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Comércio calcula R$ 5 milhões em prejuízos com caladão da Vivo no ES

Muitos estabelecimentos não conseguiram vender já que as maquininhas de cartão não funcionavam. Motoristas e entregadores de aplicativos também foram prejudicados com a falha que deixou usuários sem sinal no celular

Publicado em 17/12/2020 às 21h25
Atualizado em 18/12/2020 às 08h57
Máquina passando cartão de crédito
Máquina passando cartão de crédito: operações ficaram comprometidas por queda na rede da Vivo no ES. Crédito: Pixabay

interrupção dos serviços da Vivo, na tarde desta quinta-feira (17) no Espírito Santo, prejudicou diversos setores da economia capixaba. Entre os mais afetados estão estabelecimentos de comércio e serviços, que tiveram dificuldades com meios de pagamentos, e trabalhadores, como motoristas e entregadores de aplicativos, que dependem da internet para ganhar dinheiro.

A estimativa do presidente da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, é que, durante as quase quatro horas sem sinal de celular, cerca de R$ 5 milhões não tenham sido faturados pelo setor no Estado.

O caladão teve início na tarde desta quinta-feira (17), por volta das 12h20, como mostra o site Downdetector, especializado em monitorar a prestação do serviços de telecomunicações. Segundo a Vivo, o motivo foi o rompimento de cabos ópticos da operadora, já contornado, e a situação se normalizou às 15h45.

Mais de 2,9 milhões de usuários móvel e outros 172 mil clientes de internet banda larga fixa ficaram sem conseguir fazer ligações ou ter acesso à internet no Estado. Nas redes sociais, o problema foi motivo de queixa e de piadas. O Procon Estadual notificou a empresa para prestar esclarecimentos.

Sepulcri afirmou que o apagão do sinal da operadora atingiu a todos, tanto comerciantes quanto consumidores. Ele explicou que as maquininhas de cartão respondem pela maior parte das vendas no comércio capixaba e que elas funcionam com o chip de alguma operadora ou ligadas a rede de wi-fi. A Vivo detém 71,1% do mercado de telefonia móvel no Estado.

"Quem realiza vendas pela internet, como pelo WhatsApp e Instagram, foi muito prejudicado. Porém, mais de 80% das vendas presenciais têm como meio de pagamento o cartão de crédito ou débito. E para passar o cartão é preciso de uma maquininha, que tem o chip de uma operadora de telefonia móvel ou usam wi-fi. Outro modelo é o PicPay, que também precisa de internet para funcionar no celular do usuário", comentou.

R$ 30 MILHÕES

É FATURAMENTO DO SETOR DE COMÉRCIO DO ES POR DIA

José Lino explicou que o cálculo do prejuízo de R$ 5 milhões é feito com base no faturamento diário do setor no Espírito Santo, que fica entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. Ele considerou o período que a rede ficou sem funcionar e o aumento do movimento no comércio nesta época do ano, em função das vendas para o Natal. "Em muito lugar não houve venda nenhuma", afirmou. 

Trabalhadores autônomos que dependem da internet também sofreram. O presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller, contou que muitos motoristas tiveram problemas com a falta de sinal. “Foi um momento terrível. A maioria deles conta apenas com a internet da operadora e sem a conectividade não conseguia iniciar ou encerrar corridas”.

Segundo Muller, não há estimativa de número de motoristas afetados ou do prejuízo causado aos trabalhadores devido ao problema na rede da Vivo. Vale lembrar ainda que o caladão afetou também os passageiros, que tentavam usar os aplicativos para chamar os carros, mas, sem internet, nada funcionava.

O motorista de aplicativo Warlen Lopes de Souza, 43 anos, ficou a tarde toda sem trabalhar devido à falta de internet. Ele contou que, no início da tarde desta quinta, foi em casa resolver um problema no seu smartphone. Quando conseguiu solucionar, a conexão da Vivo não estava funcionando. 

O motorista de aplicativo Warlen Lopes de Souza, 43 anos, ficou sem trabalhar devido ao caladão da Vivo
O motorista de aplicativo Warlen Lopes de Souza, 43 anos, ficou a tarde toda sem trabalhar . Crédito: Arquivo pessoal

Warlen Lopes de Souza

Motorista de aplicativo

"Eu só trabalho durante o dia. Quando a minha internet voltou já era quase noite, então não pude rodar mais. Eu deixei de fazer R$ 168 hoje. Esse é o valor que faltava para cumprir a minha meta do dia. Temos contas para pagar em casa. Ficar sem trabalhar, é complicado. Esse é um dano que a Vivo tinha que reparar"

Outro motorista prejudicado foi o Paulo Sardenberg Machado, 35 anos. Ele, que já trabalha há quase dois anos com apps, foi pego de surpresa no meio de uma corrida, na Serra. Por ser usuário apenas da Vivo, só não teve um prejuízo maior porque resolveu comprar um chip de outra operadora para continuar fazendo corridas.

O motorista de aplicativo Paulo Sardenberg Machado, 35 anos, estava em uma corrida quando a internet caiu
O motorista Paulo Sardenberg Machado, 35 anos, comprou um chip de outra operadora. Crédito: Arquivo pessoal

Paulo estava numa viagem quando de repente se viu sem internet ou sinal de telefone. Ele comentou que havia aceitado uma corrida para Itararé, em Vitória, mas no meio tinha uma parada em Valparaíso, na Serra, para pegar um segundo passageiro.

Paulo Sardenberg Machado

Motorista de aplicativo

"Quando parei lá o aplicativo não queria atualizar a rota até o destino final. Como eu sabia o caminho e os passageiros me orientaram, eu vim sem internet até Vitória. Depois que desembarquei os passageiros, tive que ir até um posto que fica na Avenida Maruípe para conseguir sinal de wi-fi e finalizar a corrida"

O motorista conta ainda que ficou quase 1h30 parado sem conseguir trabalhar esperando a internet voltar. Foi então que um outro motorista de aplicativo que estava com o mesmo problema deu a ideia de adquirir um outro chip.

“Fomos até um supermercado da Reta da Penha e compramos um chip de outra operadora. Habilitei e comecei a rodar de novo. Nesse tempo parado deixei de faturar uns R$ 50 e fazer uma meia dúzia de corridas”.

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