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Samarco conclui reparos e entra na reta final para voltar a operar no ES

Paralisada desde 2015, empresa, que já chegou a representar cerca de 5% do PIB capixaba, concluiu ações de manutenção e preparação para retorno das atividades

Publicado em 02/10/2020 às 20h09
Atualizado em 03/10/2020 às 13h49
Vista noturna da unidade da Samarco, em Ubu, Anchieta
Vista noturna da unidade da Samarco, em Ubu, Anchieta. Crédito: Jefferson Rocio/Divulgação Samarco

A retomada das atividades da Samarco em Anchieta, no Sul do Espírito Santo, está alguns passos mais perto de sair do papel. A mineradora concluiu ações de manutenção e preparação de ativos que são fundamentais para o retorno das operações.

A companhia, que está com as operações suspensas desde outubro de 2015, com a tragédia de Mariana, em Minas Gerais, informou que as intervenções na área da Preparação, por exemplo, já foram concluídas.

Com isso, os equipamentos estão prontos para tratar a polpa de minério, que chegará à unidade por meio de um dos minerodutos que ligam o Complexo de Ubu à unidade de Germano, em Minas Gerais.

“Além disso, a Usina 4, local onde ocorrerá a transformação da polpa em pelota, nosso principal produto, recebeu atenção especial. Forno, ventiladores e outros ativos passaram por manutenção e estão prontos para voltar a operar”, informou a empresa, por meio de publicação no LinkedIn.

Questionada pela reportagem, a Samarco informou que, apesar dos avanços, a previsão de retomada operacional está mantida para o final do ano e ocorrerá após a implantação do sistema de filtragem, em andamento, e conclusão das atividades de prontidão operacional. A expectativa, segundo a empresa já divulgou, é que a primeira usina seja religada no início de dezembro.

“Com a obtenção da Licença de Operação Corretiva (LOC), em outubro de 2019, a empresa possui todas as licenças ambientais necessárias para reiniciar suas atividades", destacou, em nota.

Na primeira fase da retomada, a empresa voltará com um concentrador em Germano, em Minas Gerais, e uma usina de pelotização em Anchieta, que representam 26% da capacidade produtiva de suas operações.

A previsão de retomada ainda que parcial das operações da Samarco, no Sul do Espírito Santo, fez a empresa criar cerca de 1,3 mil empregos diretos até julho, com previsão de chegar a 2 mil postos de trabalho até o fim do ano, conforme anunciou, à época, o gerente-geral de operações da empresa, Sérgio Mileipe.

A empresa não soube informar quantas contratações ocorreram nos últimos meses, mas explicou que, quando abertas, as vagas são divulgadas no site Vagas.com

Para especialistas, somados empregos diretos e indiretos, a retomada das atividades da mineradora no Estado deve promover 5 mil contratações. "No auge de sua operação, a Samarco representava cerca de 15 mil empregos na região. Esperamos que no retorno ela alcance 5 mil", afirmou o consultor Durval Vieira de Freitas, da DVF Consultoria.

A maior parte das vagas deverá ser oferecida por fornecedores e prestadoras de serviços. Neste caso, as contratações, geralmente, são feitas via Sine. Hotéis, restaurantes, postos de gasolina, empresas de transporte, fornecimento de uniformes, vendas de equipamentos, materiais de controle, entre outros, tendem a ser beneficiados.

Embora as contratações afetem, principalmente, a região Sul, o Estado inteiro ganha com a retomada da empresa. No auge das operações, as atividades da Samarco chegaram a representar cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) capixaba, e, mesmo com o retorno parcial, deve contribuir para elevar entre 1,5% e 2% o indicador do próximo ano.

"Não apenas a Samarco, mas o aumento da produção da Vale, da ArcelorMittal e os investimentos previstos no setor de petróleo e gás devem movimentar bastante a economia no próximo ano", destacou Freitas.

A projeção de melhora é feita também pelo governo estadual, que espera que o retorno da mineradora ajude a superar parte dos prejuízos acumulados ao longo de 2020.

Ao comentar sobre o orçamento previsto para 2021, e a queda da arrecadação em 2020, em função da pandemia do novo coronavírus, o secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, destacou: "Imaginamos que não teremos perdas no ano que vem, e contamos com a possibilidade de retorno da Samarco, o que vai ajudar na atividade econômica.”

O ponto foi reforçado pelo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer-ES), Luis Soares Cordeiro. Segundo ele, a volta da Samarco vai contribuir para que o Estado saia da crise.

“A comunidade capixaba toda está ansiosa para o retorno da Samarco, que é importantíssima para a economia do Estado. O setor metalmecânico, especialmente, tem diversas empresas que tinham a Samarco em sua carteira de clientes e estão otimistas com a volta das operações, ainda que de forma parcial, porque isso tem um impacto muito positivo.”

ETAPAS

A expectativa é que a primeira fase da retomada da Samarco injete R$ 80 milhões no mercado capixaba. Inicialmente, a empresa deve operar com apenas 26% da capacidade, ou seja, com uma das quatro usinas em funcionamento.

Segundo o cronograma, mais uma usina deverá ser religada em 2026, enquanto a retomada total só deverá acontecer em 2030.

Para especialistas, somados empregos diretos e indiretos, a retomada das atividades da mineradora no Estado deve promover 5 mil contratações.

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