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Mancha escura no mar: Iema notifica Prefeitura de Vitória e Cesan

Mancha escura no mar: Iema notifica Prefeitura de Vitória e Cesan

Órgão estadual cobra explicações sobre o incidente na Curva da Jurema, inicia testes de balneabilidade na região e passa a integrar grupo do Ministério Público

Publicado em 10 de março de 2026 às 19:21

Grande mancha escura preocupa moradores e frequentadores da Praia da Guarderia e Ilha do Frade, em Vitória
Grande mancha escura apareceu entre a Praia da Guarderia e a Ilha do Frade, em Vitória Crédito: Fernando Phondolpo

Após o aparecimento de uma mancha escura nas águas da Baía de Vitória, nas proximidades da Guarderia (Praia da Curva da Jurema), o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) notificou a Prefeitura de Vitória e a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan). O documento exige esclarecimentos oficiais sobre as possíveis causas e as providências adotadas para conter o problema.

A suspeita do órgão ambiental é de que o material escuro despejado no mar tenha origem em alguma estrutura da rede de drenagem urbana do município.

Como medida preventiva para garantir a segurança dos banhistas, o Iema anunciou que fará, a partir deste fim de semana, o monitoramento da balneabilidade da água em dois pontos da região. As coletas e as análises serão feitas por um laboratório contratado pelo instituto para avaliar a qualidade da água e rastrear eventuais alterações em sua composição.

O diretor-geral do Iema, Mário Louzada, ressaltou que o órgão está focado em garantir uma apuração rigorosa dos fatos. “Estamos acompanhando a situação e atuando para compreender melhor o que ocorreu e identificar a origem do material observado. Nosso objetivo é contribuir para a adoção das medidas necessárias para solucionar o problema", afirmou.

Louzada também destacou que a testagem própria busca informar a população de maneira clara. "Iniciaremos o monitoramento da balneabilidade para avaliar a qualidade da água e dar transparência à população sobre os resultados, mesmo não sendo uma ação de competência do órgão", pontuou o diretor.

Grupo de trabalho do MPES

Além das notificações e do monitoramento da água, a questão ganha um novo desdobramento institucional: o Iema confirmou que fará parte de um grupo de trabalho coordenado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para buscar soluções conjuntas e definitivas para os problemas de poluição na região.

A iniciativa do MPES contará ainda com representantes da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), da Prefeitura de Vitória, da Câmara Municipal, da Cesan, da Agência de Regulação de Serviços Públicos (ARSP), além da sociedade civil e do Ministério Público Federal no Estado, com o procurador André Pimentel Filho.

De acordo com o promotor de Justiça e Meio Ambiente e Urbanismo de Vitória, Marcelo Lemos Vieira, a iniciativa permitirá a adoção de providências para entender o que tem ocorrido. “Serão avaliadas ações de curto, médio e longo prazo para assegurar a preservação do meio ambiente e compreender a origem do problema”, afirmou.

Está prevista uma nova reunião, na sexta-feira (13), que será uma etapa de entendimento entre as instituições envolvidas, para avançar no diagnóstico da situação. Todo o material técnico já encaminhado aos órgãos participantes passará por análise.

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MPES vai investigar causa da mancha na Baía de Vitória

De acordo com o MPES, o grupo terá plena autonomia para conduzir pesquisas, discutir medidas e deliberar sobre encaminhamentos técnicos, buscando identificar as causas da ocorrência, apresentar propostas de solução e verificar viabilidade de contratação de consultoria para o caso.

A partir do trabalho conjunto, também poderão ser estabelecidas condições para a identificação de eventuais responsáveis, com a adoção das medidas cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.

Prefeitura e Cesan negam que seja esgoto

Em conversa com A Gazeta, na quinta-feira (5), o secretário de Obras de Vitória, Gustavo Perin, descartou a hipótese de que as obras de construção do Canal de Camburi e da estação de bombeamento da Praia do Canto sejam as responsáveis pela mancha no mar. A explicação foi dada após surgirem vídeos nas redes sociais associando as construções ao problema.

“As imagens que têm circulado mostram um dos equipamentos atuando na regularização do leito do Canal de Camburi. Foi uma intervenção que fizemos entre abril e dezembro do ano passado para melhorar a navegabilidade, uma vez que aquele trecho tem bastante assoreamento e as embarcações só conseguiam passar em horários específicos. Mas esse trabalho já foi concluído. Os estudos que fizemos ao longo de toda a intervenção não mostraram impacto no mar”, declarou.

Sobre a obra da estação de bombeamento, o secretário disse que a prefeitura tem trabalhado no rebaixamento do lençol freático, o que pode deixar a água mais turva, mas destacou que não tem ocorrido vazamento de esgoto. Segundo ele, mesmo quando a estação está fechada, outros fluxos de água da Praia do Canto, de obras da construção civil, continuam passando. Assim, a intervenção na área também não estaria ligada à mancha.

A Cesan, por sua vez, publicou comunicado negando que esteja ocorrendo vazamento de esgoto das redes da companhia e afirmou que não tem relação com a mancha no mar.

"O serviço de coleta e tratamento de esgoto realizado pela Cesan impede exatamente isso, que esse poluente seja lançado sem tratamento em praias, no mar ou em qualquer corpo hídrico. Para isso, o sistema é construído para ser totalmente fechado. Nenhuma parte das redes de coleta e tratamento de esgoto da Cesan fica visível em áreas públicas, a não ser as tampas metálicas com o nome da empresa espalhadas pelas ruas das cidades", informou a Cesan.

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