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Acordo Mercosul-UE: saiba os produtos do ES mais exportados para a Europa

Acordo Mercosul-UE: saiba os produtos do ES mais exportados para a Europa

Em 2025, a União Europeia representou 13,5% das exportações do Espírito Santo, que somaram US$ 1,4 bilhão

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 17:15

Bandeiras Mercosul e União Europeia
Acordo prevê tarifa zero para 92% dos embarques de países do Mercosul para a União Europeia  Crédito: Reprodução

O tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado pelos dois blocos no último sábado (17), tem sido avaliado como importante para diversificar mercados e gerar emprego, renda e desenvolvimento para o Brasil e o Espírito Santo. Em 2025, 13,5% das exportações capixabas foram destinadas para países europeus e somaram US$ 1,4 bilhão. 

O acordo prevê tarifa zero para 92% dos embarques de países integrantes do bloco comercial sul-americano para o continente europeu, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. O texto concederá acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões.

Produtos do agronegócio, da indústria e commodities estão entre os que mais são enviados do Espírito Santo para a Europa. Em 2025, a lista foi liderada pelo café não torrado, com 35,3% das exportações, seguido do minério de ferro (19,4%), de produtos semiacabados e aço (13,4%) e petróleo (11,4%). Confira mais abaixo a lista dos principais produtos capixabas exportados para a UE.

Mas alguns desses produtos, como minério de ferro, aço e petróleo, já entravam na Europa com tarifa zero antes da conclusão do acordo. Do Espírito Santo, em geral, mais de 40 produtos já têm taxação zerada no bloco europeu. Entre eles, também estão celulose e cacau.

As informações estão disponível em um painel criado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre exportações para a Europa.

Segundo o MDIC, as tarifas que aparecem no quadro do painel são aquelas que a Europa pratica, em regra, para suas importações de todas as origens. Para o órgão, uma das vantagens do Acordo Mercosul-UE é que dá garantia e previsibilidade ao comércio entre os blocos.

"Assim, para os produtos cuja tarifa-base é igual a zero, eventuais elevações por parte da UE não serão aplicadas a importações provenientes do Brasil/Mercosul", afirma o ministério.

Para Felipe Storch Damasceno, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), o efeito mais relevante é a combinação de três questões:

  • previsibilidade e redução de custo de transação (regras de origem, facilitação aduaneira, procedimentos mais claros);
  • abertura escalonada com cronograma definido, que permite planejamento de investimento e estratégia comercial;
  • ganho de competitividade em itens com mais valor agregado, nos quais a tarifa e/ou exigências regulatórias pesam mais no preço final.

“Mesmo nos produtos com tarifa já zerada – minério, semiacabados de aço e petróleo –, o acordo pode ajudar pela estabilidade do marco e pela simplificação de processos, mas o salto maior tende a vir de diversificação e maior valor agregado”, destaca.

Oportunidades para o ES

O economista-chefe do Ibef-ES aponta ainda que mais produtos do Espírito Santo tendem a se beneficiar e ampliar exportações a partir do acordo com o bloco europeu. Um deles é o café, principalmente no caso dos industrializados e nichos de valor.

"Além do grão, existe potencial de crescer em torrado/moído e solúvel, tipos que capturam margem e marca. O acordo ajuda justamente a tornar isso mais competitivo no mercado europeu", lembra Damasceno.

Ele diz ainda que, dentro do agro, o nicho de frutas e especiarias também pode ter ganhos, visto que a tendência é que o acordo beneficie mais quem consegue padronização, rastreabilidade  e regularidade de ofertas. Nesse caso, o economista pondera que cooperativas e agroindústrias organizadas tendem a capturar melhor.

Já no caso das rochas ornamentais e dos materiais de construção, o economista lembra que, mesmo quando a tarifa já caminha para o zero, o acordo favorece segurança contratual e previsibilidade. Segundo ele, isso incentiva canais de distribuição e contratos de longo prazo – e pode acelerar a presença em segmentos de maior valor, como chapas beneficiadas e projetos.

Na avaliação do diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, com o acordo, o Espírito Santo consolida sua posição como um protagonista no mercado global, tendo os países da União Europeia entre os maiores parceiros comerciais. Essa conexão, segundo ele, é impulsionada por uma demanda sólida e um ambiente de negócios já estabelecido que facilita o fluxo de mercadorias pelos portos capixabas.

Outro pilar fundamental das exportações capixabas para a Europa é o café, que representa cerca de 35% do total enviado ao bloco, com destaque para o café verde. Pablo Lira aponta que houve um aumento significativo nas vendas para países como a Bélgica, que se tornou o terceiro principal destino do produto. 

Para o futuro, na avaliação de Lira, a expectativa é de que o acordo entre Mercosul e União Europeia — que criará a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 25% do PIB global — traga ainda mais previsibilidade e segurança jurídica para os contratos.

Lira destaca que, além de ampliar as vendas de itens já consolidados, o acordo abre portas para produtos que hoje enfrentam altas barreiras, como a carne e os derivados do leite, que possuem tarifas de 51% e cerca de 30%, respectivamente,. A tendência é que essas taxas sejam reduzidas gradualmente, permitindo que novos setores da economia capixaba ganhem espaço no mercado europeu.

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