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Ataques cibernéticos com IA colocam portos e siderúrgicas do ES em alerta, aponta especialista

Ataques cibernéticos com IA colocam portos e siderúrgicas do ES em alerta, aponta especialista

Para Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, a estrutura portuária e o polo siderúrgico do Estado aumentam o risco de ataques com inteligência artificial que podem paralisar operações e afetar exportações

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 11:12

 CEO da TI Safe, Marcelo Branquinho, especialista em crimes cibernéticos
CEO da TI Safe, Marcelo Branquinho, especialista em crimes cibernéticos Crédito: Divulgação

Os ataques cibernéticos estão acontecendo hoje com o uso de inteligência artificial (IA), algo muito novo para o ramo da tecnologia. O assunto chama a atenção por deixar empresas e poder público cada vez mais vulneráveis a ciberataques. E, para o Espírito Santo, o alerta vale, principalmente, para os setores portuário e siderúrgico. A afirmação é do CEO da TI Safe, Marcelo Branquinho, especialista em crimes cibernéticos.

Segundo ele, o Estado pode se tornar alvo de atacantes pela importância na economia local e nacional. Branquinho afirma que nem as organizações nem empresas do ramo de cibersegurança estão preparadas para evitar esse tipo de situação.

“Os ataques mais sofisticados conseguem ultrapassar as soluções de segurança hoje disponíveis no mercado. A gente consegue combater isso por meio de outras IAs, para que esse sistema também seja inteligente no momento em que o ataque estiver acontecendo. Hoje, temos ciberataques com defesas muito previsíveis. É um futuro bem estranho que a gente tem pela frente”, comenta.

O especialista aponta que, no Espírito Santo, a combinação entre ativos estratégicos e alta concentração industrial coloca a região em alerta constante quando o assunto é cibersegurança — especialmente diante do cenário global de aumento de ataques cibernéticos e físicos contra infraestruturas críticas.

Ele exemplifica que a presença do Porto de Tubarão, um dos maiores complexos portuários do país e peça central na cadeia logística de minério e commodities, amplia substancialmente o nível de exposição.

Portos são alvos naturais para grupos criminosos e atores mal-intencionados justamente por concentrarem operações contínuas, sistemas complexos e dependência de tecnologia para funcionamento ininterrupto. Qualquer interrupção impacta exportações, abastecimento e a própria competitividade econômica do país

Marcelo Branquinho

CEO da TI Safe

O especialista em crimes cibernéticos esteve em Vitória para participar de um evento voltado a engenheiros de automação, gerentes de TI, entre outros profissionais do segmento.

Branquinho ressalta que, além do porto, Vitória e municípios vizinhos abrigam um dos mais relevantes polos de siderurgia e mineração do Brasil, com estruturas industriais de grande porte, redes automatizadas e sistemas de controle operacional que, se comprometidos, podem gerar efeitos em cascata — desde paradas de produção até riscos ambientais e impactos diretos na população.

"O cruzamento entre logística portuária, plantas industriais sensíveis e cadeias integradas de energia e transporte cria um ambiente em que uma eventual ação maliciosa, seja digital, seja física, encontra portas mais amplas para causar danos", diz o CEO da TI Safe.

O avanço dos ataques está cada vez mais frequentes e impacta milhares de pessoas mundo afora. Em setembro, por exemplo, um ataque cibernético afetou operações em pelo menos quatro grandes aeroportos da Europa. Dezenas de voos foram cancelados ou adiados.

Segundo Branquinho, aquela imagem do hacker solitário atuando de madrugadao atrás de um computador não existe mais. O que existe hoje são quadrilhas especializadas que operam de forma estruturada contra empresas de energia elétrica, siderúrgicas, mineradoras, entre outros segmentos.

“Trata-se de um negócio muito lucrativo. Eles conseguem criptografar máquinas de uma empresa inteira. Está cada dia mais difícil combater um ataque desse. Normalmente, isso ocorre porque as empresas, quando são atacadas, não têm backups válidos, não sabem restaurar seus sistemas e acabam ficando fora do ar”, alerta.

Para que essa situação não ocorra, o executivo orienta investimentos em cibersegurança, de preferência em soluções que tenham inteligência artificial agregada capazes de combater os ataques mais modernos.

“Não existe 100% de cibersegurança. Por mais que você invista, sempre haverá portas abertas. Então, é preciso ter backups atualizados, ter um plano de continuidade de negócios — até para saber o que fazer caso o pior aconteça —, além de pessoas treinadas para isso, para que o tempo fora do ar seja o menor possível”, salienta.

Pesquisa recente realizada pela Gartner, que atua com consultoria e análise em tecnologia da informação, mostra a importância de as empresas acelerarem investimentos em planos de resposta e proteção: 29% dos líderes de cibersegurança ouvidos disseram que suas organizações sofreram um ataque à infraestrutura de aplicações corporativas de inteligência artificial generativa (GenAI) nos últimos meses.

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