Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 11:55
A pesquisa com polilaminina, substância estudada como possível tratamento para lesões medulares, tem sido acompanhada de perto pela sociedade, segundo a cientista responsável pelo estudo. "É como se fosse um Big Brother", definiu a pesquisadora Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). >
Segundo Tatiana, mais uma etapa da pesquisa foi aprovada na última quinta-feira (26) e os estudos clínicos com pacientes devem começar no início de março.>
A afirmação foi feita durante a entrevista ao "Bom Dia Espírito Santo", da TV Gazeta, na sexta-feira (27), ao lado do médico capixaba Olavo Franco, que também participa das aplicações da substância no Estado>
Tatiana Sampaio
Pesquisadora
Os estudos começaram há mais de 20 anos, na universidade fluminense, mas desde que os primeiros pacientes receberam a aplicação da polilaminina, a pesquisa passou a ser acompanhada de perto pela opinião pública, interessada nos avanços.
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“É um pouco angustiante você ter os olhos em cima de você enquanto faz alguma coisa. É como se você estivesse digitando um texto com cinco pessoas olhando para toda letra que você escreve errada e apaga”, explicou a médica.>
Para Tatiana, a exposição pode trazer benefícios. "Expor o quanto a pesquisa é importante, o quanto as universidades fazem coisas que podem resultar em avanços importantes, o que é um estudo clínico, qual é a importância de se ter grupo controle ou não", completou.>
Além do grupo que integra o estudo clínico formal, há pacientes que conseguem a aplicação da polilaminina por decisão judicial.>
Tatiana reconhece que o uso fora do protocolo tradicional pode dificultar a coleta de dados, mas afirma que não é possível ignorar a demanda individual.>
"Do ponto de vista da pesquisa, atrapalha um pouco porque não temos controle total das informações. Não é no dia que a gente quer, não é na hora que a gente quer, não é na condição exatamente que a gente quer. Por outro lado, são situações que são demandas e individuais, e que a gente não tem como não atender quando existe a justificativa para tal", disse.>
No Espírito Santo, como parte da equipe está envolvida diretamente nas aplicações, o acompanhamento tem sido mais próximo, com apoio do Hospital São Lucas, em Vitória.>
Em estados mais distantes, no entanto, o monitoramento depende da colaboração das equipes locais.>
“Às vezes, as informações vêm pela família ou pelo médico assistente. Não é o cenário ideal para pesquisa, mas os pacientes recebem acompanhamento da equipe responsável”, afirmou o médico Olavo Franco.>
A polilaminina é uma forma reconstituída da laminina, proteína presente no organismo que ajuda a dar estrutura aos tecidos. >
Tatiana usou uma comparação para explicar o funcionamento da substância: "É como um colar de pérolas. Cada pérola sozinha não cumpre a função. Quando você monta o colar novamente, ele recupera a função".>
Segundo ela, ao ser extraída do corpo, a proteína perde sua estrutura original. A polilaminina seria uma forma de reorganizar essas moléculas para que retomem a função estrutural.>
No caso da lesão medular, a aplicação é feita diretamente no local da lesão, com o objetivo de estimular a regeneração das fibras nervosas.>
"A medula é como um conjunto de fios protegidos dentro da coluna. Quando há trauma, esses fios podem ser rompidos ou comprimidos. A ideia é estimular que eles voltem a crescer", explicou.>
As aplicações começaram em dezembro.>
Com informações do g1 ES>
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