Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Arrecadação

ES pode perder até R$ 1 bi em royalties com a 'guerra do petróleo'

Valor também inclui perda de receita com participação especial. Queda na arrecadação vai ocorrer se o preço do brent permanecer na faixa dos US$ 30

Publicado em 10 de Março de 2020 às 13:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 mar 2020 às 13:21
Estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre Crédito: Carlos Alberto Silva
queda do preço do barril de petróleo, provocada pela guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, pode ter um forte impacto nas contas do governo estadual. Se o preço do Brent permanecer na faixa dos US$ 30, o Executivo Estadual pode deixar de arrecadar até R$ 1 bilhão por ano, segundo fontes do governo federal.
Nesta terça-feira, 10, o valor do barril de petróleo voltou a subir, mas ainda longe de recuperar as perdas da segunda-feira (9). O combustível estava sendo vendido com uma alta de 10%, alcançando US$ 37 – ainda longe dos US$ 45 registrado no fechamento do último final de semana.
Segundo consta na estimativa de receita divulgada pelo governo estadual, em 2020 é previsto o recebimento de R$ 2,2 bilhões por causa dos royalties de petróleo e participação especial na produção. Porém, a estimativa leva em consideração o preço do barril de petróleo em vigor no fim de 2019 – variando em torno de US$ 60.

R$ 2,2 bilhões

Era quanto o governo estadual esperava receber em 2020 com as receitas do petróleo
“Ainda é cedo para termos a dimensão total do impacto, mas, permanecendo esse cenário, será uma perda bastante relevante. Impacta tanto o Estado quanto os municípios – e muitos já estão com o orçamento comprometido”, destaca o doutor em Ciências Contábeis e professor da Fucape Felipe Storch Damasceno.
Apesar de ninguém saber quanto tempo o impasse vai durar, a Rússia já informou que possui reservas para suportar o baixo preço do petróleo por uma década. Um fundo russo de US$ 150 bilhões pode ser utilizado para alimentar os gastos do governo por 6 a 10 anos caso o petróleo caia ainda mais, chegando a um preço entre US$ 20 e 25.
A Arábia Saudita, por sua vez, anunciou que vai aumentar a produção em cerca de 25% – o que deverá inundar o mercado e poderá baixar ainda mais os preços. Financeiramente, a Arábia Saudita consegue lucrar mesmo com os preços baixos porque o país possui um dos menores custos para a produção do petróleo, o que não se repete em outros países produtores.

IMPACTO DO CORONAVÍRUS NA ECONOMIA

Com o avanço do coronavírus já era de se imaginar que o Estado reduzisse a arrecadação das receitas vinculadas ao petróleo. Isso porque a doença, que já está presente em todos os continentes, reduziu a demanda pela commodity, o que fez o preço do petróleo cair para US$ 50 o barril – essa redução da demanda de petróleo, inclusive é um dos fatores que causou o desentendimento entre Rússia e Arábia Saudita.
Além do petróleo, o coronavírus também tem impactado a confiança dos investidores – que estão buscando, cada vez mais, mercados mais seguros. Outro impacto é na queda da produção mundial.
Na China, por exemplo, diversas fábricas seguem paralisadas para evitar o contágio dos empregados. Situação não muito diferente está sendo observada na Itália, onde o governo ampliou as restrições de quarentena para todo o país.
Com as indústrias produzindo menos, o mundo passa a precisar menos de commodities. Entre eles estão o petróleo, minério de ferro, pelotas, celulose… produtos exportados pelo Espírito Santo.
Em 2019 o Estado já registrou uma queda na produção industrial. A extração de petróleo, por exemplo, foi a pior em quase uma década. Minério e celulose também ajudaram o resultado a cair. E, com todo o cenário internacional, é possível que 2020 não apresente números tão melhores.

DESACELERAÇÃO PODE DESORGANIZAR CONTAS ESTADUAIS

A perda de arrecadação de royalties e participações especiais na produção de petróleo, o coronavírus reduzindo a expectativa de crescimento no mundo e a redução da atividade industrial já seriam sinais suficientes para ligar o alerta nas contas públicas estaduais.
Somado a esses fatores estão os reajustes dados pelo governador Renato Casagrande (PSB) a dois importantes grupos de servidores: os da educação – seguindo o que foi determinado pelo piso nacional –, e os da segurança pública – após longa negociação.
Para os professores, o impacto anual será de R$ 53 milhões. Já para os policiais civis, militares e delegados o impacto chega a R$ 600 milhões por ano, a partir de 2023, quando estarão aplicados os valores previstos.
A economista e professora da Fucape Arilda Teixeira avalia o cenário de aumento de gastos com pessoal com preocupação. 
"Esse aumento vai ameaçar o frágil equilíbrio fiscal num momento em que a perspectiva de crescimento é praticamente zero. Se não vai ter crescimento, não vai ter aumento de arrecadação?"
Arilda Teixeira - Economista e professora universitária

DÓLAR ALTO PODE SEGURAR RECURSOS

Se nesta segunda-feira a bolsa de valores caiu vertiginosamente, o dólar seguiu seu caminho de alta e bateu novo recorde, terminando o dia em R$ 4,72 – ao longo do pregão a moeda chegou a atingir R$ 4,79. Nesta segunda-feira, o câmbio apresentou leve queda, chegando a R$ 4,67.
Como o petróleo é negociado em dólar, a queda do preço do barril pode ser compensada, parcialmente, pelo aumento da moeda que vem ganhando força nas últimas semanas.
“A alta do dólar já vinha segurando o preço do combustível e a arrecadação dos royalties com a queda do petróleo por conta do coronavírus. Os impactos da doença reduziu o preço do barril em cerca de 10%. Agora, como houve uma queda muito grande do petróleo o dólar não deve segurar a arrecadação. Sem contar que um dólar alto tem seus prós e contras”, destacou Damasceno.

QUEDA NO PREÇO DO COMBUSTÍVEL  PODE AFETAR ARRECADAÇÃO ESTADUAL

Já que o preço do barril de petróleo está abaixo do normal, é de se imaginar que o preço dos combustíveis também caia. Tal queda produziria um efeito cascata, reduzindo também a arrecadação estadual do ICMS dos combustíveis. "Se, de fato, a Petrobras repassar a redução, ou parte da redução, do barril de petróleo para o combustível, haverá esse impacto no ICMS da gasolina e do diesel", afirma o secretário de Estado da Fazenda Rogelio Pegoretti.
"Em entrevistas nesta segunda-feira (9) não foi dada nenhuma garantia pelo governo federal de que a redução dos combustíveis vai mesmo acontecer. E sem termos as perspectivas dessa redução não temos como calcular os impactos"
Rogelio Pegoretti - Secretário de Estado da Fazenda
O governo do Estado foi novamente procurado para comentar a possibilidade de perda de arrecadação e os impactos após o aumento de salário das categorias. Assim que uma resposta for enviada, essa matéria será atualizada. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
PRF registra 1 morte e mais de 50 feridos em rodovias federais do ES no feriadão
Caçamba de entulho em rua causa acidentes em Mimoso do Sul
Caçamba em rua provoca dois acidentes em três dias em Mimoso do Sul
Imagem de destaque
Após obra, calçada da Ponte de Camburi está liberada para passagem de pedestres

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados