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TCES suspende licitação para obras do novo Pavilhão de Carapina

TCES suspende licitação para obras do novo Pavilhão de Carapina

Consórcio que ficou em segundo lugar na disputa aponta supostas irregularidades na concorrência aberta para escolher a empresa responsável pela obra

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 16:24

Perspectiva da área de eventos que será construída no local do Pavilhão de Carapina
Perspectiva da nova área de eventos que será construída no Pavilhão de Carapina Crédito: Divulgação/Setur

Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) suspendeu cautelarmente a concorrência eletrônica para a escolha da empresa responsável pela construção do novo Pavilhão de Carapina, na Serra. Um consórcio capixaba havia vencido a disputa. No entanto, uma construtora do Paraná apontou supostas falhas no processo licitatório.

Em representação apresentada à Corte de Contas, a Sial Construções Civis Ltda., líder do Consórcio Exposerra, que ficou em segundo lugar na disputa, sustenta que, ainda que tenha apresentado proposta mais vantajosa sob o aspecto econômico, no valor de R$ 199.750.000,00, foi classificada em segundo lugar. Já a vencedora, C.C.G. Construções Ltda., obteve a primeira colocação com proposta superior a R$ 221 milhões, diferença que ultrapassa R$ 21 milhões em potencial prejuízo ao governo do Estado, conforme alegou.

Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), responsável pelo processo licitatório, foi questionado por A Gazeta sobre a decisão do TCES. Em nota disse que todos os seus processos de contratação seguem rigorosamente a legislação vigente e as regras estabelecidas em edital, previamente aprovado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). (Leia a nota completa no fim do texto).

Questionado nesta quarta-feira (14) sobre como está o processo licitatório, o governador Renato Casagrande (PSB) sinalizou que o Estado está em fase final de discussão no TCES.

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TCES suspende licitação para obras do novo Pavilhão de Carapina

“Nós estamos no Tribunal de Contas. Teve uma ação e estamos respondendo. Uma empresa que não se sagrou vitoriosa recorreu. Estamos na fase final de discussão na Corte, mas daqui a pouco vamos anunciar a empresa vencedora e começar a obra”, afirmou o governador, durante o lançamento do Plano de Marketing para o Turismo no Estado 2026–2030, em Vitória.

Com a suspensão, a obra fica sem ter uma empresa responsável por tirá-la do papel até uma avaliação final da Corte de Contas.

Empresa aponta supostas irregularidades

A Sial Construções afirma que a comissão de contratação errou ao não reconhecer um recurso interposto pela empresa. Sustenta ainda que foi descumprida a regra que previa 24 horas mínimas para a abertura do prazo de intenção de recurso. A comunicação teria ocorrido às 16h44 de 1º de dezembro e o prazo, aberto às 15h10 do dia 2.

A construtora ainda disse que houve falha no julgamento, uma vez que conseguiu comprovar que poderia executar um sistema de aproveitamento de água de reúso, com capacidade superior à exigida pelo edital. No entanto, ao invés de receber nota máxima, 5, recebeu somente 1 ponto.

A empresa criticou, por fim, os 14 pontos atribuídos à primeira colocada relacionados à capacidade de instalar sistemas elétricos de alta potência, uma vez que a pontuação teria sido concedida com base em relatório de um profissional sem habilitação legal para atestar serviços privativos de engenhara elétrica e mecânica.

Qual foi o resultado da concorrência eletrônica

O responsável pela construção do novo Pavilhão de Carapina foi definido em 2 de dezembro. O vencedor da licitação foi o consórcio C.C.G Construções Ltda., do Espírito Santo, após uma disputa com outras 12 empresas. Com prazo de execução de 1.275 dias corridos, o equivalente a três anos e meio, a inauguração estava prevista para 2029.

O julgamento para escolher a empresa responsável pela obra considerou critérios técnicos e de preço. O governo do Estado estabeleceu o valor de R$ 228,6 milhões como limite máximo para tirar o projeto do papel, sendo que a vencedora apresentou a proposta de R$ 221 milhões para executar os serviços.

Após o lançamento das notas técnicas e de preços, o consórcio C.C.G. Construções Ltda. se sagrou vencedor, alcançando a pontuação final de 94,82, resultado do somatório da nota técnica de 70 pontos com a nota de preços de 24,82.

O aviso de licitação para a construção do novo pavilhão foi publicado em julho e a disputa ficou aberta em setembro.

A nova estrutura de eventos, olhando a partir da BR 101, ficará à esquerda, onde hoje estão as baias de animais e são feitas as provas do Detran.

A estrutura atual seguirá funcionando normalmente até a nova ser erguida. Ao final da obra, será demolida e ali ficará o novo estacionamento. Assim que a área ficar pronta, o governo pretende concedê-la à iniciativa privada.

O que diz o DER-ES

Em nota enviada na manhã de quinta-feira (15), o DER-ES informou a empresa Sial não apresentou a Proposta de Preço conforme exigido no edital, o que já permitiria sua desclassificação na fase inicial do processo. Ainda assim, o DER-ES procedeu à análise de sua Proposta Técnica, conforme os critérios previstos.

"As notas das propostas técnicas e de preços foram divulgadas no dia 1º de dezembro de 2025, às 16h, com comunicação prévia aos participantes, assegurando transparência e prazo adequado para análise. Nesse momento, foi aberto apenas o período para manifestação de intenção de recurso, não sendo ainda a fase destinada à apresentação de recursos administrativos", declarou o órgão.

Ainda segundo o DER-ES, após o encerramento desse prazo, o consórcio classificado em primeiro lugar foi convocado para apresentar a documentação de habilitação. Antes da análise dessa documentação e da abertura formal da fase de recursos, a empresa Sial apresentou recurso administrativo.

Considerando que o processo é regido pela Lei nº 14.133/2021, que prevê uma única fase recursal, iniciada somente após a decisão de habilitação ou inabilitação, o DER-ES entendeu que o recurso apresentado ocorreu fora do prazo legal.

Em relação às notas técnicas, o DER-ES esclareceu que outras empresas participantes também apresentaram recursos no momento adequado, conforme previsto em lei. No entanto, em razão de medida cautelar, o processo encontra-se temporariamente suspenso, o que impede a análise dos documentos até nova deliberação.

O DER-ES reforçou, por fim, seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta condução dos processos públicos.

Atualização
05/01/2026 - 12:25hrs
O texto foi atualizado com o posicionamento do DER-ES.

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