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Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 18:59
A bióloga Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e líder das pesquisas com polilaminina para tratamento de pessoas com lesão medular, foi homenageada nesta quinta-feira (26), no Palácio Anchieta, em Vitória, com a comenda Jerônymo Monteiro — a mais alta honraria concedida pelo governo do Espírito Santo. Integrantes da equipe, incluindo dois capixabas, e do laboratório Cristália, que investe no desenvolvimento do medicamento, também foram condecorados. >
Além da medalha, entregue pelo governador Renato Casagrande (PSB), a pesquisadora recebeu flores das mãos da primeira-dama Virginia Casagrande e uma obra, representando a polilaminina, feita pelo artista Hugo Siman Madeira. Durante o momento de agradecimento, Tatiana refutou as análises pessimistas sobre a patente da polilaminina e celebrou a pesquisa nacional, feita em universidade pública. >
"O que interessa é que a gente conseguiu ficar no Brasil, conseguiu fazer isso aqui, com pesquisadores brasileiros, na universidade. Nunca ninguém vai poder dizer que a polilaminina não é nossa. Outros grupos e países já até usaram a polilaminina, mas reconheceram como nossa, criada no laboratório da UFRJ", frisou.>
Tatiana também dedicou agradecimento ao presidente da Cristália, Ogari Pacheco, que decidiu investir nas pesquisas — algo em torno de R$ 150 milhões nos últimos oito anos. >
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"Assim como não tem como tirar de nós a criação, não é possível retirar a parte de desenvolvimento da Cristália. É uma construção brasileira e todo mundo pode ter orgulho disso", completou. >
Veja os homenageados com a comenda Jerônymo Monteiro:>
Ordem Grã-Cruz:>
Dra. Tatiana Coelho Lobo de Sampaio, bióloga, professora e pesquisadora da UFRJ>
Ordem Cavaleiro:>
A solenidade foi precedida da formatura de alunos de residência médica do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (Icepi), que lotaram o Salão São Tiago e participaram da homenagem a Tatiana Sampaio e equipe. >
Mais cedo, em entrevista coletiva, a bióloga pontuou que a ciência não tem feito, ao longo dos anos, parte do cotidiano das pessoas e, por isso, pode-se acreditar num certo distanciamento. >
"Acho que esse caso da polilaminina está ajudando a aproximar, a dar visibilidade e trazer para a vida comum. A sensação que tenho é que está sendo muito bem-vinda, todo mundo parece tão feliz, tão animado com isso e dá a ideia de que havia demanda, de que as pessoas tinham desejo de ver a ciência se conectando com a realidade de todo mundo", avaliou.>
Questionada sobre a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a fase um dos estudos clínicos com a polilaminina, Tatiana abriu espaço para o vice-presidente da Cristália, Rogério Almeida, manifestar-se sobre os próximos passos da pesquisa. Ele disse que o comitê de ética do Hospital das Clínicas de São Paulo aprovou, na quarta-feira (25), o protocolo para o início dos testes. >
"Então, a partir de hoje (quinta-feira, 26), a gente já começa a possibilidade de iniciar o treinamento dos neurocirurgiões, tanto do Hospital das Clínicas de São Paulo quanto da Santa Casa, e o recrutamento dos pacientes que se encaixem nos critérios para que a gente possa colocar cinco pacientes no estudo clínico de fase um", afirmou.>
Almeida disse que esses pacientes serão acompanhados por seis meses e, no final desse período, um relatório será entregue à Anvisa com um pedido do estudo clínico de fase dois. >
"O estudo clínico de fase 1 é para avaliação de segurança, o estudo clínico de fase 2 é para avaliação de eficácia. Finalizado o estudo clínico de fase 2, que também vai ser um acompanhamento de seis meses, nós podemos entrar com o pedido de registro definitivo na Anvisa", acrescentou o vice-presidente. >
Os critérios de seleção dos pacientes são: ter entre 18 e 72 anos, lesão medular completa na altura torácica e que o trauma esteja na janela de 72 horas. >
Durante a coletiva, o secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann, reforçou que o governo capixaba vai disponibilizar o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) — o antigo São Lucas, referência em trauma — para a próxima fase das pesquisas, conforme A Gazeta antecipou em reportagem na quarta-feira (25).>
Mas o governo já vem sendo parceiro dos estudos da polilaminina desde o momento em que a Justiça liberou o teste em pacientes, antes da autorização da Anvisa, viabilizando o atendimento no Estado. Cinco pessoas foram contempladas — duas morreram depois, mas por comorbidades sem relação com a substância. >
"Nosso trabalho de pesquisa já estava avançado — são 28 anos —, mas a fase iniciada mais recentemente, nessas iniciativas do uso compassivo de polilaminina (por via judicial), que foram difíceis de se organizar, eu não sabia muito bem como fazer. Então, acho que a postura, o apoio que a gente teve do governo do Espírito Santo para operacionalizar isso foi essencial. Foi como se a gente tivesse mais um laboratório para botar isso para funcionar e depois acabou se propagando como exemplo para outras iniciativas. Então, é um prazer estar aqui na origem", reforçou Tatiana Sampaio. >
Após deixar o Palácio Anchieta, Tatiana Sampaio seguiu para a Assembleia Legislativa, onde também foi homenageada ao lado de sua equipe. Ela recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins, no grau comendador. >
Homenagem a pesquisadores da polilaminina
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