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Empresas de petróleo e gás vão investir R$ 24 bilhões no ES até 2024

Prevendo o aumento da demanda nos próximos anos, negócios capixabas serão preparados para serem fornecedores de produtos e serviços para petroleiras

Publicado em 07/02/2020 às 04h00
Atualizado em 07/02/2020 às 04h02
Plataforma P-58, da Petrobras, é a maior que opera nos mares capixabas. Crédito: Divulgação/Agência Petrobras
Plataforma P-58, da Petrobras, é a maior que opera nos mares capixabas. Crédito: Divulgação/Agência Petrobras

Empresas do setor de petróleo e gás devem investir R$ 24 milhões até 2024 no Espírito Santo, tanto na exploração quanto na produção onshore (em terra) e offshore (no mar). A estimativa é do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCPG), do Sistema Findes, que calcula ainda que o setor deve movimentar ao todo R$ 40 bilhões nos próximos cinco anos, sendo os outros R$ 16 bilhões relativos aos custos de operações das companhias.

As projeções para o Estado são extremamente positivas. Do total de investimentos, R$ 2 bilhões devem ser para ampliar a produção de petróleo e gás em terra. Estão previstos ainda uma nova plataforma de petróleo, que deve começar a operar no Litoral Sul capixaba até 2023; perfurações de poços e pesquisas de exploração por novas empresas que arremataram blocos no Estado; planos de descomissionamento (desmonte) de plataformas da Petrobras; e novos leilões de áreas de exploração e produção.

"Isso tem investimento da Shell, por exemplo, que está com uma série de pesquisas e sondagens, trazendo uma sísmica e investindo em novas perfurações. Esperamos a mesma coisa da Petrobras, que também deve comprar materiais para reposição estratégica dela. No caso do onshore, serão R$ 2 bilhões vindos de pequenas e médias empresas, que, com a saída da Petrobras, estão chegando e prevemos um crescimento exponencial desse mercado", explicou Durval Vieira Freitas, coordenador do FCPG.

Segundo o secretário executivo de Exploração e Produção do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Antonio Guimarães, esses investimentos devem elevar a produção capixaba, que vive uma fase de declínio nos últimos anos em função do amadurecimento dos poços e da falta de investimentos e realização de leilões.

"O Espírito Santo já produziu seus 400 mil barris e foram produzidos neste ano em torno de 330 mil barris de petróleo. A produção caiu, mas a receita do Estado continua excepcional. Existe uma expectativa de que as empresas invistam para aumentar essa produção, perfurando novos poços e com oportunidades vindas da saída da Petrobras e abertura do mercado. No caso aqui, com blocos em terra sendo vendidas", comentou.

CAPACITAÇÃO DE FORNECEDORES DA CADEIA DO PETRÓLEO

É de olho nesse crescimento do setor, tanto no Espírito Santo quanto em todo Brasil, que empresas capixabas serão capacitadas para serem fornecedoras de produtos e serviços para companhias de exploração e produção de petróleo e gás. Lançado nesta quarta-feira (5) pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o programa "Fornecedor Competitivo" deve capacitar 30 empresas e 15 startups capixabas no próximo ano.

A ideia, segundo Durval Vieira Freitas, é preparar os fornecedores para se inserirem numa cadeia global do petróleo. "As oportunidades vão além do Espírito Santo. Esse fornecedor precisa estar inserido na cadeia e para isso precisa de preparar, conhecer esse mercado para ter condições mínimas de penetrar, e estarem instruídas sobre regulação e mercado, por exemplo. É esse trabalho que o programa vai fazer."

O projeto será exclusivamente para empresas fornecedoras de bens e serviços, startups e Empresas de Base Tecnológica (EBT) do Espírito Santo, que atuam com foco no setor de petróleo e gás. A sua composição será de 70% de empresas de pequeno porte (faturamento anual de até R$ 4,8 milhões) e 30% de empresas de médio porte (faturamento anual entre R$ 4,8 milhões a R$ 48 milhões).

Antonio Guimarães, do IBP, destacou que, no futuro, 40% da demanda do setor será de petroleiras privadas diante da redução da participação da Petrobras. Com isso, muda-se a lógica de fornecimento. "Não vai ter mais edital, por exemplo. Se os fornecedores não entenderem esse movimento e se conectarem com essas empresas eles não vão conseguir fazer parte da cadeia", disse. O especialista ainda frisou:

Antônio Guimarães

Secretário executivo de Exploração e Produção do IB

"É uma iniciativa única que vai fazer empresas estarem muito bem preparadas para capturar essas oportunidades. E com isso o Espírito Santo vai capturar emprego e renda de maneira diferenciada"

Entre as atividades previstas no programa Fornecedor Competitivo estão workshops de nivelamento e capacitação, avaliação do modelo de negócio, definição do plano de ação, monitoramento e medição de indicadores. Haverá uma seleção para escolha da primeira turma. Para inscrição, as empresas devem procurar o Fórum Capixaba de Petróleo e Gás pelo e-mail [email protected]

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