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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 16:33
Três pessoas perdem a vida por dia nas vias urbanas e nas estradas que cortam o Espírito Santo. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) apontam que, em 2025, mais de mil capixabas não voltaram para casa após se envolverem em acidentes no Estado, o que representa um aumento de 2% em relação ao ano anterior.>
No ano passado, os acidentes em vias municipais, estaduais e federais no Espírito Santo deixaram mais de 16 mil pessoas feridas, sendo que mais de mil perderam a vida. A maioria das pessoas que morreram é preta ou parda, do sexo masculino, com idade entre 30 e 39 anos e envolvida em sinistros de trânsito na Região Metropolitana de Vitória. >
Somente na Serra, município capixaba com o maior índice de mortes, foram registradas 85 mortes. Outras cidades que se destacam negativamente pela violência no trânsito são Linhares, na Região Norte, com 58 mortes, e Cachoeiro de Itapemirim, na Região Sul, com 54 óbitos.>
Seja municipal, seja estadual, seja federal, os dados do Detran mostram que o aumento nas mortes no trânsito tem sido registrado em todas as circunscrições de vias. Nos últimos três anos, tanto os trechos administrados pelo governo do Estado, que contam com patrulha da Polícia Militar, como aqueles sob administração do governo federal, com monitoramento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), registraram mais vítimas fatais.>
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Entre as rodovias federais, o destaque negativo fica para a BR 101, em Linhares, onde em 2025 foram registradas 25 mortes. O trecho ainda conta com pista simples e não foi contemplado com a duplicação da Ecovias Capixaba, concessionária que administra a rodovia no Estado.>
Já nas rodovias estaduais, a maioria das mortes é registrada em Cachoeiro de Itapemirim. No município, foram 29 mortes em vias sob jurisdição do Estado, no ano passado. Ao mesmo tempo, a cidade que mais tem mortes em vias municipais é a Serra, que registrou 41 vítimas fatais no período em trechos geridos pela prefeitura.>
A violência nas estradas já supera, inclusive, o índice de homicídios no Espírito Santo, uma vez que em 2025 foram registrados 796 assassinatos dolosos no Estado, uma queda de 6,8% em relação ao ano anterior.>
A reportagem de A Gazeta questionou o Detran-ES sobre o que pode explicar a alta nas mortes no Espírito Santo. O órgão disse que não é possível afirmar que exista uma única causa determinante para a elevação dos óbitos no trânsito no Estado e destacou que os índices têm crescido nacionalmente.>
"Observando o que as estatísticas revelam sobre o cenário nacional, publicações como o Atlas da Violência 2025 – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que o Brasil teve um aumento de 13,5% no registro de mortes no trânsito entre 2010 e 2019. Em 2023, o país registrou uma taxa de 16,20 óbitos por 100 mil habitantes, um crescimento de 2,5% em relação a 2022", contextualizou o Detran-ES.>
O órgão estadual destacou que entre os fatores que podem ter contribuído está o crescimento da frota e do fluxo de circulação de veículos, o elevado número de motociclistas — muitos deles condutores de aplicativos — expostos a uma série de riscos (assim como seus passageiros), além da própria conduta dos condutores, que optam por fazer uso de telefones celulares ao volante, do excesso de velocidade, de deixar de usar os equipamentos de segurança, entre outros elementos.>
"Ou seja, muitas vezes, trata-se do comportamento dos condutores, que não estão atentos a percepção de risco, e com isso suas condutas podem ocasionar mais sinistros e mortes no trânsito", salientou.>
Questionado sobre o que pode ser feito para diminuir os índices de mortes, o Detran-ES disse que o governo do Estado instituiu o Comitê Integrado de Preservação da Vida no Trânsito. O objetivo é desenvolver ações de fiscalização, coibir infrações e ilícitos relacionados ao trânsito e aos veículos automotores, para melhorar o comportamento de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres no Estado.>
O Detran-ES ainda citou que o governo estadual tem investido em sinalização e melhoria da pavimentação nos municípios, com investimento de R$ 22 milhões provenientes da arrecadação de multas de trânsito. Citou também que houve um investimento na carreira dos agentes, que agora contam com indenização suplementar de escala operacional, aumentando a capacidade de atuação e fiscalização deles.>
Por fim, o Detran-ES disse que também intensificou as operações integradas de fiscalização de trânsito, reunindo diversas forças de segurança, guardas municipais de trânsito, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Rodoviária Federal, dentre outros, com foco na associação entre o consumo de álcool e direção, ilícitos de trânsito e irregularidades relacionadas a motocicletas.>
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