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Mais de 500 dias: caso de desaparecido após bater ponto no ES é mistério

Mauro Marques da Costa sumiu depois de bater ponto em indústria de Linhares, em junho do ano passado; Polícia Civil não chegou a resultado conclusivo

Vitória
Publicado em 30/11/2020 às 16h44
Atualizado em 30/11/2020 às 21h25
De acordo com a esposa, Mauro Marques da Costa ainda estava no período de experiência da Lasa. Já a empresa afirma que ele trabalhava no local desde fevereiro
De acordo com a esposa, Mauro Marques da Costa ainda estava no período de experiência da Lasa. Já a empresa afirma que ele trabalhava no local desde fevereiro. Crédito: Reprodução | Acervo Pessoal

Já faz mais de 500 dias que o trabalhador Mauro Marques da Costa desapareceu, depois de bater o ponto em uma indústria de Linhares, no Norte do Espírito Santo. Porém, até hoje, o caso segue sendo um mistério e a Polícia Civil não conseguiu chegar a respostas concretas do que, de fato, aconteceu com ele.

Titular da 16ª Delegacia Regional, o delegado Fabrício Lucindo explicou que, durante as investigações, várias pessoas foram ouvidas e diversas diligências realizadas, mas não se chegou a nenhum resultado conclusivo. Por isso, ele encaminhou o inquérito policial à Justiça e pediu o arquivamento provisório do caso.

O pedido, feito em 5 de maio deste ano, vale até o possível surgimento de novas provas sobre o desaparecimento. Enquanto isso, familiares de Mauro ficam angustiados, sem saber o que esperar, ao mesmo tempo em que ainda têm um fundo de esperança.

Lídia Pacheco Marques da Costa

Esposa de Mauro

"Esse tempo tem sido péssimo. Eu nem sei como ele vai voltar depois de tanto tempo sumido. Só sei que se ele aparecesse, seria muito bom"

Dona de casa e esposa do trabalhador, Lídia Pacheco Marques da Costa ainda vive na mesma residência em que morava com o marido, com quem é casada há seis anos, e soube do arquivamento por meio de A Gazeta. "Eles (a polícia) não falam comigo. O que sei é que quero uma solução", afirmou.

Lídia Pacheco Marques da Costa e Mauro Marques da Costa são casados há seis anos e não têm filhos
Mauro Marques da Costa. Crédito: Reprodução | Acervo pessoal

Sem saber direito até que palavras usar para traduzir o misto de sentimentos, ela pede que a Justiça e a polícia "deem um jeito". "Aparece tanta gente morta por aí, tanta coisa que acontece e que eles descobrem o que aconteceu... De um jeito ou de outro ele tem que aparecer, meu Deus", desabafou.

MPT COMEÇA INVESTIGAÇÃO

Depois de ser acionado por A Gazeta, o Ministério Público do Trabalho do Espírito Santo (MPT-ES) informou que "tomou conhecimento do ocorrido pela imprensa" e que "instaurou procedimento de investigação para apurar o caso" no último dia 18 – data em que o desaparecimento já havia completado mais de um ano e cinco meses.

Também de acordo com o MPT-ES, o órgão ainda não entrou em contato com a Lasa, onde o desaparecido trabalhava. Por meio de nota, o MPT-ES revelou que o último procedimento investigatório em face da empresa é de 2017, mas não informou qual foi a conclusão dele, nem por qual motivo ele foi aberto.

LASA: O QUE DIZ A EMPRESA

Por telefone, a diretoria da Lasa esclareceu que deu todo o suporte à polícia, permitindo que esta tivesse acesso irrestrito às dependências da empresa na época. Bem como garantiu que ajudou nas buscas pelo ex-funcionário e prestou todos os esclarecimentos necessários.

Apesar de Mauro Marques da Costa ter batido o ponto de entrada, a Lasa informou que as câmeras de segurança não registraram qualquer imagem dele no dia do desaparecimento. A empresa também se colocou à disposição para auxiliar as autoridades no que for preciso.

CORPO EM REPRESA: SUSPEITA NÃO SE CONFIRMOU

Cerca de dois meses depois do desaparecimento, um corpo foi encontrado às margens de uma represa na zona rural de Sooretama, já em avançado estado de decomposição. Na época, um boato dizia que o cadáver seria de Mauro. No entanto, "foi feito exame de DNA e constatou-se não tratar da mesma pessoa", afirmou a Polícia Civil.

DESAPARECIMENTO: 06 DE JUNHO DE 2019

Nesta data, o auxiliar de caldeira Mauro Marques da Costa, com 37 anos, saiu de casa por volta das 17h20 para trabalhar em uma indústria de produção de álcool em Linhares, a Lasa. Naquela noite, às 18h, ele bateu o ponto de entrada no serviço, mas depois de cerca de 40 minutos já não teria sido mais visto por colegas.

Segundo a esposa, ela havia sido informada que a mochila que ele usava foi encontrada no vestiário da empresa. Na época, um representante da Lasa registrou um boletim de ocorrência, no qual dizia que um funcionário viu o Mauro atendendo um telefonema naquela noite e saindo da empresa em seguida.

Entrada da Lasa. Indústria de produção de álcool que fica no bairro Shell, em Linhares
Entrada da Lasa. Indústria de produção de álcool que fica no bairro Shell, em Linhares. Crédito: TV Gazeta Norte

Na mesma semana, a esposa contou que achava o trabalho do marido perigoso, principalmente por ser no turno da noite. "Tem gente de todo o tipo lá dentro. O pai dele chegou a ir até a empresa. A gente pediu para entrar para procurá-lo, mas não deixaram. A gente podia ter revirado tudo para encontrá-lo", reclamou.

Sem conseguir entender o que pode ter acontecido com o marido, ela garantiu que ele era uma pessoa caseira e não tinha problemas de relacionamento. "Se ele fosse de sair, seria diferente. Mas ele é trabalhador, não bebe, não fuma e só sai de casa para ir ao trabalho ou à igreja", desabafou à época.

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