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Delegado exonerado no ES processa chefe e pede remoção de comentário das redes

Delegado exonerado no ES processa chefe e pede remoção de comentário das redes

Exoneração de Romualdo Gianordoli virou discussão, com trocas de ataques nas redes sociais, e o caso foi parar na Justiça

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 16:55

José Darcy Arruda (à esquerda) e Romualdo Gianordoli (à direita) brigam nas redes sociais
José Darcy Arruda (E) e Romualdo Gianordoli: discussão nas redes sociais Crédito: Reprodução Polícia Civil

O delegado Romualdo Gianordoli Neto decidiu processar na Justiça o seu chefe, José Darcy Arruda, por calúnia, difamação e injúria. A ação ocorre após o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo ter alegado, nas redes sociais, que Gianordoli foi exonerado da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) por se apropriar de informações sensíveis de investigações.

Procurado por A Gazeta, na tarde desta terça-feira (13), Arruda disse que não foi oficialmente notificado acerca do fato. Caso seja, afirmou que tomará as medidas cabíveis, dentro do que rege a legislação, que prevê o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Em queixa-crime apresentada à Justiça, a qual A Gazeta teve acesso, a defesa de Gianordoli alega que o comentário publicado por Arruda no Instagram não se limita a ofensa pessoal ao delegado exonerado e também envolve uma acusação criminal pública.

Por conta disso, a defesa requer que Arruda, além de apagar o comentário, retrate-se publicamente pela mesma rede social e seja condenado por calúnia, difamação e injúria.

A queixa-crime se refere a uma resposta dada por Arruda a uma seguidora no Instagram, que questionou se o delegado-geral não se manifestaria sobre críticas feitas por Gianordoli, nas redes sociais, à Polícia Civil. O chefe da PC respondeu, alegando que, por orientação governamental, está tratando do caso na Corregedoria da corporação. Disse ainda que o delegado foi exonerado da Sesp porque "se apropriou de informações sensíveis de investigações policiais" e "começou a negociar para benefício próprio".

Arruda ainda sugeriu que Romualdo teria problemas emocionais e a prova disso seria o fato de ter chorado, em público, durante a coletiva de imprensa ocorrida após a prisão de Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Marujo, o traficante mais procurado do Espírito Santo. "Nomeação e exoneração acontecem toda hora no governo, porém ele não conseguiu conviver com a frustração", assinalou o delegado-geral.

A defesa de Romualdo solicitou uma liminar para a remoção imediata das postagens ofensivas da rede social. No entanto, a juíza plantonista negou a análise do pedido, argumentando que o caso não se enquadra nas situações de emergência estabelecidas pelas normas do Tribunal de Justiça.

Em conversa com A Gazeta, na terça-feira (12), Romualdo negou que tenha negociado informações sensíveis de operações e afirmou que todas as acusações atribuídas a ele são absolutamente falsas.

José Darcy Arruda responde a comentário a fala por qual razão Roualdo Gianordoli foi exonerado
José Darcy Arruda responde a comentário e cita a razão de Romualdo Gianordoli ter sido exonerado Crédito: Reprodução redes sociais

Briga saiu das redes e foi parar na Justiça

Gianordoli ficou conhecido no Espírito Santo após comandar a operação que resultou na prisão do traficante Marujo, em março de 2024. Em setembro daquele ano, foi promovido e virou subsecretário de Estado de Inteligência. Até então, a relação dele com a alta cúpula da Segurança Estadual parecia harmoniosa.

No entanto, os atritos começaram a vir a público em outubro de 2025, quando ele foi exonerado da Subsecretaria de Inteligência. Na ocasião, atribuiu o afastamento a um "desentendimento profissional" com Arruda. Fora do cargo, foi nomeado para atuar na assessoria, mas acabou demitido em dezembro.

Inconformado, o delegado foi às redes sociais e afirmou, em um vídeo, que sua exoneração estaria ligada à Operação Baest, liderada por ele enquanto subsecretário de Inteligência e realizada em maio de 2025. O delegado disse que havia conseguido alcançar o braço financeiro da organização ligada a Marujo e identificado um empresário da Serra que estaria envolvido com o crime organizado.

Segundo afirmou Romualdo no vídeo, as investigações acabaram não avançando, pois o empresário teria ligação com pessoas do “alto escalão” da sociedade, que teriam contato com o governo do Estado e a Polícia Civil. Nesse momento da gravação, o delegado afirmou que a corporação se encontra “bastante corroída”.

Ao tomar conhecimento do vídeo, a cúpula da Sesp reagiu e respondeu Romualdo no próprio post feito por ele no Instagram. Na resposta enviada ao delegado, a pasta afirmou que, embora seja legítimo a integrantes das forças policiais terem pretensões eleitorais, a destituição de cargo comissionado não pode ser utilizada como pretexto para ataques levianos.

Delegado Romualdo Gianordoli faz acusações contra Polícia Civil e governo do Espírito Santo reage
Romualdo Gianordoli fez acusações contra Polícia Civil nas redes sociais e o governo do Espírito Santo reagiu Crédito: Reprodução Instagram

Procurada pela reportagem, a Sesp reiterou que a demissão do delegado da subsecretaria não teve qualquer motivação política, tampouco guarda relação com empresários investigados ou com a Operação Baest. A pasta ainda reafirmou que a exoneração ocorreu em razão do desgaste da relação interpessoal do então subsecretário com integrantes da estrutura da segurança pública, o que seria incompatível com a condução de uma função estratégica e sensível.

Diante das acusações levantadas por Gianordoli, a Polícia Civil veio a público e afirmou que o delegado é alvo de um procedimento que apura possível subtração e apropriação de informações sigilosas de investigação policial e encaminhou a apuração ao Ministério Público Estadual. A corporação ressaltou que o caso tramita em segredo de Justiça e não é fruto da Operação Baest.

Por ser concursado, Gianordoli não perde o emprego e seguirá como delegado, mas só deve se apresentar à corporação para o trabalho em 29 de janeiro, uma vez que está de férias.

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