Operação apreende carros de luxo e embarcações de empresários no ES

Organização criminosa desarticulada pela Operação Piànjú movimentou mais de R$ 800 milhões e, segundo o MPES, praticava diversos crimes. Os investigados também têm ligação com empresas envolvidas na Operação Lava Jato

Publicado em 15/12/2020 às 08h13
Atualizado em 15/12/2020 às 17h13
Porsche Panamera, Maserati Granturismo S e Mercedes Benz GLA200FF estão entre os modelos apreendidos na operação
Porsche Panamera, Maserati Granturismo S e Mercedes Benz GLA200FF estão entre os modelos apreendidos na operação. Crédito: Montagem | A Gazeta

Carros de luxos, como Porsh, motos aquáticas e embarcações foram apreendidas pela Policia Civil no Espírito Santo, na manhã desta terça-feira (15), na Operação Piànjú, que investiga uma suposta organização criminosa, com atuação interestadual e internacional, com indícios de lavagem de dinheiro. O grupo pode ter movimentado mais de R$ 800 milhões, parte desses recursos de empresas investigadas na Lava Jato, segundo as autoridades. 

Além dos sequestros de bens, no Espírito Santo foram cumpridas três prisões contra os supostos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro. Entre os presos estão os empresários capixabas Wilson Caoduro e Pablo David Eliseo Sandes, que atuam na área náutica e de veículos. Uma terceira pessoa foi presa, mas o nome não foi descoberto pela reportagem.

Os bens sequestrados pela Justiça são de empresários do Estado que podem estar envolvidos no esquema de envio de remessas milionárias para o exterior. Nesta manhã, a PC prendeu três pessoas por suposta participação nos crimes no Estado. Dois veículos alvo da ação, uma Mercedes e um Maserati, ainda não foram encontrados pelas autoridades.

Os recursos enviados ao exterior, cerca de R$ 400 milhões, pertencem, de acordo com as autoridades, a empresas de São Paulo e eram transferidas para cá, por meio de um operador financeiro do Ceará, para empresas de fachada e depois encaminhados para companhias legalmente constituídas em território capixaba antes de irem para China e Estados Unidos.

A operação deflagrada para desarticular a suposta quadrilha culminou ainda com seis pessoas presas em São Paulo e uma no Ceará. A ação foi organizada pela Polícia Civil capixaba com apoio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo, das Polícias Civis de São Paulo, Alagoas e Ceará e da Capitania dos Portos.

O grupo criminoso, desbarato, de acordo com os investigadores, atuava de forma estruturada com a finalidade de praticar diversos crimes, entre eles: organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e particulares, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, falsidade ideológica, estelionato e falsa comunicação de crime. Foram apreendidos veículos de luxo, motos aquáticas e embarcações. Os investigados também têm ligação com empresas envolvidas na Operação Lava Jato, de acordo com o Ministério Público.

Na Operação Piànjú, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Sandes Náutica Marine, em Pontal de Camburi, em Vitória, onde estão as supostas embarcações envolvidas em diversos crimes contra o mercado financeiro. As informações são da TV Gazeta.

Forças da PC, em conjunto com o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), também foram concessionária Akira Suzuki, em Itaparica, Vila Velha, também cumprindo mandados de busca e apreensão. A ação foi flagrada pela reportagem de A Gazeta, que se encontrava no local durante a abordagem.

Apesar do movimento nas duas empresas, não há informações se os estabelecimentos são partes dos esquemas criminosos investigados pelas autoridades do Estado. 

A operação ocorreu de forma simultânea nos Estados do Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), São Paulo (Capital, Santos e Jaguariúna), Ceará (Fortaleza) e Alagoas (Maceió), tendo sido empregados 118 agentes, entre delegados, investigadores e agentes das Polícias Civis dos Estados do Espírito Santo, São Paulo, Ceará e Alagoas, além de promotores de Justiça e agentes do Gaeco do Espírito Santo e de São Paulo.

Foram expedidos 126 mandados judiciais, sendo, 18 mandados de prisão preventiva, 5 mandados de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão, 23 sequestros de embarcações, 43 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias e 2 ordens judiciais de suspensão de atividades econômicas.

Entre as ordens de busca e apreensão encontram-se 12 imóveis, 3 veículos de luxo (Porsche Panamera, Maserati Granturismo S e Mercedes Benz GLA200FF), 12 motos aquáticas e 11 embarcações.

Durante dois anos de investigação, a Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos apontou que a célula da organização criminosa investigada, que atuava no Estado do Espírito Santo, composta por dois grandes empresários capixabas, além de diversos outros membros, agia como “prestadora de serviços” de lavagem de capitais para outras organizações criminosas.

Possuía, inclusive, segundo as investigações, ligação com empresas e pessoas investigadas e denunciadas no âmbito de diversas fases da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, entre elas, a Operação Chorume, Operação Descarte, bem como empresas que já foram investigadas por atuarem com os doleiros Alberto Youssef e Nelma Kodama, todos no âmbito da Força Tarefa da Operação Lava Jato, além de uma empresa investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por desvios de mais de R$ 98 milhões em ICMS. A organização criminosa sediada no Estado do Espírito Santo movimentou mais de R$ 800 milhões.

Foram dados cumprimentos aos mandados de prisão expedidos dos membros responsáveis pelo esquema de lavagem de capitais, que era realizado por meio de empresas de fachada e fictícias, criadas valendo-se de identidades falsas, expedidas pelo Setor de Identificação da própria Policia Civil do Estado do Espírito Santo, onde a organização criminosa se valia da precariedade do sistema atual de emissão de identidades civis e os beneficiários da lavagem, ou seja, os “clientes”, que tinham os valores remetidos para contas de empresas na China e EUA.

A reportagem da TV Gazeta tentou falar com os dois empresários na delegacia, mas eles não quiseram se pronunciar. Os advogados de defesa informaram que vão se inteirar do caso.

Com informações do Ministério Público do Espírito Santo e da TV Gazeta.

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