer por aqui.
Para se ter uma ideia, no primeiro semestre de 2020 foram fabricados 499 ônibus, uma média de quatro por dia. Apesar de o número ainda ser pequeno na comparação com a capacidade, ele indica que a produção local vem se consolidando. Mesmo com a crise da pandemia do novo coronavírus, a planta capixaba registrou de janeiro a junho, uma produção bem superior a do mesmo período de 2019, quando foram fabricadas 193 carrocerias.
Agora, com a transferência das operações de Duque de Caxias para São Mateus, o ritmo de crescimento da produção capixaba deve ser acelerado, ainda que existam muitas incertezas relacionadas à pandemia e ao cenário econômico.
Mas o que levou a Marcopolo a encerrar as atividades na planta fluminense e transferir a produção de suas linhas para o parque fabril capixaba?
A justificativa da companhia para a concentração das operações brasileiras em um número menor de plantas se baseia na redução de custos e no incremento da eficiência.
Para algumas fontes ouvidas pela coluna, há uma combinação de fatores que contaram pontos para a unidade de São Mateus absorver as atividades e o ES levar a melhor.
A planta local é nova e, portanto, mais moderna e eficiente. É ela que vai atender aos mercados do Norte e do Nordeste do país, que são regiões com grande potencial de crescimento. A unidade está em uma área que é beneficiada por incentivos fiscais. Além de, no Estado, a empresa usufruir de um ambiente de negócios e de uma relação institucional com o governo mais sadia e equilibrada.
“No Espírito Santo, ela não fica tão exposta aos tumultos que estamos vendo acontecer diariamente no Rio de Janeiro. E sem contar que aqui além da segurança jurídica, ela tem uma segurança física e patrimonial maior”, analisou um analista empresarial.
Outra fonte que conhece bem o setor contou à coluna que a ideia de trazer as atividades do Rio para o Estado não foi tomada exclusivamente por conta da baixa demanda do mercado com a crise da Covid-19. A empresa já vinha fazendo estudos e revisando processos para concentrar suas operações nacionais nas duas plantas que têm em Caxias do Sul (RS) e na de São Mateus.
Centro de treinamento da Marcopolo
Centro de treinamento da Marcopolo Crédito: Divulgação
Tanto é que, em setembro do ano passado, a gigante do transporte anunciou R$ 14 milhões em investimentos no sítio capixaba, com foco na verticalização da produção e na diversificação do mix de veículos para o mercado doméstico e internacional.
Com esse passo que foi dado em 2019, a fábrica de São Mateus poderá começar a produzir os veículos que antes eram feitos no Rio sem a necessidade de uma grande reestruturação. De acordo com a Marcopolo, a planta capixaba “já conta com estrutura, capacidade operacional e cadeia de fornecedores necessárias para essa adequação entregando produtos tanto para mercado interno quanto externo”.

POLO AUTOMOTIVO

O aumento da produção das carrocerias de ônibus no Estado pode reforçar, na avaliação do consultor empresarial Durval Freitas, a oportunidade de o Espírito Santo desenvolver um polo automotivo. Ele lembra que além da Marcopolo, o Norte capixaba já recebeu projetos da Randon (Linhares) - maior fabricante de reboques e semirreboques da América Latina - e da Agrale, que produz chassis de ônibus e caminhões leves em São Mateus.

ESTÍMULO PARA PROJETO SIDERÚRGICO

Outro desdobramento que o incremento das operações da Marcopolo e o desenvolvimento, mesmo que a médio prazo, de um parque industrial automotivo podem trazer para o Estado é em relação aos projetos da ArcelorMittal Tubarão (AMT).
Durval Freitas acredita que o polo deve reforçar a importância de a siderúrgica diversificar sua produção no Espírito Santo e, com isso, desenvolver um projeto que há anos está em seu radar: uma planta para a fabricação de laminados de tiras a frio.
Ele explica que a laminação a frio produz o aço que é utilizado em veículos e eletrodomésticos, por exemplo, e que esse processo é realizado atualmente na ArcelorMittal Vega, em Santa Catarina. Freitas acredita que a verticalização da produção deve levar de cinco a 10 anos para acontecer.
"Esses movimentos são grandes oportunidades que se apresentam para o Espírito Santo. Além de diversificar a nossa economia, contribuem para fortalecer a indústria de base e gerar postos de trabalho mais qualificados"
Durval Freitas - Consultor empresarial
Linha de produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus
Linha de produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus Crédito: Marcopolo/Reprodução de vídeo

EMPREGOS

A expectativa é que mais empregos sejam criados pela Marcopolo com o aumento da produção de veículos. Mas a empresa não divulgou potenciais oportunidades. Hoje são 1.065 colaboradores atuando na unidade de São Mateus.

ENQUANTO UNS CHORAM, OUTROS VENDEM LENÇOS

Como citei no início deste texto, o Rio de Janeiro tem alguns motivos para se lamentar. O Espírito Santo, por sua vez, tem um leque de oportunidades para aproveitar. Para isso, precisa ter um foco cada vez maior na atração de negócios e na oferta de condições que mantenha o Estado sempre na vitrine do país.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Moradores reclamam de falta de água e cor alterada após manutenção da Cesan
Moradores reclamam de falta de água e cor alterada após manutenção da Cesan
Imagem de destaque
Bairro da Penha conquista tricampeonato da Taça EDP das Comunidades 2026 com gol no último lance
Imagem de destaque
Alvorada conquista título da Taça EDP das Comunidades 2026 em sua estreia na competição

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados