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Empreendedores driblam (de novo) a crise e inovam em seus negócios

Diante de tantas incertezas, os empreendedores fazem delivery, parcerias, investe nas redes sociais entre outras ações para lucrar; veja como eles estão encontrando formas de vencer a crise

Artesão Inês Hoisel Ferraz faz bolsas de crochê
A artesã Inês Hoisel Ferraz faz parceira com influenciadores. Crédito: Acervo pessoal/ Inês Hoisel Ferraz
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A pandemia da Covid-19 não dá trégua e, mais uma vez, o governo precisou tomar medidas restritivas para conter o avanço do vírus que está mais contagioso e mortal após o surgimento de novas variantes. Diante de tantas incertezas, os empreendedores precisam, de novo, driblar a crise para que seus negócios sobrevivam. Para isso, eles fazem delivery, parcerias, investem em redes sociais, entre outras iniciativas. 

Profissional da área do turismo, um dos segmentos mais impactados pela doença, Patrícia Arantes precisou se reinventar no ano passado quando fechou a agência. Em março de 2020, ela e as irmãs criaram a Feira em Casa das Meninas.

Em setembro do ano passado, quando a clientela voltou à sua rotina, elas fizeram uma pausa na feira e voltaram a trabalhar com turismo. Agora, com a nova quarentena, as meninas estão na terceira semana de retomada na venda de frutas e legumes.

A oportunidade de retornar com a feira motivou ainda Patrícia a inovar nos pedidos, que agora podem ser feitos pela ferramenta Goomer. Além disso, as meninas firmaram parcerias com outros empreendedores para a comercialização de produtos pela plataforma, como polpa de frutas, linguiça artesanal e empadão. As entregas dos combos da feira e dos outros itens são feitas em Vitória e Vila Velha.

“Esta foi a maneira encontrada para sobrevivermos mais uma vez a essa crise. Para quem quer empreender, e sobreviver à crise, tem que se reinventar, fazer o que o mercado está pedindo. A pandemia fez com que eu pensasse de outra forma e buscasse novas oportunidades”, comenta Patrícia.

A artesã Inês Hoisel Ferraz, de 30 anos, trabalha com a confecção de bolsas de crochê e, para superar a nova crise, firmou parceria com influenciadores digitais como forma de impulsionar sua vitrine de vendas. Ela sofre de dores crônicas e aprendeu o ofício há quatro anos como alternativa para ganhar dinheiro.

Inês Hoisel Ferraz

Artesã

"Também passei a dar mais atenção à minha página do Instagram, investindo em fotos, dando frete grátis. A vantagem de vender pela rede social é que não pago aluguel, mas a concorrência é grande. Por isso, acredito que inovar é a melhor ferramenta"

Em meio a barbantes e agulhas, Inês vê seu trabalho como a realização de um sonho. “Posso fazer meus horários, criar minhas rotinas e esquecer minhas dores. O empreendedor não pode parar, precisa estar em constante movimento”, complementa.

Estudante Marcelo da Silva
Estudante Marcelo da Silva vende açaí. Crédito: acervo pessoal/ Marcelo Silva

O estudante de fisioterapia Marcelo Haase da Silva, 25 anos, é bolsista na faculdade onde estuda e queria ter uma renda a mais nos tempos de pandemia. Antes da doença, ele tentou vender brownie, mas a ideia não deu muito certo. Em março do ano passado, ele teve a ideia de vender açaí e criou a Lótus Açaí. O jovem ainda conta com a ajuda da mãe para montar os pedidos. 

Marcelo Haase da Silva

Estudante de Fisioterapia

"O retorno financeiro foi muito grande. Recebemos os pedidos pelo Ifood, montamos os pedidos e entregamos na ilha de Vitória. No final do ano, as vendas deram uma caída, mas voltaram a crescer nas últimas semanas"

Silva pondera que não esperava o sucesso que conseguiu com o pequeno negócio. “Sempre tive o sonho de empreender e o que era para ser um complemento, passou a ser uma fonte de renda importante para a minha família. Em breve, vamos comercializar também em outros aplicativos como forma de aumentar as vendas”, pontua.

Mesmo em meio à crise, Welyson Campos de Oliveira, de 36 anos, conseguiu ampliar os seus negócios. Em julho de 2019, ele abriu a Crocoricó, em Vila Velha. Na época, era uma loja, que funcionava como um piloto para testar processos e receitas com frango frito.

“Quando chegou a pandemia, em março de 2020, fechamos a unidade e passamos a vender somente por delivery. O negócio cresceu tanto que franqueamos a marca. Hoje, já são quatro franqueados, sendo um em Jundiaí (SP). Ainda estamos em vasta expansão. Vamos montar uma cozinha de 180 metros quadrados para atingir a meta de 200 lojas no sudeste”, pontua.

O empresário conta que recebeu um grande investimento em janeiro para a construção dessa cozinha. O crescimento da marca só foi possível, segundo Oliveira, com a elaboração de um plano de negócios. 

As franquias têm um formato simplificado e a produção é feita de forma centralizada no modelo de cooperativa, ou seja, todos dividem os custos da produção. O frango já é distribuído cortado e temperado e o franqueado só frita e entrega na casa do cliente. 

Welyson Campos de Oliveira

Empresário

"Sentimos um aumento nas vendas durante todo o período de quarentena. O problema maior foi o aumento de custo dos insumos, o combustível dos motoboys, entre outros. Por isso, precisamos repassar para o valor final do cliente. Há muitos desafios a serem resolvidos"

Para o empresário, muitas pessoas esperam ter dinheiro para investir no próprio negócio, mas isso não é desculpa. “Muita gente quer ser grande para investir, entretanto tem que investir para ser grande. Sempre incentivo a procurar o Sebrae, para fazer um plano de negócios. Aprendi muito a reduzir custos, por exemplo. Comprei muita coisa usada, batalhei bastante. É preciso ter atitude para que os resultados venham”, ressalta.

AJUDA PARA SUPERAR A CRISE

Para o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo do Estado (Aderes), Alberto Gavini, o empreendedor deve ter estratégias para superar a crise provocada pelo novo coronavírus. Segundo ele, o primeiro passo é fazer uma avaliação administrativa e financeira do negócio como forma de otimizar a gestão.

O segundo ponto é ter proatividade, pensar fora da caixa, ou seja, analisar que tipo de atividade ele pode fazer para passar por essa crise.

“Também oriento que os empreendedores busquem conhecimento e parcerias que possam ajudar na inovação da empresa, além de aproveitar todas as medidas propostas pelo governo, como linhas de crédito que têm juros baixos ou até zero, redução de tributos, entre outras facilidades”, sugere.

A Aderes está com edital de chamamento público aberto para selecionar interessados da Economia Solidária em expor e vender seus produtos na loja que será inaugurada no Terminal Urbano de Integração de Campo Grande, em Cariacica.

As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de abril de 2021. A documentação deve ser entregue presencialmente, na Aderes, que fica na Avenida Nossa Senhora da Penha, 714, Edifício RS Trade Tower, 5º andar, Praia do Canto, Vitória, de segunda a sexta-feira, respeitando os dias e horários de funcionamento da Aderes, das 09h às 18h.

Também é possível enviar a documentação por e-mail, [email protected], até as 18 horas do dia 30 de abril de 2021, com o seguinte assunto: Loja Ecosol Terminal de Campo Grande e no corpo do e-mail informar nome completo e telefone para contato.

O superintendente do Sebrae, Pedro Rigo, destaca que a entidade está atenta às dificuldades dos empreendedores e, para isso, realiza um mutirão de atendimento aos microempreendedores individuais, micro e pequenos empresários. Até o dia 23 de abril, o Sebrae está com a campanha “Conte com o Sebrae”, com o objetivo de levar informação, orientação e capacitação aos empreendedores.

A campanha vai ainda oferecer orientações para renegociação de dívidas, acesso ao crédito, aumento das vendas on-line, protocolos para atender durante a pandemia, entre outros.

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