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Crise do coronavírus

40% da indústria do ES já demitiram e outros 19% ainda pretendem, diz pesquisa

Levantamento feito pela Findes mostra que queda de produção e de faturamento atingiram três em cada quatro indústrias no Estado

Publicado em 23 de Junho de 2020 às 17:33

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 jun 2020 às 17:33
Soldador na indústria: setor foi um dos que ajudou a aumentar a arrecadação de ICMS no Espírito Santo
Indústria da transformação foi uma das mais afetadas Crédito: Pixabay
Mais de 40% das  indústrias do Espírito Santo já demitiram funcionários durante a crise econômica provocada pelo novo coronavírus. Outras 19% ainda pretendem demitir. As informações são da Pesquisa de Opinião Empresarial Covid-19, divulgada pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) nesta terça-feira (23).
Foram pesquisadas 383 empresas de todo o Estado, entre 3 e 15 de junho, dos seguintes setores industriais: extrativo, transformação, construção civil, comércio e reparação de veículos, informação e comunicação, transportes e armazenagem, outros.
O presidente da Findes, Leo de Castro, lamentou a perda dos postos de trabalho e ressaltou que o desemprego gera uma reação em cadeia que prejudica ainda mais a economia. "Quando há desemprego, a demanda fica mais baixa, cria-se um cenário de receio e uma sociedade com receio não consome. Isso tudo movimenta para baixo a economia", afirmou.
Ele lembrou ainda que, só em março e abril deste ano, foi extinto praticamente o mesmo número de vagas geradas em todo o ano passado. "Em dois meses foi embora um esforço de um ano inteiro e nos próximos meses veremos redução ainda maior."

QUEDA NA PRODUÇÃO E NO FATURAMENTO

A pesquisa da Findes mostra ainda que três em cada quatro empresas do ramo industrial relatam queda na produção e, consequentemente, queda no faturamento. No caso do setor extrativista, o impacto foi ainda maior, com mais de 80% dos industriais relatando queda na receita durante a pandemia.
Os cortes nos postos de trabalho são consequências diretas desse cenário. 
"Fica claro que o impacto da economia foi avassalador. Nos últimos cinco anos, já estávamos em uma situação complicadíssima. Começávamos a levantar voo e fomos abatidos na decolagem. É muito grande prejuízo para a economia e muitos graves as consequências", avalia Leo de Castro.

EMPREGO VAI DEMORAR A VOLTAR

A pesquisa também aponta que a maior parte dos empresários não espera uma retomada das suas atividades ainda este ano. Para 60% deles, uma vez acabado o distanciamento social, vai demorar pelo menos seis meses para que as empresas voltem a ter o nível de atividade anterior à pandemia.
Como a retomada de empregos é, em geral, a última etapa nessa recuperação, o presidente da Findes acredita que a tendência atual de desemprego não deve se inverter, pelo menos, até o segundo semestre de 2021. 
 "O emprego é a última coisa que reage. Vamos ter um prazo mais lento da retomada de geração de novos postos de trabalho. Ou a gente cria fatores como reformas, como carteira de investimento incentivada, ou realmente essa agenda do emprego deve acontecer mais a frente ainda", diz.

REDUÇÃO DE JORNADA E SALÁRIOS

Uma em cada três empresas pesquisadas afirmaram ter feito uso do dispositivo federal que permite a redução proporcional de salário e carga horária ou a suspensão dos contratos trabalhistas por dois meses.
Contudo, é quase um consenso no setor de que, embora muito importantes para a manutenção dos empregos e para a saúde financeira das empresas, o prazo estabelecido pelo governo nessas medidas é insuficiente. 

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