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Exportadores do ES vão discutir detalhes de acordo entre Mercosul e União Europeia

Exportadores do ES vão discutir detalhes de acordo entre Mercosul e União Europeia

Os impactos para o Espírito Santo do novo tratado entre os blocos econômicos serão tema da próxima reunião de entidades ligadas ao comércio exterior no Estado

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 16:00

Mercosul e União Europeia
Mercosul e União Europeia: tratado de livre comércio Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado e gpointstudio/Freepik

Assinado no último sábado (17) pelos dois blocos, o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia prevê tarifa zero para 92% dos embarques de países integrantes do bloco comercial sul-americano para o continente europeu, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. O texto concederá acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões. 

O impacto do acesso preferencial dos produtos brasileiros ao mercado da Europa, com 450 milhões de habitantes e 15% do PIB mundial, será discutido no início de fevereiro por exportadores do Espírito Santo e outras entidades ligadas ao comércio exterior.

O presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex), Sidemar Acosta, afirma que o tema será o principal tópico de discussão na primeira reunião do Recomex, o Conselho Estratégico de comércio exterior, atacadista, logística e e-commerce do Estado. O encontro está previsto para ocorrer no dia 3 de fevereiro.

A afirmação foi feita durante o evento Cenários 2026 – Decisões de Hoje, Resultados de Amanhã: O Roadmap para 2026, promovido pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais do Espírito Santo. 

Para Acosta, o acordo é importante não apenas para o Brasil, mas também para toda a América do Sul. O dirigente observa que o momento agora é de transição, saindo do campo da assinatura para a operacionalização. Esse processo deverá exigir estudos detalhados sobre como os novos termos serão aplicados na prática.

Um dos pontos centrais da discussão, de acordo com o executivo, será o tratamento fiscal e operacional das mercadorias. Atualmente, muitos produtos vindos da União Europeia enfrentam taxas de importação elevadas no Brasil, que podem chegar a 70% ou 80%. Com o acordo, espera-se uma redução significativa nesses percentuais, o que demandará um novo tratamento nos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

“A gente tem que aguardar agora o desfecho de como vai ser toda a parte de tratamento fiscal e operacional”, explica Acosta. Ele ressalta que o Recomex conta com um comitê voltado especificamente para a área de comércio internacional, com a participação da Receita Federal, para analisar essas mudanças.

Prazos do acordo

O acordo ainda vai levar um tempo para entrar em vigor, visto que o texto ainda passará por processos de ratificação internos. No Mercosul, a parceria terá de ser analisada pelos Congressos do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. Já na União Europeia, o texto será avaliado pelo Parlamento Europeu.

Nesse meio tempo, os dois blocos vão poder discutir a aplicação provisória de parte do tratado, especialmente os tópicos relacionados à redução de taxas, o que permitiria antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.

O tratado só passa a valer de fato depois da conclusão de todas as aprovações internas nos blocos. 

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