Gigantes da Educação negociam e Leonardo da Vinci pode ser vendida de novo

Grupo Cogna, ao qual pertence a escola de Vitória, quer vender ativos à Eleva que, por sua vez, negocia seu sistema de ensino com a rival

Vitória
Publicado em 07/01/2021 às 19h07
Fachada do colégio Leonardo da Vinci, em Vitória
Fachada do Centro Educacional Leonardo da Vinci, em Vitória. Crédito: Vitor Jubini / Arquivo

O Centro Educacional Leonardo da Vinci, em Vitória, no Espírito Santo, pode trocar de donos pela segunda vez em três anos. O seu  atual gestor, o Grupo Cogna, está em negociação com outra gigante do setor, a Eleva Educação. A transação entre as empresas envolveria a compra dos colégios da Cogna pela Eleva que, por sua vez, venderia seu sistema de ensino à rival.

Em abril de 2018, a maior empresa de educação privada do Brasil e uma das maiores do mundo, a Kroton, criou uma holding chamada Saber e adquiriu o Leonardo Da Vinci. A escola de Vitória tinha sido gerenciada pelos fundadores, a família de José Antônio Pignaton, por 28 anos. O empresário e professor morreu meses após a transferência.

Já em outubro de 2019, a Kroton mudou de nome e passou a se chamar Cogna. Agora, outra gigante da educação está de olho no colégio, a Eleva, que tem entre os acionistas o empresário Jorge Paulo Lemann - considerado pela Forbes o segundo homem mais rico do Brasil.

As informações sobre as tratativas foram vazadas pelo Valor Econômico e confirmadas pela Cogna em um fato relevante divulgado ao mercado, nesta quinta-feira (7). Segundo o jornal, as conversas sobre a negociação partiram da Eleva, que pretende realizar uma abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), em meados deste ano, já apresentando aos investidores uma companhia maior.

No fato relevante, a Cogna explicou que a transação poderá envolver a venda de determinadas escolas controladas direta ou indiretamente pela Saber (o que pode incluir o Leonardo Da Vinci) à Eleva, bem como a aquisição de sistema de ensino detido pela Eleva pela Somos Sistemas de Ensino S.A., sociedade controlada pela Cogna e pela Vasta Platform Limited.

"A Cogna e a Saber informam ainda que nenhum documento vinculante a respeito da Transação foi assinado até a presente data e que não há qualquer garantia de que um acordo será alcançado entre as partes", disse a empresa na publicação. 

A Gazeta teve acesso a um comunicado interno enviado pelo colégio Leonardo Da Vinci aos empregados. Nele, a escola confirma as negociações, mas afirma que até o momento não há atos concretos a esse respeito.

"Essas conversas possuem teor de negociação e não há qualquer garantia de que um acordo será alcançado. Por restrições legais de confidencialidade, detalhes da negociação ainda não podem ser divulgados, mas continuamos com o compromisso de mantê-lo informado sobre o andamento da transação", diz o colégio.

ENTENDA O QUE ESTÁ EM NEGOCIAÇÃO

Atualmente, a Cogna possui 52 escolas conceituadas - como pH (RJ), Leonardo Da Vinci (ES), Sigma (Brasília) e Motivo (PE). No acumulado dos nove primeiros meses do ano passado, a receita líquida foi de R$ 480 milhões.

De acordo com o Valor, para a Cogna, a compra do sistema de ensino da Eleva, que é adotado por cerca de 200 mil alunos de 300 escolas, fortaleceria o negócio de material didático do grupo, que já é formado por marcas como Anglo, pH, entre outras.

Outro fator importante é que essa transação atenderia a demanda de investidores, que cobram por aquisições relevantes por parte da Vasta, empresa que é braço de educação básica da Cogna e que fez um IPO no ano passado.

De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, as conversas entre as empresas, que começaram há cerca de três meses, ainda enfrentam dificuldades. Isso porque se trata de uma transação complexa, já que ambas as empresas querem manter seus contratos comerciais e não há ainda consenso sobre esses valores.

Segundo o Valor, a Cogna venderia os seus colégios, porém, esses continuariam usando os sistemas de ensino que, normalmente, têm a mesma marca. O mesmo valeria para a Eleva, que venderia o sistema de ensino, mas os alunos de suas escolas permaneceriam estudando com o material didático vendido à Cogna.

Ainda não há consenso também sobre o valor dos ativos, a forma de pagamento e as projeções de matrículas deste ano, em especial, na educação infantil. É importante lembrar que o setor enfrentou uma grande evasão no ano passado devido à pandemia.

OUTRAS TENTATIVAS

Os dois grupos educacionais já tentaram outros acordos. Nos anos de  2017 e de 2019 foram realizadas outras duas tentativas. Porém, desta vez, o ingrediente adicional é o IPO da Eleva e a cobrança de investidores para a Cogna realizar uma aquisição relevante na área de educação básica, cuja oferta de ações na Nasdaq levantou mais de US$ 400 milhões. De acordo com fontes do Valor, a Eleva pretende captar algo entorno de US$ 300 milhões e US$ 350 milhões, com a IPO.

A Eleva foi fundada em 2013 é dona de colégios como Pensi, Coleguium, Elite, Nota 10 e Ideal. O grupo educacional ainda é dono da Escola Eleva, uma das mais conceituadas do Estado do Rio de Janeiro. No total, ela conta com cerca de 115 unidades que juntas possuem, aproximadamente, 70 mil alunos.

A reportagem entrou em contato com o colégio Leonardo Da Vinci, porém não obteve retorno. Quando a escola responder esse conteúdo será atualizado.

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