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Efeito da pandemia

Rendimento financeiro negativo coloca o imóvel no radar dos investidores

Diante das expressivas perdas em razão da pandemia, e das incertezas na economia, investidores se mostram mais cautelosos na aplicação do dinheiro. É neste cenário que o imóvel se mostra uma das poucas alternativas a superar a inflação

Publicado em 19 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

19 mai 2020 às 05:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

12/12/2019 - Vitória - ES - Mercado imobiliário - Vista aérea de prédios de Vitória - Enseada do Suá
Mercado imobiliário - Vista aérea de prédios de Vitória, na Enseada do Suá Crédito: Luciney Araújo
A redução da taxa de juros para o patamar de 3% ao ano colocou o Brasil em situação similar à maioria dos países europeus, onde o rendimento das aplicações de renda fixa é negativo.
A conta é simples: basta deduzir do rendimento líquido destas aplicações (no entorno de 90% da taxa Selic) a inflação anual estimada em 3,5%, que a perda financeira é evidente. Além do mais, como o Banco Central já sinalizou mais reduções da Selic, as perdas serão ainda maiores.
A pandemia, como se sabe, foi implacável com os investimentos financeiros. Principalmente com os mais arrojados e/ou atrelados à renda variável. A Bovespa, cujo índice (Ibovespa) chegou a alcançar o nível de 116 mil pontos em dezembro de 2019, despencou para o patamar dos 75 mil pontos, amargando uma perda da ordem de 35%. Ou seja, foi muito dinheiro que rolou ladeira abaixo. Pode haver uma recuperação? Pode, mas em que prazo? Ninguém sabe.
Muito embora o mercado financeiro cumpra o relevante papel de financiar as atividades produtivas, e os investimentos financeiros sejam essenciais para fazer rodar a economia, cabe ao investidor – principalmente pessoa física pela falta de garantia real – uma cuidadosa avaliação na aplicação do seu dinheiro. A conjugação dos quesitos rentabilidade, liquidez e riscos são essenciais na escolha do tipo de aplicação – sempre levanto em conta a necessidade de preservação da maior parte do seu patrimônio pessoal/familiar.
Diante das expressivas perdas registradas em razão da pandemia, e das incertezas que hoje permeiam a economia, os investidores se mostram mais cautelosos na aplicação do seu dinheiro. É neste cenário que o imóvel, visto como investimento se mostra uma das poucas alternativas a superar a inflação.
Nessa conta, por óbvio, há que se computar o rendimento com o aluguel (se for esta a opção) ou o valor da fruição do bem, além da valorização. É certo que imóvel é investimento de baixa liquidez. Mas, por outro lado, é de baixo risco – patrimônio sólido.
Franklin Roosevelt, no alto da sua sabedoria, sentenciou: “Um imóvel não pode ser perdido, roubado, ou levado por ninguém. Comprado em um bom negócio, pago integralmente, e gerido com cuidado razoável, é o investimento mais seguro do mundo”.
Neste grave cenário nacional, em que não se consegue vislumbrar o desfecho da crise política nem o tamanho do estrago na economia, há que se reconhecer a veracidade daquelas sábias palavras do presidente Roosevelt.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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