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Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 10:02
Um estudo mostrou que quase 400 mil capixabas começaram a ser beneficiados com a reforma do Imposto de Renda por meio do projeto de lei que ampliou a faixa de isenção para até R$ 5 mil, totalizando uma renda extra de quase R$ 70 milhões. A pesquisa revelou ainda que o cumprimento da promessa do início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva atinge principalmente a classe média que menos votou no então candidato à presidência do PT, no segundo turno das eleições de 2022, e mora em municípios no interior do Centro-Sul do país.>
Os dados foram levantados pela consultoria 4Intelligence, que cruzou informações do Ministério do Trabalho e Emprego e da Justiça Eleitoral visando checar a quantidade de beneficiários pela isenção do Imposto de Renda, a distribuição geográfica, a opção eleitoral no segundo turno das eleições de 2022 e as localidades concentradoras desses beneficiários.>
Foram utilizados dados de remuneração média da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) completa por faixas de salário-mínimo de 2023, uma vez que a de 2024 foi divulgada parcialmente no período de análise do estudo, bem como os saldos mensais do Novo Caged em 2025. Assim, chegou-se à estimativa que a isenção pode beneficiar entre 17,9 milhões e 19,7 milhões em todo o país, sendo 379 mil capixabas.>
Ao analisar a renda, os municípios do Espírito Santo com maior população, como Vitória (77 mil), Serra (68 mil) e Vila Velha (39 mil) se destacam entre os com mais trabalhadores com carteira assinada beneficiados pela isenção, como explica o economista Bruno Imaizumi, da 4Intelligence.>
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“Municípios como Vitória, Serra e Vila Velha correspondem a quase 50% dessa renda extra disponível, somam R$ 33,6 milhões dos R$ 68,6 milhões estimados, é onde temos o maior número absoluto de trabalhadores com carteira assinada”, destaca.>
Na avaliação do economista, a reforma promove uma transferência de renda, ao passo que pessoas mais propensas a poupar vão pagar mais impostos e vão liberar renda àqueles mais propensos a consumir, o que pode promover um incremento no Produto Interno Bruto (PIB). >
“Apesar de não ter um acréscimo na massa total de rendimentos, a medida vai estimular o consumo e, consequentemente, o PIB. Porque essas pessoas que agora vão ter mais renda, são mais propensas a consumir. Obviamente, tem que fazer um contraponto aqui, que, não necessariamente, todo esse dinheiro extra líquido disponível, vai ser 100% destinado a consumo, porque a gente tem um endividamento alto das pessoas, elas podem utilizar isso para pagar dívida ou até mesmo poupar”, contextualiza.>
Bruno Imaizumi
EconomistaPela perspectiva abordada no estudo, os beneficiados são trabalhadores de municípios com o maior percentual de votos em Bolsonaro no segundo turno de 2022. Os Estados onde o candidato do PL teve a maior votação e tende a concentrar os percentuais mais altos de trabalhadores beneficiados pela reforma são: Santa Catarina (42,2%), Rio Grande do Sul (40,4%), Paraná (39,4%), Mato Grosso (38,7%), São Paulo (38,6%) e Mato Grosso do Sul (35,1%).>
Já entre Estados com maior número absoluto de beneficiados aprecem São Paulo (6,3 milhões), Minas Gerais (1,9 milhão), Paraná (1,5 milhão), Rio de Janeiro (1,4 milhão), Rio Grande do Sul (1,3 milhão) e Santa Catarina (1,2 milhão).>
Para Bruno Imaizumi, a medida tende a beneficiar diretamente quem não apoiou Lula, mas o impacto pode ser mitigado devido à polarização política.>
“A gente percebeu que a maioria dos beneficiados estão concentrados em municípios onde Lula perdeu o segundo turno de 2022. Então, parte dessas pessoas que não votaram nele podem votar sim neste ano, se realmente perceberem que suas vidas melhoraram nesses 4 anos. Obviamente, esse efeito vai ser mitigado pelo mundo polarizado que a gente vive. Então, mesmo com o aumento de renda, a pessoa pode preferir manter a sue ideologia e não transferir seu voto ao petista”, avalia.>
Ao considerar somente as capitais, a correlação entre benefício e voto praticamente desaparece. Nessas cidades, o percentual de beneficiados é mais homogêneo, sem relação direta com a escolha eleitoral. A estimativa conta com 6,3 milhões de trabalhadores contemplados nas capitais, sendo 1,9 milhão só na cidade de São Paulo e 732 mil no Rio de Janeiro. Proporcionalmente, Porto Alegre (36,1%), Curitiba (35,3%), São Paulo (34,9%) e Manaus (34,3%) são as capitais com mais beneficiados.>
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