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No ES, Minha Casa Minha Vida salva venda de imóveis durante a crise

No ES, Minha Casa Minha Vida salva venda de imóveis durante a crise

Por ser o primeiro imóvel, para muitas famílias, e ter uma demanda maior, ele tem vendas mais estabilizadas do que o de outros segmentos, como o de luxo

Publicado em 4 de junho de 2020 às 19:52

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Financiamento de imóveis na planta são mais atrativos
Do total de unidades em fase de produção na região da Grande Vitória, incluindo lançamentos, aproximadamente 57% já foram comercializadas. (Freepik)

A pandemia do novo coronavírus está afetando fortemente o setor imobiliário e o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) tem sido uma espécie de “salvador” neste período de crise do coronavírus. Por ser o primeiro imóvel, para muitas famílias, e ter uma demanda maior, ele tem vendas mais estabilizadas do que as de outros segmentos, como o de luxo. Além disso, o crédito mais barato melhorou as condições de financiamento.

As vendas de residências, de acordo com o 34º Censo Imobiliário da Grande Vitória, coordenado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES) e realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies/Findes), estão em velocidade maior nos empreendimentos voltados para o público de baixa renda. 

Do total de unidades em fase de produção na região da Grande Vitória, incluindo lançamentos, aproximadamente 57% já foram comercializadas. O índice mais alto é na Serra, com 69%; seguido de Cariacica, com 65%; Vitória, com 50%; e Vila Velha, com 46%. 

A velocidade de vendas - analisada pelo indicador Velocidade Sobre Oferta (VSO) - nos empreendimentos do PMCMV no segundo semestre de 2019, foi, de modo geral, quase o dobro da velocidade dos demais segmentos residenciais (com média mensal de 8,1% e 4,2% respectivamente).

O diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, explica que nos primeiros meses do ano, antes da pandemia do coronavírus atingir em cheio o mercado capixaba, o setor imobiliário acompanhava o desempenho que teve em 2019. 

"Os meses de janeiro e fevereiro estavam retomando a venda. Então, veio pandemia em março, a maior parte das empresas relatam quedas de venda. Porém em abril e maio voltou a ter uma boa demanda, dando continuidade às vendas que havia no ano passado. Entendemos que quando a pandemia passar vamos continuar a tendência do ano passado", comenta. 

Em todo o segmento residencial, segundo a pesquisa, os resultados demonstram que houve maior aquecimento de vendas no segundo semestre do que no primeiro semestre, em todos os municípios, no ano de 2019, com exceção apenas do segmento residencial fora do PMCMV na Serra. "A demanda é maior nas classes de renda mais baixa, que é geralmente o primeiro imóvel dessas pessoas. As pessoas têm essa demanda maior por um bom local para viver com a família, com segurança e lazer", comenta.

Um cenário que contribui para a manutenção das compras de imóveis é o de taxas de juros baixas. Quem compra um imóvel hoje e precisa contratar um financiamento terá taxas históricas. Devido aos sucessivos cortes de taxas de juros, feitas pelo Banco Central.

Ainda segundo Borges, o mercado de imóveis de baixa renda oscila menos do que o de média-alta. No mercado de alto padrão, a pessoa, muitas das vezes, está comprando para trocar de moradia. Dessa forma a compra não é urgente e a pessoa pode esperar. Outro motivo é a pessoa que compra para investir, que segue as tendências do mercado.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e presidente do Sinduscon, Paulo Alexandre Baraona, aponta que os empreendimentos que foram lançados antes da pandemia continuam em execução, mas com cronogramas mais dilatados. Já os que seriam lançados a partir de março foram suspensos.

"Como os imóveis são um mercado mais seguro, algumas pessoas procuram para comprar como uma alternativa ao cenário de queda da Bolsa de Valores. Os fundos imobiliários, por exemplo, tiveram queda no início da pandemia, mas está começando a melhorar. Temos que lembrar ainda que as empresas que sobraram no mercado nos últimos 5 a 6 anos, depois da crise do setor, são companhias mais estruturadas, sólidas e voltadas para o mercado atual", aponta.

Ainda de acordo com a pesquisa, os preços médios de imóveis residenciais em oferta no mercado são, de modo geral, mais altos em Vitória, seguidos de Vila Velha e Serra, que apresentam preços aproximadamente 30% e 50% inferiores à capital, respectivamente.

De acordo com Eduardo Borges, é necessário cuidado com a interpretação, visto que, ao contrário de Vitória, na Serra e em Vila Velha também existe expressiva oferta de empreendimentos enquadrados no Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), incorporados pela iniciativa privada (faixas 1,5; 2 e 3).

COMO FOI FEITO O CENSO

Foram usados dados de 37 incorporadoras e construtoras que representam aproximadamente 75% do mercado imobiliário. Os dados foram coletado via Sistema Web – Sphinx. Os empreendimentos registrados têm área de construção total superior a 800 m².

O Censo Imobiliário faz um levantamento e acompanhamento de empreendimentos imobiliários nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, desde o lançamento comercial, à conclusão das obras e venda total das unidades, por meio de uma pesquisa direta aos incorporadores que atuam na área de abrangência. 

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